A União Europeia aprovou nesta sexta-feira (9/1) o acordo comercial com o Mercosul, após 25 anos de negociações entre os dois blocos econômicos. Apesar da crise vivida pela América do Sul após o ataque militar e as intervenções políticas e econômicas na Venezuela por parte do presidente dos EUA, Donald Trump, a aprovação do acordo comercial deve trazer ainda mais atratividade para o Mercosul, na avaliação de fontes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Há a possibilidade de o acordo ser assinado na próxima segunda-feira (12/1).
Na véspera de Bruxelas anunciar finalmente sua chancela ao entendimento, a despeito das críticas da França, que votou contra, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, já havia telefonando para o presidente Lula, confirmando sua vinda ao Brasil em abril para acelerar as negociações com o Mercosul.
O mesmo interesse já foi manifestado pelo Reino Unido, que, com o Brexit, ficou fora do entendimento com os países europeus, e com o Japão. Na avaliação de pelos menos três fontes de alto escalão do governo brasileiro, o entendimento que cria o maior mercado de livre comércio do mundo aumenta o “rating” do Mercosul e dará nova tração às negociações em curso.
A assinatura ocorreu depois de a Comissão Europeia acenar com benefícios a produtores rurais. A decisão de chancelar o acordo representou, na avaliação de diplomatas europeus, um gesto político importante diante da política externa dos EUA. Os países envolvidos poderão, agora, firmar o acordo a partir da próxima segunda-feira (12/1), a depender das agendas.
Oposição da França
Uma dia antes, na quinta-feira (8/1), sob pressão de manifestações de produtores com seus tratores em Paris, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que votaria contra o entendimento negociado. Dito e feito. A França e a Polônia foram até aqui os maiores críticos do acordo. No entanto, respaldo da Itália, esses países ficam sem os votos suficientes para impedi-lo. Para que fosse aprovado, era necessária uma maioria qualificada de 15 dos 27 países da UE, representando 65% da população do bloco.
Entre diplomatas experientes que acompanharam a construção do acordo, a França admite a portas fechadas que o entendimento é de seu interesse. Mas criou, nos últimos tempos, uma narrativa tão antagônica que se tornou difícil contorná-la diante da opinião pública sem prejuízo à própria imagem. O país vive uma crise política, já com foco na eleição presidencial de 2027, para a qual a direita aparece em vantagem.
Na terça-feira (6/1), para viabilizar o entendimento e convencer os reticentes sobre a importância da criação do maior mercado de livre comércio do mundo, a Comissão Europeia anunciou o desbloqueio de fundos para o setor. Macron reconheceu o que chamou de “inquestionável avanço”, mas ainda assim afirmou que votaria contra o acordo.