Governo considera expansão da Magnitsky a outros ministros do STF em reação à Bolsonaro

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e setor privado temem escalada na crise comercial com os EUA após o ministro Alexandre de Moraes, Supremo Tribunal Federal (STF), ter decretado nesta segunda-feira (4/8) a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, por considerar que ele violou medidas cautelares ao ter participado por telefone do ato em Copacabana em seu apoio no dia anterior. Do saco de maldades de Donald Trump pode sair o aperto aos outros ministros do supremo via Lei Magnitsky. O Republicano tem outras opções, mas essa parece a mais iminente.

A decisão de Moraes também deve impactar as tratativas sobre telefonema que vem sendo preparado entre Lula e Donald Trump, podendo atrasar ou até inviabilizar a retomada das negociações comerciais, interrompidas no início de julho. Cabe ao Republicano chancelar a reabertura dos canais de comunicação.

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O Brasil mantém a linha de que está pronto para negociar toda a pauta comercial, ao mesmo tempo que empresários insistem com o governo que ainda não é hora de retaliação. Mas interferir no processo de Jair Bolsonaro, como quer Trump, é questão inaceitável, uma vez que envolve interferir na institucionalidade, na autonomia dos poderes, na democracia e na própria soberania nacional, o que é inconcebível.

O impasse cria um cenário nebuloso para os exportadores que ficaram fora da lista de isenções do tarifaço que entrou em vigor nesta quarta-feira. E até mesmo para os contemplados pelo benefício. Afinal, não se sabe o que o Republicano tem para tirar da manga nas cenas do próximo capítulo.

A avaliação dentro do governo é a de que o que o Trump tem feito até agora é dizer claramente que o processo eleitoral brasileiro de 2026 depende de duas coisas: Bolsonaro concorrer e as big techs ficarem com a mão livre pra fazer o que quiser. E esse era, desde a posse de Trump em janeiro, como mostrou o JOTA, um dos maiores temores do governo Lula, mais até do que as esperadas (talvez não tão altas) tarifas em si.

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