Governo oficializa quarto leilão do Eco Invest enquanto BID e BC formalizam mecanismo de hedge cambial

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou na tarde desta sexta-feira (14/11), durante a COP30, o quarto leilão do programa Eco Invest, que terá um foco na preservação da Amazônia. Também foi anunciado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Central do Brasil acordo para viabilizar até US$ 3,4 bilhões em operações de hedge cambial e mobilizar investimentos privados para o desenvolvimento sustentável, com prioridade para o Eco Invest – incluindo o terceiro leilão, que já havia sido anunciado, mas será concluído em dezembro.

O valor a ser levantado não foi informado pelo governo, embora o lance mínimo previsto seja de R$ 100 milhões. O leilão adota o modelo no qual o Tesouro Nacional empresta recursos a 1% ao ano para instituições, exigindo que sejam mobilizados pelo menos três vezes o valor em capital privado, com participação mínima de 60% de investidores estrangeiros. Assim, a cada R$ 1 de recurso público outros R$ 3 privados são mobilizados.

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O acordo entre o BID e o BC coloca de pé um instrumento que vinha sendo pensado desde o início das discussões sobre como financiar não só a sustentabilidade, mas investimentos de longo prazo de forma geral, diante do diagnóstico que o país perde muito recurso por medo dos investidores com a elevada volatilidade cambial no Brasil.

Chamado de “Conduit de Proteção Cambial”, o acordo para esse mecanismo de hedge, segundo nota do BID, viabiliza a garantia do capital privado contra as oscilações da taxa de câmbio, mas foi desenhado de tal forma que não prejudica o balanço dos órgãos. “Nem o BID nem o Banco Central assumem risco cambial adicional em seus balanços. Ambos compensam obrigações em moeda estrangeira com direitos equivalentes na mesma moeda por meio de contratos espelhados”, explica a instituição multilateral.

“O Eco Invest já movimentou mais de R$ 70 bilhões provando que dá para desenvolver a economia real de forma moderna e sustentável. Esta nova edição, focada na Amazônia, mostra que a floresta em pé gera mais valor e mais oportunidades do que a devastação, impulsionando tecnologias e cadeias produtivas adequadas à região”, afirmou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em vídeo enviado para a cerimônia em Belém.

Embora o volume de US$ 3,4 bilhões não pareça tão grande quando se olha o cenário de que o BC tem hoje cerca de US$ 100 bilhões em operações de swap (um mecanismo de proteção cambial) em mercado, o anúncio é relevante porque, especialmente em projetos de sustentabilidade de longo prazo, a oferta de hedge é muito escassa.

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