A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest sobre a avaliação do governo Lula mostra interrupção na sequência de recuperação da aprovação que vinha sendo observada desde maio.
A aprovação do presidente caiu um ponto percentual, para 47%, enquanto a desaprovação subiu na mesma intensidade, alcançando 50%. A diferença entre os dois índices, que era de apenas um ponto em outubro, passou a três pontos percentuais.
A aprovação continua mais concentrada entre os eleitores de baixa renda, beneficiários do Bolsa Família e moradores do Nordeste, mas perde força entre homens, evangélicos e classes médias urbanas do Sul e Sudeste.
O governo ainda mantém maioria de apoio entre católicos e mulheres, mas sem sinais de ampliação de base. O cenário mostra uma popularidade sólida, porém restrita, sustentada mais pela fidelidade do eleitor lulista do que pela conquista de novos grupos.
A avaliação expressamente positiva do governo também recuou, passando de 33% para 31%, enquanto a negativa subiu de 37% para 38%. A avaliação regular oscilou levemente, de 27% para 28%, confirmando um quadro de estabilidade com viés negativo.
O cenário é de estabilidade com sinais de alerta para o presidente. A aprovação de Lula parou de crescer, a economia não melhora aos olhos da população e a segurança pública — questão na qual o governo enfrenta resistência — passou a dominar o debate. O tema pode definir o tom político de 2026, num ambiente em que a direita recupera protagonismo.
O levantamento ouviu 2.004 eleitores em todo o país entre 6 e 9 de novembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais e o nível de confiança, de 95%.
Economia parada, confiança em queda
As percepções sobre a economia seguem praticamente inalteradas. Para 58%, o preço dos alimentos aumentou (ante 63% em outubro), e metade dos brasileiros afirma que está mais difícil conseguir emprego. Apenas 39% dizem ver melhora no mercado de trabalho, número inferior ao de outubro (42%).
Apesar disso, há um otimismo moderado quanto ao futuro: a maioria ainda acredita que a economia pode melhorar nos próximos 12 meses. Mas a confiança está mais curta.
Hoje, 58% avaliam que o país está na direção errada, contra 50% em janeiro — um sinal de cansaço crescente com o ritmo do governo e com a falta de resultados visíveis.
Segurança pública muda o eixo da opinião
A freada na aprovação coincide com o aumento do peso da segurança pública na agenda nacional. Após a megaoperação policial no Rio de Janeiro, em 28 de outubro, o tema da violência disparou como a principal preocupação dos brasileiros, subindo de 30% para 38% em apenas um mês.
A operação nos complexos do Alemão e da Penha recebeu 67% de aprovação, acima dos 64% registrados pela Quaest em pesquisa estadual no Rio logo após a ação. Para a maioria dos entrevistados, não houve exagero na força policial (67%), contra 29% que discordam.
Declarações de Lula ampliam ruído
As falas de Lula sobre o crime organizado e sobre a operação do Rio de Janeiro provocaram reação negativa. Oito em cada dez brasileiros (81%) discordam da afirmação de que “traficantes são vítimas dos usuários”, dita pelo presidente em Jacarta (24/10), durante uma coletiva sobre o combate às drogas. Mesmo entre os lulistas, 66% rejeitam a declaração. Entre a esquerda não lulista, o índice chega a 78%, e entre os independentes, a 81%.
Para 51%, a fala expressou uma opinião sincera de Lula; 39% acreditam que foi um mal-entendido, como o presidente alegou ao se retratar. Já sobre a avaliação de que a operação foi “desastrosa do ponto de vista do Estado”, 57% discordam e 38% concordam —reforçando o descompasso entre a retórica presidencial e a opinião pública sobre o tema da segurança.
Desempenho na segurança e endurecimento penal
O desempenho do governo na segurança pública é avaliado como regular por 36%, negativo por 34% e positivo por 26%. Já os governos estaduais têm 70% de avaliação entre regular e positiva, sinal de maior confiança nas administrações locais.
As propostas de endurecimento penal recebem apoio amplo:
73% defendem que organizações criminosas sejam enquadradas como terroristas;
88% apoiam o aumento da pena para homicídios cometidos a mando de facções;
65% são favoráveis à proibição de visitas íntimas a presos ligados ao crime organizado;
a PEC da Segurança tem 60% de aprovação;
e 70% rejeitam a flexibilização do acesso a armas.
Para 46% dos entrevistados, a melhor forma de combater a violência é o endurecimento das leis. A posição é majoritária entre bolsonaristas (58%), mas também encontra respaldo entre independentes (41%) e lulistas (39%).
Direita assume protagonismo no tema
A união de governadores de direita, formalizada no chamado “Consórcio da Paz”, divide opiniões: 47% consideram o movimento mais político do que técnico, enquanto 46% acreditam que pode ajudar a reduzir a violência.
Entre os nomes mais bem avaliados, o destaque é Cláudio Castro (RJ), citado por 24% como o governador que melhor tem conduzido o tema da segurança. Em seguida aparecem Tarcísio de Freitas (SP) com 13%, Ronaldo Caiado (GO), com 11%, e Romeu Zema (MG), com 5%.
Encontro com Trump não muda o jogo
A maioria dos brasileiros (65%) tomou conhecimento do encontro entre Lula e Donald Trump, realizado em 26 de outubro. Para 45%, o presidente saiu mais forte politicamente do evento, enquanto 30% avaliam que saiu mais fraco. Mais da metade (51%) acredita que os dois líderes chegarão a um acordo sobre as tarifas comerciais, contra 39% que duvidam disso.