JOTA Principal: Lula vai ao G7 para destravar impasses com UE e pode acabar esbarrando em Trump

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A viagem de Lula à França para o encontro do G7 servirá para destravar impasses comerciais com a União Europeia, num momento em que o Banco Mundial prevê que a economia global passará pela década de crescimento mais lento desde os anos 1960, Vivian Oswald escreve na nota de abertura.

A expectativa é que o debate sobre os desequilíbrios macroeconômicos globais dê origem a conversas desconfortáveis. E é neste contexto que o brasileiro pode “esbarrar” em Donald Trump, ainda que não haja previsão de encontro oficial.

“A política do Trump é agressiva. Ele já demonstrou claramente que não vai atuar de acordo com os padrões da diplomacia internacional”, disse o coordenador do programa de governo de Lula, José Sérgio Gabrielli, em entrevista a Fabio MuraKawa e Lígia Formenti — mais detalhes na nota 2.

No campo oposicionista, Flávio Bolsonaro, em trajetória de queda nas pesquisas, ainda busca formas de conter os danos provocados pelos vazamentos envolvendo Vorcaro. Ele aposta no discurso antipetista e procura projetar uma imagem mais moderada, Marianna Holanda e Daniel Marcelino escrevem na nota 3.

Hoje a atenção se volta também para Eduardo Bolsonaro, que será julgado no STF, acusado de conspirar internacionalmente contra ministros do tribunal.

Letícia Mori colaborou nesta edição.

Boa leitura.

O PONTO CENTRAL

1. Aparar arestas

Lula tenta conter atritos comerciais com União Europeia e Estados Unidos em meio à cúpula do G7, que reúne líderes na França até amanhã (17), Vivian Oswald escreve no JOTA PRO Poder.

O momento geopolítico é delicado, com guerras, tarifas e pressão sobre a economia global.
Lula participou ontem (15) de reunião com o presidente Emmanuel Macron do evento para países convidados e tem agenda de encontros bilaterais — que não incluem Donald Trump.
O foco é a União Europeia — ele tenta garantir a manutenção dos fluxos de exportações de carnes ao bloco a partir de setembro.
Os europeus retiraram o Brasil de sua lista de países credenciados afirmando não ter recebido informações suficientes sobre o uso de antibióticos em animais.

Lula também terá almoço com representantes das big techs.

O comportamento das plataformas, sobretudo durante o período eleitoral que se aproxima, segue sendo motivo de preocupação dentro do governo brasileiro desde o início deste segundo mandato de Trump.

UMA MENSAGEM DO SINDICOM

A força motriz do abastecimento nacional

Crédito: Julia Gomina/Getty Images

A distribuição de combustíveis é crucial para a economia brasileira, com 65% das cargas movimentadas por vias rodoviárias. A dimensão econômica do setor transparece nos seguintes dados:

transporte de 137 bilhões de litros por ano, abastecendo 200 mil veículos por hora em todos os municípios;
representação de 7,3% do PIB do comércio brasileiro, movimentando R$ 86 bilhões.

“Sem as distribuidoras, haveria desabastecimentos frequentes, estoques caros e aumento geral de preços, com perda direta de produtividade nacional. O combustível mais caro que existe é aquele que não está disponível”, defende David Zylbersztajn, do Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes).

Leia mais sobre a importância do setor.

2. Com a agenda na mão

José Sérgio Gabrielli / Crédito: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil – 12.mar.2015

O coordenador do programa de governo de Lula para as eleições, José Sérgio Gabrielli, diz que discussões sobre soberania e democracia deverão nortear o debate nos próximos meses.

“A política do Trump é agressiva. Ele já demonstrou claramente que não vai atuar de acordo com os padrões da diplomacia internacional”, disse Gabrielli em entrevista a Fabio MuraKawa e Lígia Formenti no JOTA PRO Poder.

🔭 Panorama: Gabrielli, que também é ex-presidente da Petrobras, defendeu a necessidade de uma reforma política para garantir maior participação popular no Congresso e uma revisão na lógica das emendas.

Ele falou sobre combate à inflação, responsabilidade fiscal e defendeu a cobrança de impostos aos mais ricos para reduzir a desigualdade.
O programa de campanha não vai discutir autonomia do Banco Central porque o assunto já foi decidido pelo Congresso, afirmou.
Disse também que Lula quer mostrar que a segurança pública é um eixo estratégico e que o governo vai estimular medidas de combate às facções.

Sim, mas… Gabrielli diz que o PT manterá posição contrária a temas como a redução da maioridade penal, mesmo que isso seja impopular.

3. Virar a página

Flávio Bolsonaro no Senado / Crédito: Carlos Moura/Agência Senado

Com a perda gradual de competitividade nas pesquisas eleitorais, Flávio Bolsonaro reorganiza seu discurso e aposta na escolha do vice para tentar animar a pré-campanha, Marianna Holanda e Daniel Marcelino escrevem no JOTA PRO Poder.

Mais de um mês depois do início da crise envolvendo Daniel Vorcaro, o senador conseguiu emplacar pela primeira vez um discurso contra o governo Lula sem ficar a reboque do noticiário negativo, em entrevista à Veja (íntegra no YouTube).
A pré-campanha tenta virar a página e, com isso, mirar no antipetismo como tábua de salvação.
Para isso, o pré-candidato tem resistido aos apelos de um entorno mais bolsonarista, que defendia que o senador se radicalizasse diante da crise.
O presidenciável, contudo, reforçou a busca pelo centro que vem adotando desde o início da campanha.

