‘Verão do Flávio’ pulveriza favoritismo de Lula

O Brasil, que já teve o “o verão da tanga”, o “verão da lata”, o “verão da dengue”, o “verão do apito” e o “verão do arrastão”, viveu este ano, na política, o “verão do Flávio”, estação em que tudo deu certo para o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e errado para Lula (PT).

Desde o dia 5 de dezembro de 2025, quando o pai ungiu seu primogênito a presidenciável, sob risos e chacotas dos petistas, os desarranjos e desassossegos começaram a atormentar Lula e foram registrados pelas pesquisas. Escândalo do Master, desfile de carnaval da Acadêmicos de Niterói, Lulinha na CPMI do INSS, Guerra no Oriente Médio…

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Enquanto isso, Jair tirou Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) da corrida e limpou a pista para Flávio. O experiente Rogério Marinho (PL-RN) foi integrado ao comando da equipe. O pré-candidato colaborou, não cometeu barbeiragens, não fez manobras arriscadas e ainda posou de piloto responsável e moderado. Resultado: empate com Lula no segundo turno na maioria das pesquisas.

De acordo com a mais recente pesquisa Quaest para o segundo turno, Lula tem 41% (eram 43% em fevereiro e 45% em janeiro), enquanto Flávio tem 41% (eram 38% em fevereiro e janeiro). A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Claro, o Master, com a provável delação de Daniel Vorcaro, é um meteoro acelerado em direção ao mundo da política e pode atingir até quem já se acha protegido no bunker. Porém, antes de olhar para cima, Lula tem dois novos problemas para lidar:

Bolsonaro pode ir para a prisão domiciliar, o que representará sua incorporação total ao comando da pré-campanha de Flávio. Ronaldo Caiado (PSD), aquele que, em março de 2026, disse que Lula e o PT saquearam o Brasil, é o favorito para ser o candidato da “terceira via” a presidente.

Em condições tão satisfatórias, Flávio chegou a adiar a apresentação de seu plano prévio de governo para não fazer marola. Um experiente observador do cenário arrisca um palpite sobre a nova data, caso tudo permaneça como está: Dia de São Nunca.

O desafio de Lula agora é esse, tirar a pré-candidatura de Flávio da zona de conforto na nova fase do período pré-eleitoral que começa neste outono, mais especificamente, em abril, após o fim do prazo para as desincompatibilizações. Se não iniciar imediatamente sua prometida “colheita” e puxar o debate eleitoral para o terreno da política, tudo indica que Lula terá um inverno difícil na campanha.

Caminhos opostos

Famoso por sua habilidade política, Gilberto Kassab atravessa um momento de provações em sua saga para lançar um candidato a presidente. Com Ratinho Jr. fora da disputa, terá de decidir se prefere ser linha auxiliar do bolsonarimo com Caiado ou arejar o seu PSD com a candidatura de Eduardo Leite (RS).

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Filme antigo

A primeira entrevista de Fernando Haddad (PT) como pré-candidato a governador de São Paulo decepcionou quem esperava novidade. Dizer que Tarcísio de Freitas não conhece São Paulo por ter nascido no Rio de Janeiro já não deu certo em 2022. 

Deixa comigo

Em conversas reservadas, Márcio França tem dito que Haddad é um “gentleman”, um “grande intelectual”, mas sem “punch” para enfrentar Tarcísio. Esse é um dos motivos que leva o chefão do PSB paulista a insistir em ser candidato ao governo com a bênção de Lula. 

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