GT contra misoginia pensa em formular novo projeto com responsabilização de plataformas

Instalado nesta terça-feira (5/5), o Grupo de Trabalho da Câmara que vai discutir o PL 896/2023, sobre criminalização da misoginia, já considera a possibilidade de elaborar uma proposta complementar voltada especificamente ao ódio contra as mulheres no ambiente digital.

A ideia seria agrupar em um único projeto as medidas voltadas para o ecossistema digital que tramitam em diversos textos na Câmara. As deputadas do GT consideram que, assim, seria mais fácil convencer o plenário da Casa a endereçar, com urgência, o papel das plataformas digitais no combate à misoginia, além de evitar a “contaminação política” do PL 896/2023.

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Em entrevista ao JOTA, a coordenadora do GT, deputada Tabata Amaral (PSB-SP), afirmou que olhará para o conteúdo de projetos que tramitam na Casa, mas sem ampliar o escopo do relatório principal do PL 896/2023, que será concentrado no texto aprovado pelo Senado em março. A proposta, que inclui a misoginia entre crimes de preconceito ou discriminação, não estipula novas obrigações para as plataformas.

“Criminalizar a misoginia é o primeiro passo. Todas nós [integrantes do GT] concordamos que o foco tem que ser aprovar esse projeto [que veio do Senado] e fazer com que ele vire lei o quanto antes. Mas tenho certeza que precisaremos ir além da criminalização. A deputada Ana Pimentel (PT-MG) sugeriu constuir um novo projeto, complementar a esse, e eu acolhi a sugestão. Acho importante”, declarou Tabata.

Em contato com o JOTA, Ana Pimentel confirmou a intenção de usar o espaço para construir uma estratégia mais ampla de enfrentamento à misoginia, reunindo as medidas de prevenção, conscientização e responsabilização das plataformas, mas sem perder a oportunidade de referendar o texto que o Senado aprovou para criminalizar a prática.

Segundo Tabata, a ideia de um projeto complementar será construída ao longo das reuniões do grupo. Pelo cronograma apresentado nesta terça-feira (5/5), o relatório será concluído no dia 10 de junho, após quatro audiências públicas. Uma delas será dedicada especificamente à misoginia nas redes sociais, à radicalização digital e à cultura red pill.

A expectativa é que as recomendações debatidas nas audiências sejam incorporadas ao relatório final do PL 896/2023 e, a depender da avaliação das parlamentares, também sirvam de base para esta nova proposta legislativa. Para Tabata, esse debate passa necessariamente pela atuação das plataformas digitais.

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“Parte do aumento desses crimes tão odiosos só existe por conta da internet. Não dá para acreditar que a gente vai travar essa luta sem nenhuma responsabilização dessas plataformas”, disse.

Tabata disse que pretende conduzir os trabalhos em diálogo com o Executivo, que, como o JOTA antecipou, trabalha na edição de um decreto com novas regras para plataformas com foco em misoginia e responsabilidade digital. Não há prazo para a publicação do decreto, idealizado para regulamentar o artigo 21 do Marco Civil da Internet.

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