Banco Central decreta liquidação da Reag Investimentos, envolvida no caso Master

O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira (15/1) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Investimentos. De acordo com a autoridade monetária, a liquidação foi motivada por “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN)”. Em relatório enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU), o BC informou que fundos administrados pela Reag estruturaram operações fraudulentas com o Banco Master entre julho de 2023 e julho de 2024.

A autoridade monetária informou que as operações da gestora estavam em desacordo com normas do SFN, apresentando falhas graves de gestão de risco, crédito e liquidez. Em nota, o Banco Central não detalha quais condutas considera irregulares.

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Com a liquidação extrajudicial, as operações da gestora são interrompidas. Apesar da medida atingir a instituição, os fundos de investimento geridos permanecem ativos, mas precisarão ser assumidos por novas instituições. A Reag atuava na administração e gestão de mais de 80 fundos, além de prestar serviços de gestão patrimonial a pessoas físicas. A gestora integra um grupo que reúne outras companhias não alcançadas pela medida.

O BC afirmou ainda que “continuará adotando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades” e que o resultado das apurações “poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e ao encaminhamento de comunicações às autoridades competentes”.

Operação Compliance Zero

A medida é decorrente da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga irregularidades no sistema financeiro e envolve nomes ligados ao mercado financeiro. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A investigação detectou que havia captação de dinheiro, aplicação em fundos e desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e parentes.

Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na investigação sob relatoria do ministro Dias Toffoli. O relator determinou o sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. Ao todo, foram cumpridos 42 mandados nos estados de São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

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Entre os alvos da operação está João Carlos Mansur, fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, e o investidor Nelson Sequeiros Tanure, que tiveram seus endereços submetidos a mandados de busca e apreensão na quarta-feira (14/1). Também foi preso de forma temporária o cunhado de Vorcaro, Fabiano Campos Zettel.

Na operação, a Reag é investigada pela suposta atuação no esquema de fraudes financeiras do Banco Master. A gestora teria envolvimento na estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro.

Gestora foi investigada na megaoperação Carbono Oculto

A Reag também foi uma das empresas investigadas na megaoperação Carbono Oculto, deflagrada contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) em oito estados. A investigação tinha como alvo um esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, atribuído a integrantes da facção. Na ocasião, a gestora foi acusada de gerir fundos de investimentos utilizados pelo PCC para lavagem de dinheiro.

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