Após domiciliar de Bolsonaro, governadores presidenciáveis se colocam contra polarização

A prisão de Jair Bolsonaro deu aos governadores que se colocam como presidenciáveis a oportunidade de defenderem o ex-presidente e ainda se colocarem como vozes moderadas da centro-direita em busca de uma terceira via contrária à radicalização política.

É um duplo benefício para o discurso político-eleitoral do grupo que esteve ausente das manifestações populares realizadas no domingo (3/8) em algumas capitais do país: buscar os votos do eleitorado fiel ao líder preso e acenar para as parcelas da população descontentes com o governo PT, o tarifaço e a polarização entre o presidente Lula e Jair Bolsonaro.

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Dos cinco governadores-presidenciáveis, todos de oposição a Lula, quatro utilizaram as redes sociais para criticar a polarização e afirmar que a “escalada” dos conflitos entre Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal (STF) prejudicam o país. Romeu Zema (Novo) foi o único que preferiu se solidarizar com o ex-presidente, citar diretamente o ministro Alexandre de Moraes e criticar a prisão domiciliar. Os demais se alinharam na defesa da moderação.

Tarcísio de Freitas (Republicanos) – SP

Nesse diapasão, o mais contundente foi Tarcísio de Freitas (Republicanos). “Vale a pena acabar com a democracia sob o pretexto de salvá-la? Será que não está claro que estamos avançando em cima de garantias individuais? Já passou da hora das instituições tomarem iniciativas para desescalar a crise, acabarem com uma disputa que resulta em soma zero, que mostra incapacidade de resolver e mediar conflitos, que não gera outro efeito senão a perda de confiança”, disse o governador de São Paulo nas redes sociais.

Ratinho Júnior (PSD) – PR

O governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), não perdeu a chance de atacar diretamente a polarização política e tentar se cacifar como uma terceira via de centro-direita. “Briga não coloca mais comida na mesa do trabalhador. O Brasil precisa de união para seguir em paz. Ao ex-presidente Bolsonaro, a minha solidariedade”, afirmou.

Ronaldo Caiado (União-BR) – GO

Até Ronaldo Caiado (União Brasil), que vinha se colocando como uma voz mais identificada com as posições da família Bolsonaro adotou um tom crítico sobre a polarização: “Essa escalada política aprofunda as divisões que ferem o País e deixam o povo brasileiro em segundo plano. O Brasil exige mudança, com uma liderança que tenha autoridade moral e seja capaz de dialogar com todos os Poderes e, com equilíbrio, pacificar o Brasil e conduzir as reformas que realmente importam”.

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Eduardo Leite (PSD) – RS

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD) aproveitou a prisão para reafirmar suas posições em defesa de uma terceira via entre Lula e Bolsonaro. “Até quando vamos ficar dobrando a aposta pra ver o que acontece? Até quando nossa energia será consumida na busca de exterminar adversários mais do que em erradicar os graves problemas do país? Como nação, é hora de refletir sobre os graves danos da polarização e buscar novos caminhos. Não é mais sobre qual lado tem razão, é sobre manter a serenidade e a esperança no Brasil que sonhamos e queremos ter”.

Distância calculada

Apesar de terem prestado solidariedade a Bolsonaro, os cinco governadores não participaram dos atos em favor do ex-presidente e contra o STF realizados no domingo. Tarcísio alegou compromissos médicos.

Manter uma distância regulamentar do ex-presidente em tempos de radicalização e tarifaço, ainda mais com a economia dos cinco estados afetada diretamente pelas medidas de Donald Trump, mas sem perder a simpatia de seus seguidores, é o desafio que se impõe neste momento a esses presidenciáveis.

O discurso da moderação e da busca por uma terceira via eleitoral de centro-direita foi, ao menos por ora, a solução encontrada.

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