O ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques foi preso no Aeroporto Internacional de Assunção, no Paraguai, em uma tentativa de fuga, na madrugada desta sexta-feira (26/12). Segundo fontes consultadas pelo JOTA, ele tentava embarcar em um voo para El Salvador e teria rompido a tornozeleira eletrônica que usava. Diante da tentativa de fuga, Moraes decretou a prisão preventiva.
Há dez dias, Vasques foi condenado pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 24 anos e 6 meses de prisão em regime inicial fechado por participar de uma tentativa de golpe de estado para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder. Contudo, como o processo ainda não foi concluído (sem trânsito em julgado), ele ainda não havia sido preso.
O ex-líder da PRF foi acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de usar a corporação para operacionalizar a tentativa de golpe, como as blitzes em rodovias no 2º turno eleitoral posicionadas em cidades com maior percentual de votos para o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Em julho, durante as oitivas no STF, ex-chefe da PRF negou policiamento direcionado durante segundo turno das eleições de 2022.
Vasques chegou a ficar preso de forma preventiva entre agosto de 2023 e agosto de 2024. No entanto, a prisão foi revogada pelo ministro Alexandre de Moraes com imposição de medidas cautelares como uso de tornozeleira eletrônica e cancelamento de passaportes.
Segundo relatório da Polícia Federal enviado ao STF, o sinal da tornozeleira foi perdido por volta das 3h do dia 25 de dezembro e assim permaneceu até 13h do mesmo dia. Por volta de 23h, uma equipe de policiais da Superintendência Regional da Polícia Federal em Santa Catarina foi acionada para verificar o descumprimento das medidas restritivas.
Os policiais não encontraram nem Silvinei, nem o carro cadastrado no condomínio. Por meio de imagens, viram que ele esteve no condomínio no dia anterior, onde usava um outro carro, de locadora. As imagens do circuito interno mostram ele colocando ração, tapete higiênico, comedouro e bolsas no carro alugado. Como a porta do apartamento estava trancada, os policiais não conseguiram verificar se a tornozeleira eletrônica estaria no seu interior.
“Dessa forma, pode-se afirmar que o Réu esteve no local pelo menos até as 19h22min do dia 24/12/2025, quando não foi mais visto entrando ou saindo de carro. Pela sequência de imagens, às 19h06 aproximadamente ele colocou bolsas no porta-malas do carro (não eram malas); novamente, aproximadamente às 19h14min colocou mais coisas no banco de trás (inclusive ração e muitos sacos de tapete higiênico para cães), pelo lado do passageiro; e, aproximadamente às 19h22min, foi para o carro carregando potes comedouros (para ração) e conduzindo um cachorro (aparentando ser da raça pitbull), e saiu”, diz um trecho do relatório da PF que está na decisão de Moraes.
Silvinei Vasques foi condenado pelos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado por violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, além de deterioração de bem tombado.
O advogado de Vasques na ação penal da tentativa de golpe (AP 2693), Eduardo Simão, informou que tomou conhecimento na manhã desta sexta-feira (26/12) da prisão e que não tinha detalhes do ocorrido. Informou que um advogado paraguaio está atuando no caso.
Ao todo, o Supremo já condenou 29 dos 31 denunciados – entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro e os generais Braga Netto e Augusto Heleno. Foram absolvidos Fernando de Sousa Oliveira e o general Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira por falta de provas. Ainda está pendente de análise do STF a denúncia do blogueiro Paulo Figueiredo, que está nos Estados Unidos.