Brasil e Caribe: Uma conexão estratégica ainda subexplorada

O ambiente econômico internacional vive uma reorganização silenciosa: empresas reavaliam riscos geopolíticos, cadeias de suprimento buscam redundância e governos competem por hubs regionais de produção. Nesse cenário, o Caribe — muitas vezes percebido apenas como destino turístico — vem adquirindo novo protagonismo como espaço de integração produtiva e logística. E esse movimento abre perspectivas promissoras também para o Brasil.

A República Dominicana consolidou-se como um dos principais polos de nearshoring do hemisfério, com zonas francas que exportam dispositivos médicos, tecnologia, bens industriais e produtos de alta complexidade. O país reúne estabilidade macroeconômica, segurança jurídica, modernização regulatória, acesso preferencial aos Estados Unidos e à União Europeia e uma posição geográfica altamente competitiva.

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Nesse contexto, o intercâmbio comercial Brasil–RD tem espaço para crescer muito mais. Para uma economia brasileira que busca diversificar mercados, expandir cadeias de valor e ampliar a presença internacional de suas empresas, o Caribe surge como um corredor natural para a internacionalização, a redução de custos logísticos e o acesso facilitado aos principais mercados do Atlântico.

O Brasil, por sua vez, oferece ao Caribe exatamente o que a região demanda: proteínas, equipamentos, energias renováveis, tecnologia agrícola tropicalizada, manufaturas, expertise em infraestrutura e soluções industriais. Trata-se de uma complementaridade econômica clara, que favorece uma integração mais profunda e mutuamente benéfica.

A consolidação desse potencial passa por aproximação empresarial contínua, por mesas público–privadas e por iniciativas de cooperação que permitam transformar afinidades econômicas em resultados concretos. Não se trata de apontar lacunas, mas de reconhecer que há espaço — e interesse — para ampliar esforços conjuntos.

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Incluir o Caribe no horizonte de diversificação comercial do Brasil não é uma questão de nostalgia geopolítica, mas de racionalidade econômica. A região combina demanda crescente, regras claras, estabilidade e conexões privilegiadas com mercados estratégicos nos quais o Brasil já busca ampliar sua participação.

A oportunidade está posta. Transformá-la em política de Estado — para ambos os lados — é o passo natural para elevar essa relação ao patamar que ela pode alcançar.

As opiniões expressas são estritamente pessoais e não representam posições do Estado Dominicano.

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