Foco da CPMI do INSS no caso Banco Master são os consignados, diz relator

O relator da comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) que investiga os descontos indevidos em benefícios do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que a apuração envolvendo o Banco Master se concentra exclusivamente nos empréstimos consignados oferecidos pela instituição financeira, e não em eventuais processos de liquidação ou na compra do banco pelo BRB.

Em entrevista ao JOTA, Gaspar explicou que a atuação do Banco Master entrou no radar da CPMI a partir de indícios de irregularidades nos consignados vinculados a benefícios previdenciários. Por esse motivo, a comissão convocou o ex-CEO da instituição Augusto Ferreira Lima para prestar esclarecimentos.

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“A questão do Banco Master, relacionada à CPMI, diz respeito aos consignados. Então, essa questão de liquidação, seja lá o que for isso aí, essa parte da compra do BRB, isso aí não faz parte do escopo da CPMI. O que faz parte do escopo da CPMI é a questão do consignado”, afirmou.

O relator reforçou que o relatório final da comissão não poupará nenhum dos citados nas investigações. Segundo ele, todos os políticos mencionados no escândalo dos descontos indevidos deveriam comparecer à CPMI para prestar esclarecimentos sobre eventual envolvimento.

“Por mim, ninguém será poupado no relatório, não pouparei ninguém. Agora, a CPMI é um colegiado. Se vai haver ou não aprovação desses nomes, eu não tenho como dar essa resposta, mas acredito, e assim penso, que todos os políticos que foram citados deveriam ir à CPMI para prestar esses esclarecimentos”, disse.
Alfredo Gaspar afirmou ainda esperar que volte à pauta da comissão a convocação de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com o portal Poder360, Lulinha recebia uma “mesada” de R$ 300 mil de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, segundo depoimento de Edson Claro, ex-funcionário de Camilo.

“Nós temos o cenário em que o próprio filho de um presidente da República tem uma aproximação com o principal operador financeiro desses roubos, que é o Careca do INSS. Além disso, há indicativos aí de membros da classe política e empresários de grande porte e a corrupção quase que generalizada dentro do sistema de previdência”, afirmou o relator.

Com receio de que Lulinha deixe o país antes da conclusão das investigações, deputados e senadores da oposição que integram a CPMI do INSS protocolaram no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de imposição de medidas cautelares contra o filho do presidente. Entre as medidas solicitadas estão o uso de tornozeleira eletrônica e a apreensão do passaporte.

Segundo Gaspar, há uma blindagem intensa no Congresso Nacional para proteger pessoas envolvidas no escândalo, incluindo presidentes de bancos e dirigentes de instituições financeiras. Apesar disso, ele disse esperar avanços nas investigações sobre a ligação de entidades com os descontos indevidos em benefícios previdenciários.

Políticos citados

O senador Weverton Rocha (PDT-MA) foi alvo de uma nova fase da Operação Sem Desconto. De acordo com as investigações, o parlamentar mantinha vínculos com o “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquema de descontos ilegais.

O deputado federal Euclydes Pettersen Neto (Republicanos-MG) também foi alvo das apurações da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU). Ele teria vendido um avião a uma das entidades envolvidas no escândalo.

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A expectativa é que a CPMI do INSS retome os trabalhos em fevereiro, com calendário ainda a ser divulgado. A previsão do deputado de Alagoas é apresentar o relatório final até março, prazo final de funcionamento da comissão. Segundo ele, há assinaturas para um pedido de prorrogação dos trabalhos, mas a avaliação é de que a solicitação não deve prosperar.

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