A bronca de Toffoli na PF no caso do Banco Master

O ministro Dias Toffoli deixou clara a sua insatisfação com a demora da Polícia Federal em cumprir uma determinação sua no caso do Banco Master. A bronca tomou ares formais e o magistrado deu 24 horas para que Andrei Rodrigues, o diretor-geral da PF, informe a razão do descumprimento do prazo determinado na ordem judicial pela corporação. Aqui, parece mais uma tentativa para que o diretor-geral coloque um freio em seus subordinados do que, propriamente, algo relacionado à figura de Andrei.

Outro ponto que chama a atenção para a tensão entre a PF e o ministro é a determinação para que todos os bens e materiais apreendidos do caso Master – tanto das decisões anteriores quanto da operação desta quarta-feira (14) – sejam levados lacrados para o STF e fiquem acautelados no prédio da corte. A justificativa é a preservação das provas. Mas o STF tem infraestrutura para armazenar bens como carros e dinheiro em espécie?

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Na decisão que culminou na prisão temporária do cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Toffoli reclama de “falta de empenho” da PF no cumprimento da ordem judicial e diz que a falta de atitude pode resultar em “prejuízo e ineficácia” na investigação. Segundo Toffoli, existem “fartos indícios” das práticas criminosas.

O calendário que incomodou o ministro é o seguinte: as medidas cautelares foram requeridas pela PF no dia 6 de janeiro e deferidas no dia 7. Toffoli ordenou que a operação ocorresse em 24 horas a partir da última segunda-feira (12). No entanto, a operação só ocorreu nesta quarta e um dos alvos, Fabiano Campos Zettel, estava tentando embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes, no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

O magistrado também questiona o fato da PF ter pedido novas providências apenas no dia 13 de janeiro, às 19h13, diante da informação da viagem de Zettel para Dubai e do investidor Nelson Tanure para Curitiba. Ou seja, depois do prazo que ele havia determinado a operação.

Na decisão da operação desta quarta, Toffoli diz que se as medidas investigativas fossem frustradas, a culpa seria da “inércia” da PF. E que a responsabilidade seria da autoridade policial, “diante de INOBSERVÂNCIA EXPRESSA E DELIBERADA DE DECISÃO POR MIM PROFERIDA NA DATA DE 12.01.2026, QUE DETERMINOU A DEFLAGRAÇÃO DA PRESENTE FASE NO PRAZO DE 24 HORAS”, escreveu o magistrado em caixa alta.

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O JOTA procurou a PF sobre as queixas de Toffoli, mas não recebeu retorno.

Neste momento, o certo é que Toffoli deixou transparecer que no caso do Master não há sintonia entre PF e STF. Ao reclamar dos prazos, de alguma forma, o ministro se protege também da alegação de que a operação é uma resposta às publicações na imprensa. E mais: cria um desafio para o novo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, o de melhorar essa relação.

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