O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta quarta-feira (7/1), a criação da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão. A iniciativa busca o uso de infraestrutura de saúde integrada a tecnologias digitais e inteligência artificial para otimizar processos e aprimorar os resultados clínicos dos pacientes.
“O projeto significa transferência de tecnologia, fazer parcerias de empresas chinesas, indianas e de outros países com empresas brasileiras para atualização tecnológica”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O projeto estrutura-se em três eixos centrais: a implementação de 14 UTIs inteligentes em 13 estados (Amazonas, Pará, Piauí, Ceará, Pernambuco, Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul); a construção do primeiro hospital inteligente do SUS voltado para urgência e emergência no Instituto Tecnológico da Universidade de São Paulo (USP); e a modernização de hospitais de excelência já existentes.
De acordo com Padilha, os 13 estados selecionados para integrar a rede de UTIs inteligentes foram escolhidos por terem grandes populações e apresentarem alto impacto nos serviços de saúde. O ministro afirmou que essas unidades federativas demonstram maior adesão e execução do programa Agora tem Especialistas, sendo consideradas decisivas para a estratégia de redução do tempo de espera por atendimento. Além do critério técnico, a escolha buscou garantir a representatividade das cinco regiões do país, priorizando hospitais considerados chaves para o cuidado de urgência e emergência em seus respectivos territórios.
Para viabilizar financeiramente a rede, foi assinado um acordo de cooperação com o Banco do Brics. O cronograma de financiamento estabelece o repasse de R$ 420 milhões no primeiro ano, R$ 870 milhões no segundo, R$ 440 milhões no terceiro e R$ 30 milhões no quarto ano. O empréstimo total com o Banco dos BRICS será de R$ 1,7 bilhão para o financiamento do projeto piloto no hospital inteligente da Universidade de São Paulo (USP). A unidade contará com um departamento de emergência integrado com tecnologia 5G, 250 leitos de emergência, 350 leitos de UTI conectada e 25 salas cirúrgicas. A construção será executada pelo governo federal com o recebimento da primeira parte dos recursos ainda em 2026.
Segundo o ministro da Saúde, a previsão é de que as obras sejam concluídas entre três ou quatro anos.
Para os demais hospitais, o financiamento será de R$ 34 milhões em uma rede de UTIs nas cinco regiões do país, com foco inicial em cardiologia e neurologia. Já o eixo de modernização prevê R$ 1,2 bilhão para a reestruturação dos hospitais federais do Rio de Janeiro e R$ 206 milhões, via Novo PAC, para a construção do novo Hospital da Unifesp, com 326 leitos. A execução neste caso será por repasse direto do Ministério da Saúde para os estados e municípios responsáveis pelas unidades, incluindo hospitais universitários federais vinculados ao Ministério da Educação.
Segundo Padilha, o governo iniciou o diálogo com as secretarias de saúde no segundo semestre do ano passado e a expectativa é que algumas dessas UTIs já estejam modernizadas ainda em 2026.
O governo espera que a rede otimize fluxos de trabalho, reduza erros de diagnóstico e auxilie na diminuição dos custos operacionais. Segundo Padilha, a tecnologia aplicada permite reduzir em mais de cinco vezes o tempo de espera por atendimento especializado em situações de urgência e emergência. As unidades também devem atuar como Centros Nacionais de Pesquisa e Inovação, promovendo a integração de equipamentos, sistemas de informação e a capacitação de equipes de gestão e assistência.
Durante a cerimônia, o presidente Lula pediu celeridade na liberação e execução de recursos. “Espero que esse anúncio que estamos fazendo aqui, de hospitais inteligentes, signifique que façamos coisas inteligentes também aqui em Brasília”.
Em entrevista ao JOTA publicada na segunda-feira (5/1), a direta da Anvisa Daniela Marreco Cerqueira afirmou que a agência analisa como será o modelo de regulação destas unidades.