A inteligência artificial (IA) divide opiniões, mas revela um grande mercado em expansão. Em todos os momentos temos notícias, casos e informações sobre a IA. A disrupção é incontestável. Também é verdade que muitas empresas dizem usar inteligência artificial no seu ecossistema, mas nem sequer possuem uma estrutura tecnológica para isso. Por essa razão, seu uso ainda é imaturo.
O setor de leilões no Brasil tem vivenciado transformações significativas impulsionadas por fatores econômicos, jurídicos e tecnológicos. Todavia, mesmo diante de um cenário de grande digitalização, é notável a lacuna entre a complexidade operacional dos leilões, especialmente judiciais e extrajudiciais. Consequentemente, a adoção estratégica de tecnologias avançadas como a inteligência artificial pode ser uma grande aliada no procedimento de arrematação.
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Diante das ameaças, o importante é saber qual caminho adotar a fim de que o uso seja bem calibrado para evitar erros que geram prejuízos financeiros para os participantes deste mercado. Para tal fim, alguns direcionamentos são necessários quando uma empresa de leilão busca acolher a inteligência artificial no seu campo de atuação.
Em primeiro lugar é preciso identificar a necessidade do uso neste segmento. Em segundo plano, é importante estabelecer as prioridades das suas funcionalidades. Em terceiro, a empresa precisa testar a evolução de cada etapa e trazer para o campo da validação. A lista de afazeres é grande e, possivelmente, constante.
Atualmente, ainda não se sabe qual a melhor adoção da inteligência artificial. Os riscos são inerentes ao seu uso. A alta gestão precisa se atentar aos perigos na sua utilização desenfreada e criar mecanismos de governança para lidar com os stakeholders.
No caso do leilão não é diferente. Este mercado é rico em oportunidades, abundante em ativos e isso desperta grandes considerações acerca do uso da inteligência artificial neste segmento específico.
A IA tem o potencial de transformar realidades em setores como o de leilões através de inovações em todas as frentes. A adoção responsável da IA é capaz de resolver problemas complexos e recorrentes, trazendo ganhos em escala, segurança e eficiência. No caso dos leilões, o uso da IA não se limita à automação de processos. Ela pode ser aplicada à análise preditiva de valores de mercado, à gestão do ciclo de vida dos ativos, à mitigação de riscos jurídicos e à personalização do relacionamento com os participantes.
Em virtude disso, a inteligência artificial precisa ser aplicada com métodos e direcionamentos estratégicos. Criar um procedimento de uso e uma política de conscientização institucional são formas de aliviar o custo de implementação e aculturamento tecnológico dentro das organizações.
Decerto, o leilão é dinâmico, humano e competitivo. Com esses fatores, o uso de tecnologias preditivas pode ser interessante no setor da leiloaria. Porém, para uma arrematação bem sucedida, muitos fatores são considerados, entre eles, a localização do bem, estado em que o bem se encontra, número de habilitados, entre outros. Esses dados ainda não são mensurados pela IA e, portanto, o uso dessa tecnologia pode ser raso nos leilões.
À vista disso, desenvolver ferramentas transparentes que otimizem a análise das documentações acerca dos leilões é o caminho mais viável e, portanto, simples. Mesmo neste caso a supervisão humana é mandatória a fim de estabelecer critérios de análise mais apurados.
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Conclui-se que a inteligência artificial não representa apenas um diferencial competitivo, mas um novo padrão operacional necessário para quem deseja atuar com segurança, escala e previsibilidade no segmento de leilões.
A combinação de dados estruturados, automação e análise inteligente tem se mostrado o caminho mais eficaz para transformar uma prática burocrática e complexa em uma experiência estratégica, confiável e produtiva tanto para operadores quanto para investidores. De todo modo, a participação humana ainda é crucial para a atividade nesse mercado, o que afasta riscos de substituição imatura do profissional do mercado de leilão.