Na sexta-feira (6), o ministro Alexandre de Moraes divulgou nota em que argumenta que os arquivos no celular de Daniel Vorcaro repassados à CPMI do INSS indicavam que as mensagens de visualização única atribuídas a um diálogo entre ele e o banqueiro, na verdade, haviam sido com outro interlocutor.
O posicionamento partia do pressuposto de que a fonte da notícia do Globo havia sido a comissão parlamentar. Mas, logo em seguida, o jornal divulgou texto em que desmente o ministro do Supremo (com paywall), argumentando que um software da Polícia Federal é capaz de afirmar com certeza que o diálogo se deu entre Vorcaro e Moraes.
Durante o fim de semana, o ministro mais uma vez viria a público negar uma informação publicada pelo jornal carioca, de que teria visitado a casa de Vorcaro na Bahia.
Na manhã de hoje (9), o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci, pela primeira vez divulgou detalhes sobre o contrato que manteve com o Master até novembro do ano passado, quando o Banco Central decidiu pela liquidação. O texto cita supostas reuniões e a elaboração de documentos que justificariam os R$ 3,6 milhões mensais, registra a Folha de S.Paulo (com paywall).
Alexandre de Moraes costuma reagir quando é pressionado, Flávia Maia escreve na análise que abre esta edição da JOTA Principal. E ele tem armas para tal: o inquérito das fake news, a apuração contra servidores da Receita e até a ADPF das Favelas.
Na classe política, os desdobramentos do Master já fazem surgir a máxima de que “jantar não é crime”. O receio é de uma “epsteinização” do caso, Marianna Holanda relata na nota 3 — de que qualquer um que tenha tido contato com Vorcaro torne-se radioativo, mesmo que não tenha recebido dinheiro ou vantagens.
No governo Lula, especificamente, há ainda a quebra de sigilo de Lulinha e a percepção, em parte da população, de que o Supremo Tribunal Federal atua de forma política para beneficiá-lo. A rodada desta semana da Quaest ajudará a medir os efeitos do caso Master até aqui, Fabio MuraKawa analisa na nota 4.
Boa leitura e boa semana.
1. O ponto central: Cartas nas mangas
Neste momento, não há espaço para qualquer ideia de afastamento do ministro Alexandre de Moraes — ao contrário, Flávia Maia analisa no JOTA PRO Poder.
Uma das estratégias será desacreditar as informações, sustentando que o vazamento foi seletivo e recortado para criar uma narrativa contra ele e atingir o Supremo.
Na esteira de movimentos que podem favorecê-lo, André Mendonça determinou à Polícia Federal que abra investigação sobre quem repassou os dados à imprensa, atendendo a pedido da defesa de Daniel Vorcaro. Leia mais.
Por que importa: O ministro ainda tem em mãos investigações relevantes que podem comprometer muita gente — e que ele sabe usar a seu favor.
Entre elas estão o interminável inquérito das fake news, o das milícias digitais e a recente apuração contra servidores da Receita Federal e do Coaf.
Como relator tampão da ADPF das Favelas, também conduz investigações sobre as milícias no Rio de Janeiro e suas conexões dentro do poder público.
Moraes não tem perfil de ceder — costuma reagir quando é pressionado.
A ofensiva tende a gerar repercussões, especialmente no Congresso.
Um grupo, com integrantes do bolsonarismo e do centro, já está com o ministro na mira e pode intensificar diligências no caso.
Outro setor pode apoiar medidas contra vazamentos: parte do centrão quer frear as investigações.
⏩ Pela frente: Embora Moraes tente se desvencilhar das mensagens, a crise está posta.
Se antes as críticas se concentravam em decisões controversas, agora ultrapassam a esfera jurídica e passam a atingir outro campo — o de possíveis relações não republicanas.
