Após Trump, setores do Planalto e da base revivem debate de revogar ‘taxa das blusinhas’

O conflito comercial gerado pelo anúncio da taxação de 50% das exportações brasileiras aos Estados Unidos animou parte do Palácio do Planalto e da base do governo a voltar a defender a revogação da “taxa das blusinhas“.

Já há setores palacianos discutindo até os termos de uma medida provisória, embora o assunto ainda não esteja avançado, por exemplo, no Ministério da Fazenda, a quem caberia dar os subsídios técnicos para uma proposta dessa natureza avançar. E também não há um comando de Lula nessa direção, ainda que no passado ele tenha se colocado contra a taxação.

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A cobrança de 20% de imposto de importação é vista como algo que desde o primeiro dia faz um estrago enorme na aprovação do governo e que, para alguns setores, o ideal seria ser revertida. Apesar de seu impacto total no volume de comércio ser reduzido, a iniciativa ainda teria o efeito simbólico de ser uma sinalização política para a China, uma resposta indireta para a Casa Branca.

Pior revés sobre o governo

Com base nos dados do agregador do JOTA, o analista Daniel Marcelino tem reforçado que a medida tem um impacto negativo sobre a imagem do governo maior do que todos os outros eventos que afetaram a aprovação do Executivo até agora, inclusive a fraude do INSS.

Por isso, setores mais preocupados com a popularidade presidencial, como a Secom e a Casa Civil, viram no movimento de Trump um trampolim para viabilizar a ideia de revogar a taxação.

Outros interlocutores do Executivo apontam que um meio-termo seria um caminho melhor, dado que a revogação total poderia ser vista como um retrocesso na defesa da indústria nacional.

Apesar de a taxação ter pouco efeito arrecadatório, a desoneração no atual contexto de alta de tributos e necessidade de fechar as contas também é um fator a ser levado em conta no processo decisório, pois passaria um sinal trocado.
Preocupação com indústria nacional e sinal trocado no fiscal

Outro fator perpassa a discussão: a preocupação com a indústria nacional e o fato de a medida ter sido aprovada pelo Congresso são fatores complicadores para a ideia avançar.

No Congresso, versões e visões conflitantes

Conforme apuração do analista Edoardo Ghirotto, os líderes do governo na Câmara, José Guimarães (CE), e do PT, Lindbergh Farias (RJ), disseram ao JOTA que são favoráveis à revogação da cobrança, mas parlamentares do próprio partido se manifestaram contra a ideia.

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No Centrão, o tema tem diferenças de abordagem. Alguns dizem que a discussão não está sequer posta. Outros apontam que, se o tema entrar na pauta pelas mãos do governo, vai avançar.

Reforçando a retomada da popularidade

Independentemente disso, está cada vez mais claro que o governo está avaliando todas as possibilidades de medidas que podem alavancar o processo em curso de retomada da aprovação presidencial.

Interlocutores do governo apontam que uma saída alternativa poderia ser a redução, e não revogação, da taxa das blusinhas, tentando um melhor equilíbrio em termos de garantia da competitividade local e um barateamento dos produtos importados.

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