A confirmação do candidato da extrema direita, Alberto de la Espriella, como o novo presidente da Colômbia pode ser banho de água fria nos resultados da primeira conferência sobre a “transição para longe” dos combustíveis fósseis, realizada em Santa Marta, Colômbia, de 24 a 29 de abril. O evento que reuniu 57 países – representando um terço da economia mundial – para debater maneiras práticas de abandonar o carvão, o petróleo e o gás surgiu na COP30, em Belém, sob impulso sobretudo da Colômbia de Gustavo Petro, que tinha ele próprio feito movimento radical contra os fósseis.
A expectativa agora é que Espriella abandone a coalizão, festejada em vários discursos durante a SB64 em Bonn, a última grande reunião técnica antes da realização da COP31, que acontecerá na Turquia, sob a presidência turca para a agenda implementação e da Austrália, para as negociações.
Na sessão plenária final em Santa Marta, que teve como países coanfitriões Colômbia e Holanda, ficou acertado que Tuvalu e Irlanda seriam os coanfitriões da segunda conferência sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis, na nação insular do Pacífico, em 2027.
Também foram anunciadas a criação de três “linhas de trabalho” sobre questões a serem apresentadas na segunda cúpula. A primeira dessas linhas de trabalho se concentrará no desenvolvimento de mapas do caminho nacionais e regionais para a transição para longe dos combustíveis fósseis.
Em seu discurso na plenária, a ministra do Meio Ambiente da Colombia, Vélez Torres afirmou que os roteiros devem estar “conectados” aos planos climáticos da ONU dos países, conhecidos como Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). E acrescentou que seria importante que os roteiros fossem “muito claros e honestos” sobre as “emissões exportadas pelos países produtores”.
O desenvolvimento dos roteiros será apoiado pelo recém-criado painel científico para a transição energética global e pela Parceria NDC, uma iniciativa global que auxilia os países na elaboração de suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), acrescentou ela.
A presidência brasileira da COP30 prometeu apresentar um roteiro “informal” para os combustíveis fósseis, baseado nas discussões e debates em Santa Marta.
Como mostrou o JOTA, de Bonn, na semana passada, existe grande expectativa sobre o que estará no Mapa do Caminho sobre a redução da dependência dos combustíveis fósseis. O documento com o qual se comprometeu a presidência brasileira da COP30 deve ser apresentado antes que passe o bastão aos turcos e australianos em novembro, quando assumem formalmente a presidência da COP31.
O palavreado será importante e indicará a relevância que terá, daqui para frente, este tema que não está na agenda de negociações oficiais e que entrou pela primeira vez na lista de eventos paralelos da ONU em Bonn esse ano. Houve um grande evento inédito, puxado pela presidência da COP30, sobre transitar para longe dos combustíveis fósseis na programação oficial do Mapa do Caminho, que não tem mandato tampouco, mas que o tema já não é mais um tabu. E ainda foi realizado evento sobre a iniciativa Belém 4x, que prevê q quadruplicação do uso dos combustíveis sustentáveis até 2035, que já conta com a adesão de 30 países.
Em entrevista ao JOTA, em Bonn, a CEO da COP30, Ana Toni, disse que, depois de Belém, estabeleceu-se que é preciso conversar sobre o assunto de maneira pragmática e não ligado a negociação, mas a prática do que os países já estão fazendo.
“Tem muitos países que estão fazendo eletrificação ou uso de combustíveis sustentáveis ou acabando com subsídios, seja para a produção, seja para o consumo”, disse.