Lula escolhe advogado da Petrobras para o Ministério da Justiça

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) bateu o martelo e escolheu Wellington César de Lima e Silva para comandar o Ministério da Justiça e Segurança Pública, encerrando semanas de especulações no Planalto. A decisão reforça a aposta de Lula em um perfil jurídico de confiança pessoal, com trânsito político e experiência institucional, num momento em que a pasta combina alta exposição política, pressão do Congresso e desafios crescentes na área de segurança.

Wellington César é hoje advogado da Petrobras. Ao suceder Ricardo Lewandowski, ele assume a missão de administrar uma pasta pressionada por crises de segurança pública, relação com governadores, enfrentamento ao crime organizado e a sempre delicada interface com o Judiciário e o Congresso.

Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas

Sua escolha também carrega peso político: ele é próximo do núcleo baiano do PT, com boa relação com nomes como Rui Costa e Jaques Wagner, e visto no Planalto como alguém capaz de reduzir ruídos internos e externos em um ano pré-eleitoral.

A nomeação sinaliza menos uma guinada de política e mais uma aposta no controle jurídico e na previsibilidade institucional. Em vez de um perfil midiático, Lula opta por um ministro de bastidor, moldado na lógica do direito e da articulação silenciosa.

Wellington César também tem trânsito com ministros do STF, um atributo importante, no momento em que Lewandowski deixa o governo e o presidente também indicará Jorge Messias, hoje na AGU, para o Supremo. Assim, o novo ministro da Justiça será a principal ponte com a Corte.

Nascido em Salvador, o procurador de Justiça aposentado do Ministério Público da Bahia, de 59 anos, formou-se em direito pela Universidade Federal da Bahia no fim dos anos 1980 e ingressou no MP baiano em 1991.

Sua trajetória no Ministério Público foi marcada pela atuação na área criminal e pela capacidade de articulação institucional, atributos que o levaram a chefiar o órgão por dois mandatos como procurador-geral de Justiça da Bahia, entre 2010 e 2014, indicado a partir de lista tríplice pelo então governador Jaques Wagner.

A projeção nacional veio em 2016, quando foi nomeado ministro da Justiça no governo Dilma Rousseff. A passagem, no entanto, foi curta. À época, o STF decidiu que membros do Ministério Público não poderiam ocupar cargos no Poder Executivo sem se desligar da carreira, o que levou Wellington César a deixar o ministério poucos dias depois da posse.

O episódio o tornou personagem de um precedente jurídico relevante, mas não interrompeu sua circulação nos bastidores de Brasília.

No terceiro mandato de Lula, Wellington César retornou ao centro do poder como secretário especial para Assuntos Jurídicos da Presidência da República. No cargo, passou a despachar diretamente com o presidente e com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, sendo responsável pela análise jurídica de decretos, vetos e atos sensíveis do Executivo, além da interlocução com o Congresso e outros órgãos do sistema de Justiça.

Assine gratuitamente a newsletter Últimas Notícias do JOTA e receba as principais notícias jurídicas e políticas do dia no seu email

No Planalto, construiu a imagem de operador técnico, discreto e avesso a protagonismo público, mas com influência real no desenho jurídico das decisões do governo.

Em 2024, Lula o deslocou para outro posto estratégico: a advocacia-geral da Petrobras, onde Wellington César passou a cuidar do contencioso e da blindagem jurídica da maior estatal do país.

A movimentação foi lida, à época, como mais um sinal de confiança presidencial e de valorização de um quadro capaz de operar em ambientes politicamente sensíveis e juridicamente complexos.

Generated by Feedzy