UMA MENSAGEM DO MOVIMENTO BRASIL PELA INOVAÇÃO
17 anos perdidos na burocracia do INPI
Fotomontagem: Gabriella Sales e Ca Aulucci/JOTA
Casos reais mostram o preço da lentidão do Estado quando o assunto é o registro de patentes. Foram quase 17 anos para a concessão da patente para a molécula de polilaminina, com potencial para tratar lesão medular.
A descoberta da pesquisadora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Tatiana Sampaio sofreu com o atraso do INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). Entre o depósito (2008) e a concessão (2025), a pesquisa avançou, mas investimentos, testes e parcerias foram adiados ou reduzidos pela falta de segurança jurídica.
Isso mostra que: quando o Estado atrasa, a janela de exclusividade diminui, o risco sobe e o investidor prioriza outros projetos. A expectativa é de que o PL 5810/2025 corrija essa distorção ao ajustar o prazo de patentes quando a demora é estatal. Por isso, o Movimento Brasil pela Inovação acredita que defender o PL da Inovação é proteger a pesquisa, empregos qualificados e a tecnologia de ponta.
2. Barril de pólvora
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre / Crédito: Andressa Anholete/Senado Federal
Com as atenções dos deputados nesta semana voltadas à janela partidária, o Senado deve será o foco de notícias do Legislativo em meio a CPIs incendiárias e à crise entre Davi Alcolumbre e o governo Lula, Marianna Holanda escreve no JOTA PRO Poder.
O presidente da CPI mista do INSS, Carlos Viana, disse que apresentará amanhã (10) um requerimento de convocação do ministro Flávio Dino, do STF.
É incomum o Parlamento convidar, ainda mais convocar, um ministro da Suprema Corte para falar — e Viana quer que Dino explique a decisão de suspender as quebras de sigilo fiscal e bancária de Lulinha
Se aprovado, o gesto será interpretado no STF como uma afronta, num momento já de tensão entre os Poderes.
Em outra frente, Alcolumbre e Lula se falaram na semana passada, mas o impasse continua.
Há uma insatisfação generalizada do senador, mais agravada pelo avanço das investigações do caso Master pela Polícia Federal.
Aliás… A CPI do Crime Organizado marcou três oitivas para esta semana.
A primeira, amanhã (10), é para ouvir a juíza Vanessa Cavalieri, da Vara de Infância e Juventude do Rio de Janeiro.
Na quarta-feira (11), a expectativa é de que prestem esclarecimentos João Carlos Falbo Mansur, ex-presidente do Conselho de Administração da Reag, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.
Ainda na quarta, os senadores devem analisar 29 requerimentos, entre pedidos de informações, quebra de sigilo e também convite a instituições.
Entre os pedidos está a solicitação do envio de informações do caso do Master que está no STF.
3. ‘Jantar não é crime’
O presidente da Câmara, Hugo Motta / Crédito: Andressa Anholete/Senado Federal
A nova prisão de Vorcaro e o vazamento de mensagens do celular dele fortalecem a tese de que a crise do Master dificilmente vai transcorrer sem deixar baixas no mundo político, Marianna Holanda escreve no JOTA PRO Poder.
Por que importa: Parlamentares e dirigentes partidários, sobretudo do centrão, já preparam uma vacina para o que vier nos próximos vazamentos, num movimento de defesa da classe política.
Eles repetem que jantar não é crime, amizade não significa corrupção e ter contato salvo, então, não significa absolutamente nada.
O temor é de uma “epsteinização” do caso: qualquer um que tenha tido contato com Vorcaro tornar-se radioativo, mesmo que não tenha recebido dinheiro ou vantagens.
Cabe à PF avançar as investigações, que adentrarão o período eleitoral e contaminarão as disputas.
Ainda é difícil mensurar o estrago que isso fará na campanha de quem foi citado até o momento.
⏩ Pela frente: O que foi divulgado até o momento é a ponta do iceberg.
O eleitor comum pode não compreender a teia de fraudes e títulos podres do banco Master, mas já sabe a etiqueta que resume o caso: corrupção.
4. ‘O STF é aliado do governo?’
