O indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e do deputado Eduardo Bolsonaro pela Polícia Federal com o aval do ministro Alexandre de Moraes deixa claro que não há espaço para trégua. A articulação de pai e filho com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para sancionar o Brasil e suas autoridades vem sendo vista por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) como uma afronta que precisa ser debelada.
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E mais: o relatório da PF expôs a fragilidade da relação da família Bolsonaro com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas – candidato para ser o herdeiro dos votos de Bolsonaro na corrida presidencial de 2026.
Pelos diálogos revelados, Eduardo Bolsonaro deixa claro para o pai sua insatisfação com Tarcísio, chegando a dizer que ele não é uma solução, mas sim, um obstáculo que pode prejudicar a anistia e a relação com os Estados Unidos. Para o parlamentar, o governador de SP só resolveria “a vida do pessoal da Faria Lima” – em referência ao principal centro financeiro do país.
Inclusive, o deputado sugere ao pai segurar a narrativa de Tarcísio como herdeiro para a família se manter forte no mundo político – corroborando a ideia de que Bolsonaro deve registrar a candidatura.
Enquanto os bolsonaristas atacam o Brasil e as autoridades com sanções e minam outras possibilidades da direita, o STF entrou no modo turbo e adotou um calendário praticamente contínuo de ações que reforçam a leitura pelo desinteresse dos ministros em arrefecer a crise. Nos bastidores da Corte, predomina a ideia de que o STF precisa continuar o trabalho independentemente de pressão ou chantagem.
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Na quarta-feira da semana passada os advogados dos réus da ação penal entregaram as alegações finais. No dia seguinte, Moraes requereu ao presidente da 1ª Turma, Cristiano Zanin, o agendamento do julgamento. Em menos de 24 horas, a solicitação foi atendida e em 2 de setembro será a primeira sessão.
No início desta semana, Flávio Dino utilizou o caso de Mariana e o ajuizamento de ações por municípios fora do Brasil para dizer que ato estrangeiro não é válido em território brasileiro – assim, esclareceu que a Lei Magnitsky, que sancionou Moraes, não tem eficácia no Brasil. E foi além: determinou que os bancos comuniquem o STF sobre bloqueios de transação nesses casos.
Nem mesmo a reação do mercado financeiro com queda nas ações de bancos mostrou-se capaz de comover a ala do Supremo disposta a esticar a corda em nome da defesa institucional e da soberania brasileira.
O cenário, neste momento, é de continuidade da escalada do conflito e a situação não deve apaziguar ainda mais diante da proximidade do início do julgamento do ex-presidente.