Empregados da EPE rejeitam proposta de reajuste e decidem intensificar paralisações

Os empregados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) rejeitaram por unanimidade a proposta de reajuste salarial apresentada pela direção da estatal e decidiram manter o estado de greve, com previsão de novas paralisações progressivas nas próximas semanas. A decisão foi tomada em assembleia realizada na sexta-feira (17/10).

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A contraproposta da empresa previa reajuste de 4,26% nos salários e benefícios — o equivalente a 80% do INPC acumulado — e 6,99% na assistência médica e odontológica, além da criação de um auxílio mensal de R$ 678 para empregados com dependentes com deficiência. Também estava incluído o aumento de 4,26% no auxílio-creche, que passaria a R$ 1.474,41 por mês.

A oferta foi considerada insuficiente pelos trabalhadores, que reivindicam reposição integral das perdas inflacionárias acumuladas desde 2014, estimadas em mais de 20%. Segundo a comissão de negociação, o índice proposto “representa, na prática, uma redução real de salário”, e o impasse “evidencia a discrepância no tratamento dado aos empregados públicos em relação aos demais servidores federais”.

Calendário de paralisações

Os empregados da EPE, representados pelos sindicatos Senge-RJ, Sintergia-RJ, Sinaerj e Sindecon-RJ, aprovaram um novo calendário de paralisações escalonadas, que poderá culminar em greve por tempo indeterminado a partir de 17 de novembro.

Cronograma definido:

21 a 23/10 – paralisação de 72 horas
28 a 31/10 – paralisação de 96 horas
04 a 07/11 – paralisação de 96 horas
10 a 14/11 – paralisação de 120 horas
A partir de 17/11 – greve por tempo indeterminado

Desde o início da mobilização, em setembro, os empregados já paralisaram as atividades por oito dias. O novo calendário poderá ser ajustado conforme o andamento das negociações.

“Encaminharemos nova proposta de acordo na próxima semana e continuamos aguardando que a EPE apresente contrapropostas, tanto econômicas quanto sociais, que contemplem as justas reivindicações dos trabalhadores”, informou a comissão de empregados em carta enviada ao presidente da estatal, Thiago Prado.

Negociações e contexto da greve

Os trabalhadores estão em estado de greve desde 7 de outubro, em protesto contra reajustes salariais abaixo da inflação. A paralisação ocorre em um momento considerado crítico para o setor energético, às vésperas da COP30, em novembro, e do primeiro leilão de baterias do Brasil, previsto para dezembro — ambos com participação direta da EPE.

“Falar em transição energética justa e democrática exige, antes de tudo, a valorização das pessoas que trabalham para viabilizá-la”, destacou a comissão de negociação.

Na semana passada, durante um evento no Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), empregados da EPE entregaram pessoalmente à ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, a pauta de reivindicações.

Proposta da direção e justificativas
Em reunião com representantes sindicais, a EPE apresentou duas alternativas para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT 2025-2026): uma anual e outra bienal, válida até 2027. Ambas previam os mesmos índices de reajuste para 2025 e o reajuste integral do INPC em 2026, com retroatividade à data-base.

No ofício encaminhado aos sindicatos, a empresa argumentou que a proposta buscava equilibrar os interesses dos empregados com as restrições fiscais da União, que impactam diretamente as estatais dependentes do Tesouro Nacional.

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A EPE citou as “restrições orçamentárias enfrentadas em 2025”, agravadas por mudanças em Medidas Provisórias que reduziram a arrecadação federal, e afirmou que o pacote deveria ser avaliado em conjunto com o novo Plano de Cargos e Salários (PCS), que entrará em consulta interna em 20 de outubro.

Sem acordo, os empregados pretendem manter as paralisações e pressionar por uma nova rodada de negociações ainda em outubro. Caso a empresa não apresente uma proposta considerada satisfatória, a greve geral a partir de 17 de novembro deverá ser mantida.

“A EPE é um patrimônio técnico do Brasil. Valorizar seus profissionais é garantir que o país continue liderando com responsabilidade e competência os debates sobre energia e clima”, afirmaram os trabalhadores em nota.

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