Levantamento do Instituto França, realizado em todo o estado de São Paulo entre 24 e 28 de dezembro, com 1.700 entrevistas por telefone, aponta que o eleitorado paulista segue como um obstáculo central para a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e amplia peso político do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no tabuleiro nacional. Embora lidere o recall e apareça à frente em alguns cenários estimulados, o presidente enfrenta forte pressão de adversários da direita e desempenho inferior ao registrado no plano nacional. A pesquisa tem margem de erro de 2,4 pontos percentuais e nível de confiança de 95% para as estimativas gerais.
No voto espontâneo —em que o eleitor responde sem receber lista de nomes —apenas três candidatos superam 5% das intenções de voto em São Paulo: Lula lidera com 16,4%; o governador Tarcísio de Freitas aparece com 10,4%; Flávio Bolsonaro (PL), alçado pelo pai no início de dezembro para a disputa ao Palácio do Planalto, soma 9,0%. Os demais nomes ficam abaixo desse patamar, enquanto 44,3% dos entrevistados se declaram indecisos, sinalizando que a disputa presidencial ainda não está cristalizada, em contraste com o cenário estadual, onde as preferências do eleitorado já se mostram mais definidas.
Disputa presidencial em São Paulo
Nos cenários estimulados, Tarcísio é o nome mais forte contra Lula no estado. No confronto direto entre os dois, o governador lidera com 50,6%, contra 37% do presidente, uma vantagem superior a 13 pontos percentuais, acima da margem de 10,5 pontos registrada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre Lula no estado em 2022. O dado sugere que Tarcísio não apenas herda o voto antipetista em São Paulo, como também consegue ampliá-lo marginalmente.
No confronto contra Flávio Bolsonaro, o filho mais velho do ex-presidente aparece numericamente à frente de Lula, com 41% contra 39,5%, resultado que configura um empate técnico, já que a margem de erro da pesquisa é de 2,4 pontos percentuais para ambos os lados. Nas entrelinhas, o cenário mostra que, embora menos competitivo do que Tarcísio, Flávio mantém viabilidade eleitoral em São Paulo, amparado pelo peso do antipetismo e pela base bolsonarista ativa no estado.
Pela frente
Na avaliação de Willan França, diretor do instituto, a pesquisa indica que, no maior colégio eleitoral do país, o rumo da disputa presidencial tende a depender menos de uma recuperação de Lula e mais da capacidade da direita de se organizar em torno de um nome viável. O presidente segue competitivo em São Paulo, mas em posição vulnerável, beneficiado sobretudo pela fragmentação dos adversários. Entre todos os nomes testados hoje na pesquisa, Tarcísio é o único capaz de vencer Lula com margem confortável no estado, embora esteja fora da corrida presidencial.
As simulações mostram que, sempre que surge um nome da direita com forte capacidade de unificação, o presidente perde terreno. O risco para Lula é enfrentar, em 2026, um adversário que consiga herdar o eleitorado antipetista paulista de maneira organizada, reduzindo drasticamente sua margem de manobra no maior colégio eleitoral do país.
Para Tarcísio, os números da pesquisa reforçam seu papel como principal fiador eleitoral da direita no estado. Mesmo fora da disputa presidencial, ele aparece como o único nome capaz de derrotar Lula com folga, o que o transforma em ativo estratégico para qualquer projeto oposicionista nacional. Esse protagonismo aferido hoje também embute um risco: sua presença —ou ausência —tem potencial para reorganizar o tabuleiro eleitoral paulista ou, no sentido oposto, reduzir a viabilidade de candidaturas que ignorem o papel do governador no maior colégio eleitoral do país.