Lula em evento no Planalto / Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil
A Quaest divulga na quarta (11) uma nova pesquisa de intenções de voto e avaliação do governo Lula.
O levantamento ocorre em meio ao agravamento do escândalo do Master e após a divulgação de dados bancários de Lulinha.
O trabalho de campo começou na sexta (6) e termina hoje (9), com 2.004 entrevistados.
Por que importa: O resultado é aguardado com expectativa no Planalto porque ajudará a mensurar o impacto na popularidade do governo e do presidente, Fabio MuraKawa escreve no JOTA PRO Poder.
O questionário registrado na Justiça Eleitoral inclui perguntas que buscam medir a influência do caso Master no voto e investigar a percepção sobre a relação entre Supremo e governo Lula.
A Quaest irá questionar se o entrevistado concorda com afirmações como “o STF é aliado do governo Lula” e “o STF tem poder demais”.
Embora ainda não tenha atingido o coração do governo, a falta de controle sobre o escândalo do Master tem deixado o Planalto desnorteado.
Integrantes do Executivo ainda não sabem qual estratégia seguir para lidar com as revelações, algo que também ocorre no Congresso e no Supremo.
Nesse sentido, a pesquisa pode ao menos ajudar a dar um norte para a gestão petista.
5. Plenário vazio, bastidor efervescente
O plenário da Câmara / Crédito: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
A Câmara passará a maior parte de março em sistema semipresencial para que os deputados tratem da janela partidária, momento em que podem trocar de partido sem perder o mandato, Marianna Holanda e Mariah Aquino registram no JOTA PRO Poder.
O período vai até a primeira semana de abril.
Por que importa: Na reunião de líderes da última quinta-feira (5/3), ficou definido que nesta semana serão votados apenas projetos da pauta feminina, em homenagem ao mês da mulher e por serem de consenso.
Entre os projetos indicados estão o PL 2.083/22, para impedir agressores de continuar ameaçando vítimas após a condenação; o PLP 4.120/26, que destina R$ 5 bilhões fora do teto ao enfrentamento ao feminicídio; e o PL 821/25, que suspende pensão paga pela vítima a agressores em casos de violência doméstica.
A prioridade dos deputados é destravar as negociações para trocas de partido.
Diante de uma casa esvaziada, discussões da PEC do fim da escala 6×1 e o PLP dos Apps podem ficar prejudicadas.
⏩ Pela frente: A próxima reunião de líderes está prevista apenas para segunda-feira que vem, dia 16, quando será feita uma semana de esforço concentrado para votar projetos indicados pelas bancadas partidárias.
6. Agenda BSB: Lula no Chile e mais
Lula estará na posse do novo presidente do Chile, José Antonio Kast, na quarta (11). A viagem faz parte da estratégia de aproximação e integração regional pragmática e acontece dias após Trump receber líderes da direita da América Latina em Miami, no último sábado (7).
A CCJ da Câmara inicia nesta semana as audiências públicas para discutir o fim da escala 6×1. Amanhã (10), a partir das 14h, o colegiado recebe o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. A PEC 221/19 tramita na comissão sob relatoria do deputado Paulo Azi. Ele também pretende ouvir representantes dos trabalhadores e das empresas, assim como o ministro Fernando Haddad.
Após a primeira reunião presencial acabar sem eleição, o Comitê Gestor do IBS deve se reunir amanhã (10), a partir das 10h, para definir a presidência, o primeiro e segundo vice-presidentes e o diretor executivo do órgão. Segundo interlocutores, o adiamento das eleições se deu por uma quebra de acordo por parte da CNM (Confederação Nacional dos Municípios), que ficaria com o cargo de primeiro vice, mas não apresentou formalmente um candidato durante o encontro. É tido como certa a reeleição do atual presidente do Comitê Gestor, o secretário de Fazenda de Mato Grosso do Sul, Flávio César Mendes de Oliveira, também à frente do Comsefaz. Não há outro candidato para a vaga.