IPAM Amazônia: o início do começo

Rio 92. Foi sob os auspícios dessa Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992, que o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, o IPAM Amazônia, teve seu período de gestação iniciado.

Naquela ocasião, representantes de mais de 170 países, além de milhares de organizações não governamentais, se reuniram com o objetivo de discutir o tal desenvolvimento sustentável. O mote era “crescer economicamente, sem agredir o meio ambiente”. Algo ainda atual, não?

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Pois bem, foi na Rio 92 que um grupo de cientistas, oriundos de diferentes instituições, entre elas a Universidade Federal do Pará, a Embrapa Amazônia Oriental, o Museu Goeldi, o Woods Hole Research Center e a Sociedade Paraense em Defesa dos Direitos Humanos, tiveram a chance de mostrar as pesquisas que estavam desenvolvendo, em colaboração, na Amazônia brasileira.

Os resultados destas investigações foram surpreendentes e se tornariam chaves para o desenvolvimento da região e a proteção de sua grande floresta chuvosa. 

Por exemplo, o grupo descobriu o papel das raízes profundas para a manutenção das chamadas “florestas de terra firme”. Um achado inédito, uma vez que todos, até aquele momento, consideravam que processos biológicos e bioquímicos ocorridos somente nos primeiros metros de solo é que sustentavam a exuberância florestal.

Ainda, o grupo mostrou ser possível, pelo uso de tecnologias muito simples, aumentar em inúmeras vezes a produtividade das roças de agricultores familiares. E mais: os estudos propiciaram informações que tornou possível o manejo do pescado em lagos formados às margens dos grandes rios, na região de Santarém (PA). 

Com base nos resultados foi possível dar concretude ao primeiro acordo de pesca na região. Um acordo que existe até hoje. Todos estes resultados, contudo, continham um diferencial. Além de ciência de alto nível, o componente inédito destas pesquisas era o envolvimento direto, na produção de resultados, de membros de comunidades amazônicas e até mesmo de tomadores de decisão. Batizou-se este processo de “pesquisa participativa”.

Em outras palavras, a abordagem era fomentar uma produção cientifica que partisse da escuta dos anseios e problemas da sociedade local e regional. Mas, sem perder o caráter acadêmico. 

Nos dois anos seguintes à Conferência no Rio, o grupo de pesquisadores cresceu muito, o que resultou num crescente debate pela criação de uma instituição independente. Algo capaz dar coesão ao trabalho cooperativo. Algo lógico, não?

Bem, nem tanto. Afinal, por que seria necessário a criação de um instituto se o grupo de pesquisadores fluía tão bem? Esta pergunta levou dois anos (1993 e 1994) para ser respondida. 

A tal resposta veio no início de 1995: fundar uma instituição com identidade única que desse vazão à uma visão do coletivo fundador, sem que houvesse domínio de posições individuais e ser capaz de gerar ideias poderosas com elevado poder transformador, em especial de políticas públicas visando, ao final, a defesa dos direitos fundamentais dos brasileiros.

A partir desta decisão, em 29 de maio, o IPAM Amazônia foi instituído. E de lá para cá se vão 30 anos de história pautada por valores calcados no conceito de pesquisa participativa.

Hoje, mais do que antes, o IPAM acredita que um futuro promissor para o país, se alcança através da escuta da sociedade regional e nacional alimentada pela combinação de saberes locais e ancestrais e científicos. Prega que tal futuro só será alcançado com “ciência, educação e inovação, capaz de sustentar um país ambientalmente saudável, economicamente próspero e socialmente justo”. É assim que o futuro sustentável, conclamado durante a Rio 92, será alcançado e vivenciado pelas próximas gerações de brasileiros.

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