A ausência do nome do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na lista de ministros que devem deixar o governo para concorrer às eleições pode ser temporária. A quem pergunta, Padilha tem dito que permanecerá no cargo até o fim do terceiro mandato do presidente Lula – como se comprometeu em 2025, quando assumiu o posto até então ocupado por Nísia Trindade.
Mas há quem avalie que o panorama pode mudar até abril, data limite para a saída do posto. Um dos pontos que podem pesar na balança seria a importância de o ministro manter um mandato no Legislativo a partir de 2027. E, ainda, a velocidade nas entregas da área de saúde, que têm potencial para reforçar tanto a popularidade de Lula quanto a do próprio Padilha.
Desde que assumiu, Padilha procura aumentar a visibilidade do ministério. O esforço é melhorar a percepção que a população tem sobre o SUS e sobre a atuação do governo Lula nesta área. Uma rápida análise na agenda de anúncios mostra a importância que a equipe dá à visibilidade.
Na primeira semana do ano, o ministro participou, juntamente com diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do anúncio da aprovação de estudos clínicos da polilaminina em pacientes com paraplegia e tetraplegia. No Planalto, ao lado de Lula e da presidente do Banco dos Brics, Dilma Rousseff, participou da cerimônia de liberação de recursos para projeto de hospitais inteligentes, uma iniciativa que vem sendo trabalhada – e divulgada – desde meados do ano passado.
Há outros eventos previstos no calendário, vários com forte apelo eleitoral. Um dos destaques é a ampliação das carretas de atendimento, estratégia que compõe o Agora Tem Especialistas. Até agora, 40 destes serviços estão em funcionamento. A meta é ampliar para 150 até o fim do ano. No cronograma deste mês, duas entregas estão programadas.
Estes veículos adaptados são usados para realizar exames, principalmente oftalmológicos e ginecológicos e procedimentos mais simples. Os serviços móveis permanecem nas cidades por 30 dias, período que idealmente é usado para fazer exames, encaminhar ou realizar diretamente os procedimentos e, numa outra etapa, fazer a consulta de controle.
Os locais são escolhidos pelo Comitê Gestor do Agora Tem Especialistas. Profissionais de saúde que atuam nas carretas são contratados pelas empresas que fornecem as carretas. Este atendimento itinerante, que em certa medida se aproxima de mutirões, enfrenta em parte resistência em regiões governadas por políticos de oposição, justamente pelo impacto entre eleitores.
A meta, contudo, é tentar impulsionar o atendimento também nestas áreas, usando o argumento de que a melhoria no atendimento pode beneficiar também gestores locais
Haverá ainda o esforço de se ampliar as entregas do Agora Tem Especialistas, uma promessa de Lula quando ainda estava em campanha para a Presidência em 2022. Há uma percepção de que os números do programa precisam evoluir, sobretudo com a participação do setor privado – algo que não aconteceu com a velocidade inicialmente imaginada.
Outra aposta de destaque é a vacinação contra a dengue. As primeiras doses da vacina produzida pelo Instituto Butantan devem chegar em janeiro a três municípios escolhidos para ter vacinação para profissionais de saúde e na população entre 15 e 59 anos: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG).
A expectativa é a de que, com a parceria de transferência com a empresa chinesa WuXi Vaccines e consequente ampliação da capacidade de produção, a imunização seja feita em outras partes do país. Paralelamente, a vacina produzida pela Takeda será fornecida para público entre 10 e 14 anos.
Epidemias de dengue, além do efeito devastador para população e para o país, têm elevado potencial de desgaste para governantes. Os números da doença em 2025, embora não sejam tão assustadores quanto os de 2024, continuam perturbadores. Ano passado, foram 1,7 milhão de casos prováveis, com 1.776 óbitos confirmados e outros 207 aguardando confirmação. Os indicadores são maiores do que os registrados em 2023.
Os reflexos da imunização contra a doença podem não ser imediatos. Mas a vacinação, ao lado do uso de tecnologias como Wolbachia, pode ser um contraponto num eventual uso do tema no debate eleitoral.