STF foi maior alvo de desinformação no Brasil em 2025, diz Agência Lupa

Uma pesquisa realizada pela Agência Lupa mostra que o Supremo Tribunal Federal (STF) foi o principal alvo da desinformação no Brasil pelo segundo ano consecutivo. A agência de checagem de notícias lança nesta quinta-feira (5/2) o “Panorama da Desinformação no Brasil 2025″, estudo que analisou mais de 1.400 conteúdos virais falsos checados em 2024 e 2025. 

O fato de o Supremo ser a instituição mais citada em conteúdos desinformativos de alcance nacional mostra uma inflexão no cenário de fake news no Brasil. Embora os conteúdos enganosos sigam ancorados na política, seu principal alvo deixou de ser figuras partidárias e passou a ser o Judiciário. 

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Em 2025, a Corte foi citada em pelo menos 58 conteúdos falsos de grande circulação — quatro vezes mais do que a Polícia Federal, segunda colocada, com 14 registros.

Segundo o estudo, “a estratégia preponderante nesse tipo de conteúdo tem sido de ataque direto às instituições, especialmente as do Judiciário”.

De acordo com a pesquisa, o principal tipo de conteúdo enganoso compartilhado ao longo de 2025 foram decisões inexistentes do Supremo, especialmente as relacionadas aos critérios de elegibilidade eleitoral e aos processos judiciais envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. 

“O padrão indica um esforço consistente de desinformação voltado à deslegitimação do Judiciário, com o objetivo de minar a confiança pública em decisões judiciais e no funcionamento das instituições democráticas”, afirma a Agência Lupa. 

O STF também ocupou o topo do ranking da desinformação em 2024, mas, naquele ano, o conteúdo teve maior influência no calendário eleitoral, com a Câmara dos Deputados, o Senado Federal e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vindo logo atrás. 

O fato de o Supremo ter continuado no topo em 2025, que não foi um ano eleitoral, mostra que o ataque ao Judiciário tem sido contínuo, não sazonal, diz a agência. 

“O fato do principal alvo ser o Judiciário indica um esforço sistemático de deslegitimação institucional, que se mantém mesmo fora de períodos eleitorais e exige atenção redobrada, especialmente com a aproximação das eleições de 2026”, afirma a analista da agência Beatriz Farrugia, responsável pela pesquisa. 

Mesmo com o Supremo como principal alvo da desinformação, o fio condutor de boa parte dos textos enganosos continuou sendo a polarização política, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva presente em 36 conteúdos falsos e o ex-presidente Jair Bolsonaro presente em 33. Entre as alegações mentirosas checadas pela agência em 2025, estavam textos dizendo que a primeira-dama Janja teria adquirido uma mansão na Flórida, uma ordem inexistente do ministro Alexandre de Moraes para fechar o Congresso Nacional e até manifestação que nunca existiu do Papa Leão 14 em apoio ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

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Um dos conteúdos com maior repercussão no ano foi a notícia falsa sobre uma taxação do Pix que nunca existiu — a desinformação se espalhou rapidamente no ambiente digital a partir de, pelo menos, sete conteúdos diferentes, diz a pesquisa. 

O estudo também afirma que eventos previsíveis de grande repercussão são o principal gatilho para ondas de desinformação. Entre eles, se destacam a COP30, em Belém, em novembro e a prisão preventiva de Jair Bolsonaro no mesmo mês. 

A previsão da agência para 2026 é que aumente o número de desinformações regionais, uma tendência em anos eleitorais. 

IA e deepfake

O relatório da Agência Lupa também aponta que o uso de IA cresceu cinco vezes entre os conteúdos desinformativos. A ferramenta foi usada em 4,65% dos conteúdos em 2024, porcentual que aumentou para 25,77% em 2025.

A combinação de vídeo deepfake com texto liderou os conteúdos analisados, respondendo por cerca de 41% dos casos. “O audiovisual gera impacto emocional, enquanto o texto ancora e legitima a narrativa falsa”, diz a análise da agência.

A principal ferramenta de compartilhamento de boatos no ano foi o WhatsApp, seguido pelo Facebook. Já o X saiu do ranking das dez principais plataformas, enquanto o Kwai passou a integrar a lista.

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