O ex-presidente Jair Bolsonaro definiu como “suprema humilhação” as medidas restritivas impostas a ele nesta sexta-feira (18/7) por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Na porta da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal, Bolsonaro afirmou que nunca pensou em sair do Brasil e que está sendo humilhado.
Assine gratuitamente a newsletter Últimas Notícias do JOTA e receba as principais notícias jurídicas e políticas do dia no seu email
“A suspeita é um exagero. Sou ex-presidente, tenho 70 anos de idade, suprema humilhação”, disse. “Poxa, estou humilhado. Isso é humilhação, não posso falar com meu filho Eduardo também (…) não tem nada de concreto [contra mim] e fica fustigando”, acrescentou em seguida.
Bolsonaro foi alvo de operação da Polícia Federal na manhã desta sexta. Por determinação do ministro Alexandre de Moraes no âmbito da Pet 14.129, ele deverá usar tornozeleira eletrônica, está impedido de usar as redes sociais e de se comunicar com seu filho Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos. Também não pode se aproximar de embaixadas e de diplomatas estrangeiros.
A jornalistas, o ex-presidente negou intenção de deixar o país. “Nunca pensei em sair do Brasil, nunca pensei em ir para embaixada, essas cautelares são em função disso”, disse. Segundo ele, “sair do Brasil é a coisa mais fácil que tem”. “Não conversei com ninguém”, insistiu.
Bolsonaro negou irregularidades em relação aos US$ 14 mil encontrados em sua residência durante execução de mandado de busca e apreensão. “Sempre guardei dólar em casa, todo dólar tem recibo do Banco do Brasil”, justificou.
A operação é realizada dez dias depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer que vai taxar os produtos brasileiros em 50%. Ao anunciar a tarifa, Trump mencionou o ex-presidente Bolsonaro e disse que está havendo uma “caça às bruxas” no Brasil. Na quinta-feira (17/7), o mandatário dos EUA voltou a se manifestar em defesa de Bolsonaro e disse que o processo contra ele deveria se encerrar “imediatamente”.
Questionado sobre sua relação com as tarifas, Bolsonaro afirmou que “o governo não conversa”. Disse que o mundo inteiro está negociando as tarifas, menos o Brasil. Entretanto, o governo brasileiro enviou carta aos EUA, na qual se diz disposto a negociar.