É justo um delay para os bancos, diz ministro sobre corte nos juros do INSS

O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, afirmou em entrevista ao JOTA nesta segunda-feira (27/7) que os bancos seguraram as taxas do consignado do INSS quando a Selic aumentou e, por isso, é justo que a decisão para baixar o teto não seja tomada de forma tão imediata.

O chefe da pasta chegou a defender no começo do mês um corte no percentual máximo (atualmente, em 1,85% ao mês) na reunião do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) que seria realizada nesta terça-feira (28/7). Mas ela acabou adiada para a próxima semana (no dia 4/8) e, agora, as indicações são de que o corte não deve ser feito no próximo encontro.

“Os bancos têm, digamos assim, uma espécie de crédito porque seguraram a taxa quando houve uma elevação [da Selic]. Então é justo também que se demore um pouco, que se dê um delay para que, não da primeira redução [da Selic], a gente já incorpore essa redução”, afirmou.

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Segundo Queiroz, o governo conseguiu construir um ambiente de diálogo com os bancos e convencer as instituições da inconveniência de um aumento. “Os bancos compreenderam isso e nós conseguimos manter a taxa no nível razoável, ainda que houvesse algumas elevações por parte da Selic”, disse.

O ministro defendeu que as taxas praticadas sejam menores, mas afirmou que cortar demais pode gerar um efeito nocivo ao sistema. Segundo ele, as instituições financeiras também podem opinar no processo.

“Obviamente não vou chegar a uma reunião do CNPS propondo uma redução de 1,85% para 1%, achando que, com isso, vou fazer bem ao aposentado. Eu sei que, na conta geral, seria catastrófico que isso acontecesse”, disse. “Mas há uma sensibilidade aí que pode ser tratada de forma que você consiga reduzir. E quando isso acontece, um percentual [não exageradamente] menor, acho que faz bem aos aposentados sem fazer mal aos bancos”, afirmou.

O ministro comentou a ideia de um mecanismo automático de ajuste do teto dos juros conforme o patamar da Selic. Segundo ele, a ideia ainda não foi aceita pelos demais envolvidos na discussão.

“Isso aí foi uma ideia que eu tive para que a gente não tivesse nenhum risco de imprevisibilidade, para que o mercado não se sentisse instável e [sem] a garantia de que aquilo vai se manter ou não, aquela taxa de juros”, disse. “[Mas] isso ainda não foi decidido pelo Conselho, se é bom ou ruim. Não foi aceito, digamos assim, pelo conjunto do governo”.

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