O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta sexta-feira (9/1) que a inflação acumulada em 2025 foi de 4,26%, a menor alta anual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desde 2018 — quando fechou em 3,75%. A cifra ficou acima da meta de 3%, mas abaixo do teto de 4,5%.
Em 2024, o IPCA havia fechado em 4,83%, acima do teto da meta, com a inflação de alimentos em domicílio — 8,23% ao longo de 12 meses — pressionando o índice global para cima. Em 2025, a inflação desse grupo desacelerou para 1,43% em 12 meses, o que se refletiu no resultado do IPCA.
A variação da inflação de dezembro de 2025 ficou em 0,33%. Apesar de corresponder a uma alta comparado aos meses de novembro (0,18%) e outubro (0,09%), responde também à menor variação para o mês desde 2018 (0,15%). No mesmo mês de 2024, a variação foi de 0,52%.
A alta acumulada de 4,26% vai contra as projeções do mercado financeiro ao longo do ano passado. Um levantamento divulgado em janeiro de 2025 pelo Banco Central no Boletim Focus, relatório com o resumo das expectativas de mercado a respeito de alguns indicadores da economia brasileira, mostrou que a previsão era de que a inflação fechasse o ano em 4,99%. Em março, o relatório apontou que a expectativa era que o ano encerrasse com inflação de 5,68%. Em julho, a projeção foi reduzida para 5,10%, seguida por 4,56% em outubro e 4,33% em dezembro.
O IPCA de 2025 é o quinto menor para um ano-calendário desde o início do Plano Real. Valores inferiores a 4,26% foram observados em 1998 (1,65%), 2017 (2,95%), 2006 (3,14%) e 2018 (3,75%).
Meta contínua de inflação
Cabe destacar, porém, que 2025 foi o primeiro ano em que o Banco Central passou a perseguir a meta de inflação de maneira contínua, abandonando o ano-calendário como referência. Nesse método, leva-se em conta o IPCA acumulado nos últimos 12 meses na análise mensal do índice de preços. O objetivo é descumprido quando a inflação acumulada permanece por seis meses seguidos fora do intervalo de tolerância de 1,5%. Como o centro da meta é 3%, o piso é de 1,5% e o teto, de 4,5%.
Com isso, o Banco Central estourou a meta contínua pela primeira vez em junho de 2025, após o IPCA acumulado estourar o teto da meta por seis meses seguidos. A partir de novembro do ano passado, porém, o índice voltou a ficar abaixo do teto.
Inflação em mandatos presidenciais
Desde que o regime de metas para inflação entrou em vigor, o menor resultado acumulado em um mandato presidencial ocorreu sob o segundo ciclo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Presidência. No acumulado de 2006 a 2010, o IPCA foi 22,21%.
1995-1998 (FHC 1) – 43,46%
1999-2002 (FHC 2) – 39,88%
2003-2006 (Lula 1) – 28,2%
2007-2010 (Lula 2) – 22,21%
2011-2014 (Dilma 1) – 27,03%
2015-2018 (Dilma 2/ Temer) – 25,64%
2019-2022 (Bolsonaro) – 26,93%
Em 2023, primeiro ano do terceiro mandato de Lula, a inflação acumulada fechou em 4,62%. Em 2024, o índice ficou em 4,83%. Em 2025, 4,26%. De acordo com o Boletim Focus divulgado na última segunda-feira (5/1), a expectativa do mercado para 2026 é de alta acumulada de 4,06%, também abaixo do teto da meta. Assim, caso essa expectativa se confirme, o IPCA acumulado ao longo de quatro anos ficará em torno de 19%, o menor índice em um mandato presidencial desde o início do Plano Real.
Para os anos seguintes, a projeção de inflação para 2027 segue estável em 3,8% há nove semanas, e a projeção para 2028 permanece em 3,5%, também sem alterações no mesmo período.