Will Bank, banco digital do Master, fica de fora da liquidação diante de planos de venda

O braço digital do Banco Master, o Will Bank, não foi afetado pela liquidação extrajudicial do Conglomerado Master, decretada pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (18/11). Em comunicado, a autoridade monetária afirmou que o Master Múltiplo, controlador do Will Bank, não entrou na liquidação diante de “possibilidade concreta de solução” que preservaria seu funcionamento. Segundo apurou o JOTA, essa possibilidade concreta de solução seria a venda do braço digital.

O Master Múltiplo, que controla a Will Financeira, responsável pelo Will Bank, foi submetido ao Regime Especial de Administração Temporária (Raet). Neste tipo de regime, a administração da instituição é transferida para um terceiro até que ela se recupere da crise.

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“No Raet você troca os gestores do banco, mas você segue com as atividades normais. Então você pode continuar processos de compra e venda dos ativos que há debaixo da instituição”, disse ao JOTA Luiz Fabiano Saragiotto, sócio da Journey Capital, que possui um braço de assessoria para reestruturação de passivos e consultoria financeira. O Reat do Master Múltiplo terá duração de até 120 dias, conforme ato assinado pela presidência do BC.

Na última semana, veículos como Veja e Valor Econômico anunciaram que a compra do Will Bank pela Mubadala, gestora do fundo soberano de Abu Dhabi, estava prestes a se concretizar. A alienação dos ativos para o fundo árabe aliviaria a sobrecarga do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), uma vez que, segundo o próprio Will Bank, todo o valor investido na instituição é protegido pelo FGC, respeitado o limite normativo de R$ 250 mil por investidor.

Há rumores de que as tratativas de venda do braço digital foram pausadas em meio à liquidação do Conglomerado Master e à prisão de seu diretor, Daniel Vorcaro, na segunda-feira (17/11). A possibilidade de venda ainda é viável mesmo que controladores ou diretores do Master Múltiplo tenham tido ativos bloqueados, segundo especialistas ouvidos pela reportagem. “Quando há o bloqueio de um bem, como ações, mas no contexto de uma reestruturação necessária se autoriza a alienação dessas ações, o que ocorre é o bloqueio do pagamento do valor”, afirmou um advogado sob condição de anonimato.

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Além do Banco Master, outras empresas do grupo incluídas na ordem de liquidação foram o Banco Master de Investimento, o Banco Letsbank e a Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. O FGC deve ser acionado para ressarcir os investidores dessas instituições.

Caso Cruzeiro do Sul

Segundo Saragiotto, quando o Raet não dá certo, a alternativa costuma ser a liquidação. Foi o que aconteceu com o Banco Cruzeiro do Sul em 2012. “O Cruzeiro do Sul entrou no Raet em maio de 2012 com o objetivo de ser organizado para venda. Mas eles não conseguiram vender, então o Banco Central decretou a liquidação do banco”, afirmou.

Na época do regime especial, o BC divulgou que o Cruzeiro do Sul detinha ativos que representavam 0,22% do total do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e 0,35% dos depósitos. Já o Conglomerado Master detém 0,57% dos ativos totais e 0,55% das captações totais do SFN.

As instituições ligadas ao Master que foram liquidadas possuem uma base estimada de 1,6 milhão de credores com depósitos e investimentos elegíveis ao pagamento da garantia. Isso, conforme o FGC, corresponde a aproximadamente R$ 41 bilhões a serem reembolsados pelo fundo – ou seja, quase um terço dos recursos líquidos em caixa que o FGC possui, contabilizados em R$ 122 bilhões.

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