Com aprovação superando a desaprovação na maioria das pesquisas, Lula entra no segundo semestre em posição eleitoral confortável. No entanto, seu desempenho pode estar perto do “teto”, diz análise de Fabio MuraKawa e Daniel Marcelino na nota de abertura.
Apesar de ter se beneficiado da deterioração da imagem de Flávio Bolsonaro por sua ligação com Daniel Vorcaro, o governo não escapa ileso dos desdobramentos do escândalo.
Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, foi um dos 18 alvos da nova fase da operação Compliance Zero deflagrada hoje (18). A Polícia Federal investiga relação do parlamentar com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.
Uma liminar mandou o governo suspender o impulsionamento de publicidade nas redes sobre o fim da escala 6×1 enquanto o Congresso não termina de debater o assunto, Carolina Maingué Pires escreve na nota 2.
Letícia Mori colaborou nesta edição.
Boa leitura.
O PONTO CENTRAL
1. Perto do teto
Lula chega ao final do primeiro semestre de 2026 em uma posição eleitoral mais favorável, mas não há muito mais espaço para avançar, Fabio MuraKawa e Daniel Marcelino escrevem no JOTA PRO Poder.
As pesquisas mais recentes mostram melhora consistente da popularidade do governo e indicam uma mudança gradual de humor do eleitorado.
O petista foi beneficiado pelos deslizes de Flávio Bolsonaro — seu principal adversário na disputa pela reeleição.
Ele também aproveita um ciclo político que dá sinais de ser mais propício ao governo, sustentado pela intensificação das entregas de obras, investimentos e programas sociais.
A aprovação do presidente passou a superar numericamente a desaprovação na maioria das pesquisas.
Quando a aprovação supera a desaprovação, mesmo que por apenas um ou dois pontos, a manchete muda e o sinal político passa a ser outro.
Embora a aprovação não determine o resultado eleitoral, ela é utilizada ao redor do mundo como o principal termômetro da viabilidade eleitoral de um presidente que busca a reeleição.
Sim, mas… Com os indicadores se aproximando de níveis mais elevados, o espaço para novas altas permanece aberto, com tendência a produzir ganhos mais graduais do que os observados ao longo do primeiro semestre.
UMA MENSAGEM DO SINDICOM
A conta real do combustível no Brasil
Crédito: Julia Gomina / Getty Images
O valor pago pelo consumidor na bomba dos postos de combustíveis é composto, principalmente, por três fatores: petróleo, variação cambial e carga tributária. Nesse contexto, a margem das distribuidoras ocupa um espaço proporcionalmente pequeno.
O foco nos determinantes errados faz com que o debate regulatório seja equivocado.
Assim, intervenções regulatórias focadas exclusivamente na compressão das margens não atacam as causas estruturais da volatilidade dos preços e podem comprometer investimentos essenciais para a segurança energética e o abastecimento do país.
Saiba o que especialistas falam sobre o tema.
2. Ainda não acabou
Adesivo de campanha pelo fim da escala 6×1 | Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil
Uma liminar mandou o governo federal suspender impulsionamento de publicidade sobre escala 6×1 nas redes sociais em até 48 horas, Carolina Maingué Pires escreve no JOTA.
A decisão, publicada ontem (17), também impede novos aportes para impulsionamento até que o Congresso termine de votar o tema.
A liminar da juíza federal Pollyana Martinas Alves não especifica se a proibição se estende até o final da votação de todas as propostas em tramitação.
🔭Panorama: A ação popular foi movida pelo deputado Carlos Jordy.
Jordy citou reportagem do JOTA que apurou que o governo Lula gastou mais de R$ 1 milhão com anúncios sobre o fim da escala 6×1 no Facebook e no Instagram entre 26 de abril e 25 de maio, dois dias antes da aprovação da PEC. Leia mais.
O valor representou 16,7% do total direcionado para a plataforma Meta no período, que foi de R$ 6,3 milhões.
Na data da publicação da reportagem, a Secom disse que a publicidade na plataforma Meta “reflete os novos hábitos de consumo de mídia da população na hora de buscar informações, com aumento do tempo” em redes sociais.
3. Incertezas
O presidente do BC, Gabriel Galípolo | Crédito: Raphael Ribeiro/ Banco Central
O Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a taxa Selic de 14,5% para 14,25% ao ano e não fez sinalizações sobre as próximas decisões, Gabriel Shinohara registra no JOTA PRO Poder.
