O Centro Esportivo Alagoano (CSA) apresentou à Comissão de Ética da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol (STJD) uma representação contra o administrador do Condomínio Forte União, Gabriel Ribeiro Lima, apontando conflito de interesses entre sua atuação no condomínio e na liga Futebol Forte União (FFU). É o condomínio que realiza a negociação dos direitos de transmissão dos clubes integrantes da liga.
O CSA sustenta que “a associação foi capturada pelo condomínio”. Segundo a representação, o protagonismo assumido por Lima diante de comunicações e assembleias da FFU expressa que a separação entre os dois mecanismos está sendo ignorada, o que acarretaria prejuízos aos times.
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Como exemplos, o clube alagoano cita trocas de mensagens nas quais Lima se colocou como porta voz de questões relacionadas à assembleia da FFU prevista para o dia 16 deste mês. “A assembleia de segunda terá importantes temas deliberativos consignados na convocação. Quaisquer dúvidas, estou à disposição”, teria dito o acusado conforme um print de WhatsApp anexado à representação. Segundo o CSA, esse protagonismo caberia ao presidente da associação, Alessandro Barcellos.
O CSA também menciona registros de e-mail nos quais o endereço de Lima é citado como o endereço para tratar de questões relativas à FFU. Outro elemento exposto foi a escolha pela sede da LiveMode, empresa que cuida da parte comercial do condomínio, como local para a realização da assembleia.
“Quem controla o processo deliberativo interno da associação controla, reflexamente, os 80% dos votos dos clubes no condomínio. A autonomia da associação não é um valor meramente institucional – é o pressuposto funcional de todo o sistema de governança. É precisamente por isso que a captura dessa autonomia pelo polo do Investidor não é uma irregularidade administrativa qualquer: é a subversão completa da lógica para a qual o sistema foi concebido”, afirmou o CSA.
A liga Futebol Forte União, formada por 31 clubes do Campeonato Brasileiro, é uma associação que rivaliza com a Liga do Futebol Brasileiro (LIBRA). Já o Condomínio Forte União é o veículo por meio do qual os direitos de arena e as propriedades comerciais dos clubes são negociados coletivamente.
Pelo condomínio, os times têm acordos de alienação parcial dos direitos entre 10% e 20% das receitas, e o resultado financeiro é repartido entre eles segundo critérios que incluem participação, audiência e performance nos campeonatos.
Enquanto a FFU é formada somente pelos clubes, o Condomínio Forte União possui dois polos distintos: os clubes, titulares de 80% do poder político; e a Sports Media — dona de fundo que tem a Life Capital Partners (LCP) como gestora —, titular dos 20% restantes.
A LiveMode, que cuida da parte comercial do Condomínio Forte União, adquiriu participação acionária no LCP Fip Master. Em um processo de notificação de ato de concentração ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), a superintendência-geral da autarquia emitiu um parecer no qual cita que “outras duas dúvidas se deram em relação à aquisição de 31.10.2023 da LiveMode no LCP FIP Master”.
A LiveMode é proprietária da CazéTV e adquiriu, para a CazéTV, os direitos que negociou em nome dos clubes integrantes da FFU.
Procurados por meio de sua assessoria, Gabriel Lima e o Condomínio Forte União não retornaram até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.