O debate público e regulatório sobre inclusão digital no Brasil costuma orbitar em torno de um eixo principal: a expansão da conectividade. Discutimos leilões de frequências, infraestrutura de fibra óptica e políticas públicas e regulatórias para baratear pacotes de dados. Esses pontos são importantes para criar condições para mudanças no país. Contudo, ao analisar o mercado guiado por informações precisas e comportamento, fica evidente que o principal gargalo para a inserção na economia moderna é anterior, logo no acesso ao aparelho.
No Brasil, existem cerca de 217 milhões de conexões móveis ativas, segundo o relatório “Digital 2025: Brazil”, do DataReportal, e a PNAD Contínua (TIC Domicílios do IBGE). Esse cenário evidencia como o smartphone se consolidou como um dos principais pontos de acesso a bens digitais e oportunidades online. Nas classes C, D e E, essa presença é ainda mais marcante: 97,5% dos usuários acessam a internet pelo celular. Nesse contexto, o celular se torna uma porta de entrada para diferentes possibilidades de participação econômica e criativa.
No Brasil, existem cerca de 217 milhões de conexões móveis ativas. Nas classes C, D e E, 97,5% dos usuários acessam a internet pelo celular.
Além disso, o trabalho mediado por plataformas digitais cresceu cerca de 25% nos últimos anos e alcançou aproximadamente 1,7 milhão de brasileiros, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os números mostram que estar sem um celular moderno significa, literalmente, estar excluído do mercado.
Se a demanda é clara e a necessidade é latente, onde o sistema falha? O problema estrutural reside no financiamento, que atua como barreira de acesso. Grande parte da população brasileira continua invisível ou marginalizada pelo crédito tradicional. Dados do IBGE apontam que cerca de 40% dos trabalhadores brasileiros estão na informalidade e 60% da população de baixa renda não têm acesso a um cartão de crédito.
Há um obstáculo à compra de um aparelho que pode representar inclusão digital e econômica. O modelo de análise de risco das instituições financeiras tradicionais simplesmente não consegue avaliar cerca de 35 milhões de brasileiros, enquanto aproximadamente 73,5 milhões possuem dívidas em atraso, mostra pesquisa do Serasa Experian.
É aqui que a inovação tecnológica, pautada em dados, precisa pressionar e redefinir o modelo tradicional. Modelos inovadores de crédito, desenhados para a realidade de quem foi historicamente excluído, provam que é possível oferecer acesso sem gerar ou ampliar o superendividamento.
Na PayJoy entendemos que estruturar essa ambição inclui estratégia e foco no impacto. Operamos com um modelo em que a garantia do financiamento é atrelada de forma digital ao próprio dispositivo. Em um arranjo com parcelas fixas e previsíveis e onde não há taxas escondidas.
Se o cliente atrasa, o aparelho tem suas funções limitadas – mantendo o acesso a chamadas de emergência e serviços essenciais –, mas sem a incidência de multas que transformam dívidas em bolas de neve impagáveis. Regularizada pelo menos uma parcela, o uso completo do smartphone é restabelecido.
Esse mecanismo substitui as barreiras burocráticas tradicionais que penalizam o consumidor de baixa renda. Nossos dados internos mostram o impacto prático dessa democratização: 37% de nossos usuários entram no sistema sem histórico de crédito, 50% são trabalhadores informais e 87% não teriam limite no cartão para comprar um smartphone. Ao garantir o aparelho, o cliente é inserido na economia formal e constrói seu histórico financeiro de forma ética e transparente.
A agenda de inclusão digital no Brasil pelo poder público precisa, portanto, ser recalibrada. Gestores públicos e lideranças de mercado devem integrar, na mesma equação, o avanço da infraestrutura de rede, o acesso a dispositivos e a promoção de modelos de crédito justos.
Promover inclusão significa garantir que o cidadão tenha a ferramenta em mãos, com impacto real em sua vida socioeconômica. Sabemos disso porque 64,1% de nossos clientes relatam aumento de renda após adquirir o dispositivo financiado, e 65,8% utilizou o celular para o crescimento dos negócios.
Para líderes e formuladores de políticas públicas, o desafio é equilibrar inovação com prioridade e direção claras. Afinal, na economia digital, acesso não é apenas conectividade. É uma oportunidade.