Foi a terceira queda consecutiva desde março, quando a taxa estava em 15% ao ano.
A decisão foi unânime e era esperada pelo mercado financeiro, tendo sido prevista pela mediana de expectativas no relatório da Focus.
O relatório também mostrou que o mercado vem reduzindo as projeções de cortes.
No início do ano, a projeção era da Selic em 12,25% no fim de 2026.
Já na edição desta semana, a projeção passou para 13,75% ao ano.
Por que importa: A redução em ritmo lento, com os juros altos por longo período, é reflexo de um cenário de incerteza, diz o Copom, e da necessidade de manter a taxa para que haja convergência da inflação para a meta.
O comitê também citou riscos que poderiam elevar a inflação, como potenciais de choques de oferta com relação ao petróleo e “efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia” — devido à possibilidade de um El Niño intenso.
4. Batata quente
O ministro da Fazenda Dario Durigan | Crédito: Ricardo Stuckert/Presidência da República
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, se reuniu ontem (17) com o presidente do STF, Edson Fachin, e com o ministro Gilmar Mendes para discutir pautas-bomba, Flávia Maia escreve no JOTA PRO Poder.
O chefe da equipe econômica de Lula vem dizendo que o governo pode acionar o STF caso não consiga frear no Congresso propostas que geram impacto bilionário para as contas públicas.
O Supremo vem construindo precedentes que podem favorecer o governo em caso de judicialização.
No total, a Fazenda monitora nove iniciativas dos parlamentares que podem gerar, ao todo, R$ 111 bilhões de impacto por ano. As aprovações podem inviabilizar o próximo governo, diz o ministro da Fazenda.
Após a reunião, Durigan disse que o STF estuda uma proposta de súmula vinculante que consolide os entendimentos do Supremo sobre gastos públicos e responsabilidade fiscal.
Aliás… O ministro declarou que está aberto a um acordo sobre o PL de renegociação das dívidas rurais se ele for “direcionado para quem realmente precisa”.
A proposta aguarda aprovação da Câmara e terá impacto fiscal de R$ 140 bilhões em 13 anos, segundo estimativa da Fazenda.
Durigan também confirmou que o governo deve dar fim aos subsídios sobre os combustíveis após o anúncio do acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra.
5. ‘Apta para ser votada’
Davi Alcolumbre | Crédito: Carlos Moura/Agência Senado
Davi Alcolumbre declarou que vai consultar os senadores nesta semana para verificar se há consenso para votar no plenário a PEC da autonomia financeira do Banco Central, Fábio Pupo escreve no JOTA PRO Poder.
“Tenho certeza absoluta que todas as adequações foram construídas na CCJ e a matéria está apta para ser votada no plenário”, disse o presidente do Senado.
Ele deve decidir a data da votação após a conversa.
Na entrevista coletiva ontem (17), o ministro Durigan reforçou a posição contrária do governo, criticando o que chama de criação de um “novo Poder” na República.
Segundo ele, não se pode, a pretexto de fortalecer o BC, “criar uma série de distorções, seja na contabilidade pública, seja do ponto de vista de auditabilidade das regras”.
Para o ministro, o texto também pode abrir espaço para novos gastos com pessoal, que poderiam ficar fora do controle do Executivo.
6. O meio e a mensagem
Celular com aplicativos de redes sociais | Crédito: Getty Images
O STF aprovou ontem (17) mudanças na responsabilidade das plataformas digitais sobre os conteúdos postados por usuários, Flávia Maia escreve no JOTA.
O Supremo manteve a ampliação da responsabilidade das big techs — as plataformas devem retirar conteúdos criminosos assim que houver notificação, sem necessidade de ordem judicial.
Caso não o façam, podem ter que reparar danos, como pagar indenizações.
O STF já havia se posicionado sobre o assunto, mas, após recursos, uma nova decisão incluiu alterações.
O novo texto determina que:
O Executivo agora pode regular o tema tanto quanto o Congresso — o que ratifica os decretos presidenciais recentes.
Os sites e apps que funcionam como marketplaces respondem civilmente, de acordo com o Código de Defesa do Consumidor.
As empresas têm “presunção relativa de culpa” — na prática, significa que a culpa pode ser mitigada se a empresa demonstrar que adotou todas as medidas necessárias para impedir a divulgação.
⏩ Pela frente: As empresas têm 60 dias para implementar as alterações exigidas pelo STF.