Sim, mas… O vice ainda não foi decidido, com a escolha ficando entre a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha.

Marinho é visto como confiável pela família e tem entrada no Nordeste.
Tereza Cristina, no entanto, segue sendo a favorita de aliados.

Aliás… A Procuradoria-Geral da República rejeitou a segunda proposta de delação premiada apresentada pela defesa de Vorcaro, Flávia Maia escreve no JOTA.

O ex-banqueiro não apresentou elementos novos à investigação, entendeu Paulo Gonet.
Essa é a primeira vez que a PGR nega a delação e novas negociações não devem ser abertas — a Polícia Federal já tinha negado essa proposta e uma anterior.
Outro ponto é que ele não se comprometeu “efetivamente” com a devolução dos valores desviados.
A PGR defendia que Vorcaro teria que sinalizar que devolveria ao menos R$ 60 bilhões aos cofres públicos.

4. Ideia fixa

O ex-governador Romeu Zema / Crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Romeu Zema afirmou ontem (15) que a Cemig, companhia energética de Minas Gerais, será privatizada pelo seu sucessor, o governador Mateus Simões (PSD).

Simões, candidato à reeleição, era o vice de Zema até março deste ano, quando o presidenciável do Novo deixou o governo para concorrer ao Planalto.

Por que importa: Uma eventual privatização da Cemig é impopular entre a população mineira, segundo pesquisas de opinião.

O governo Zema chegou a tentar avançar um projeto nesse sentido, mas, junto com a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), optou por dar prioridade ao avanço da venda da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais).
“Eu diria que o único grande projeto que nós não levamos adiante em Minas, mas que o próximo governador Mateus Simões vai levar, é a privatização da companhia de energia, que é a Cemig”, disse Zema em evento da Veja. Leia mais.

5. Sob pressão

Eduardo Bolsonaro | Crédito: Luciano Gonzalez/Anadolu via Getty Images

Começa hoje o julgamento de Eduardo Bolsonaro na 1ª Turma do STF pela acusação de que atuou nos Estados Unidos contra a ação penal que condenou Bolsonaro por golpe de Estado, Flávia Maia e Vivian Oswald escrevem no JOTA PRO Poder.

O julgamento se dá ao mesmo tempo em que jurisdições de países como Itália e EUA têm questionado as ordens judiciais do ministro Alexandre de Moraes.
A PGR acusa Eduardo de tentar coagir os ministros do STF, ameaçando usar sua influência com autoridades no exterior contra os magistrados.
No ano passado, o Brasil enfrentou a inclusão de Moraes como sancionado pelos Estados Unidos com a Lei Magnitsky, a suspensão de vistos de ministros e um tarifaço — o que levou a diplomacia brasileira a correr contra o tempo para amenizar prejuízos.
Eduardo chegou a postar em redes sociais a associação das sanções às autoridades ao seu trabalho fora do Brasil.

⚖️ Panorama: A Advocacia-Geral da União anunciou ontem (15) que está pedindo que o Estado brasileiro atue no processo contra Moraes movido por Rumble e Trump Media nos Estados Unidos.

A AGU contratou o escritório americano Foley Hoag LLP para fazer a defesa do ministro. Leia mais.

6. Depoimento

O ministro Marco Buzzi, do STJ | Crédito: Gustavo Lima/STJ

O ministro do STJ Marco Buzzi prestou depoimento à comissão que o investiga pelas denúncias de assédio e importunação sexual contra duas mulheres, Carolina Maingué Pires e Flávia Maia escrevem no JOTA.

Acusado por uma jovem de 18 anos e uma funcionária terceirizada de seu gabinete, o ministro está afastado desde fevereiro.
Ele nega as denúncias.
Pessoas que estiveram presentes na audiência relataram que Buzzi não chegou a negar os fatos, mas disse que houve má interpretação das vítimas sobre as situações. O ministro também teria tentado desmerecer uma delas.
O advogado do ministro, Paulo Emílio Catta Preta, disse que os fatos foram elucidados e que o ministro apresentou evidências para sua versão.

⏩Pela frente: O julgamento do processo administrativo no STJ está marcado para agosto de 2026.

Buzzi também é alvo de inquérito no STF e processo administrativo no CNJ.

7. Validade condicionada

Lombada de livros / Crédito: Getty Images

A proposta de reforma do Código Civil condiciona a validade de uma série de cláusulas contratuais à comprovação de que as partes estavam em equilíbrio no momento da assinatura, Cristiane Bonfanti escreve no JOTA.

Hoje, presume-se que haja simetria (equivalência de capacidade técnica, econômica ou informacional) entre as partes em contratos civis e empresariais.
O novo texto amplia de um para 26 o número de dispositivos que usam as expressões “paritário” ou “simétrico”, o que abre margem para questionamentos.

Por que importa: A falta de critérios claros para avaliar esse equilíbrio pode ampliar a judicialização.

A estimativa é que as mudanças aumentem de R$ 270 milhões a R$ 450 milhões por ano os custos público e privados para que os contratos estejam alinhados às novas regras.

⚖️Panorama: A reportagem faz parte de uma série sobre as mudanças previstas no PL 4/25, em tramitação no Senado.

O texto altera regras sobre responsabilidade civil, o que pode gerar custos milionários a empresas. Leia mais.
E a retirada do cônjuge ou companheiro da lista de herdeiros necessários é uma das mudanças mais polêmicas propostas. Leia mais.

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