Vice de Flávio Bolsonaro seria saída honrosa para Cleitinho

Diante da resistência de Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) em encabeçar uma candidatura ao governo de Minas Gerais e abrir palanque para Flávio Bolsonaro (PL), o entorno do presidenciável passou a sugerir o senador mineiro como vice do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O arranjo seria uma “saída honrosa” para Cleitinho e resolveria a composição da chapa de Flávio, pois, a pouco mais de três meses da eleição, o presidenciável do PL ainda não tem um vice e vem sendo cobrado por aliados e pelo mercado a apresentar um nome.

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No caso de Cleitinho, o arranjo oferecia uma saída para a encruzilhada política diante do qual o senador, líder das pesquisas para o governo de Minas, permanece estático. Segundo seus aliados, ele estaria “sem confiança para aceitar o desafio” de disputar o comando do estado.

Cleitinho não estaria convicto de que a disputa do governo mineiro possa ser produtiva para a construção de sua carreira pública, mesmo em caso de vitória, pois o estado apresenta graves problemas financeiros. Em outros termos, na definição de um profundo conhecedor da política mineira, o senador tem mais medo de ganhar do que de perder.

Nos bastidores, a indefinição de Cleitinho, mesmo com todas as pesquisas indicando grandes chances de vitória, tem sido interpretada como um sinal de que ele não deverá concorrer ao governo, o que teria, inclusive, contrariado o presidente nacional do Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira.

Nesse sentido, entrar na eleição deste ano como vice de Flávio manteria Cleitinho em evidência, mas sem o alto risco que uma candidatura ao governo embute. No melhor cenário, se o filho de Jair Bolsonaro (PL) vencer a eleição, o senador por Minas passaria automaticamente a ser uma opção para comandar o Planalto no futuro. No pior, ele retomaria seu mandato no Senado (foi eleito em 2022).

No entanto, há no entorno de Cleitinho uma ala contrária à possibilidade. O argumento desse grupo é de que uma parte grande do eleitorado de Minas, especialmente na região norte do estado, é fiel ao presidente Lula (PT). Assim, um alinhamento tão direto a Flávio poderia representar um “tiro no pé” para o futuro político do senador. Ou seja, o melhor para o futuro de Cleitinho seria manter uma distância regulamentar dos dois lados da polarização neste ano.

Do ponto de vista do PL nacional, Cleitinho como vice representaria um avanço significativo de Flávio no segundo maior colégio eleitoral do país, onde Lula também permanece mal representado em termos de palanque até agora. No entanto, segundo apurou o JOTA, a preferência do presidenciável é por uma composição que envolva a disputa pelo governo do estado.

Flávio e os coordenadores de sua campanha ainda atuam no sentido de Cleitinho aceitar disputar o Palácio da Liberdade, em uma coligação com o PL, que indicaria o empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), como vice e o deputado federal Domingos Sávio ao Senado.

Em paralelo aos movimentos do PL, o atual governador, Mateus Simões (PL), candidato à reeleição, ainda não desistiu de formar uma chapa ampla que agregue toda a centro-direita de Minas, com o PL e também com Cleitinho. Se esse arranjo, hoje pouco provável, der certo, ele aumentará e muito suas chances de permanecer no cargo.

 

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