{"id":9337,"date":"2025-03-04T10:32:00","date_gmt":"2025-03-04T13:32:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/03\/04\/performance-esg-sob-a-influencia-da-teoria-dos-stakeholders\/"},"modified":"2025-03-04T10:32:00","modified_gmt":"2025-03-04T13:32:00","slug":"performance-esg-sob-a-influencia-da-teoria-dos-stakeholders","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/03\/04\/performance-esg-sob-a-influencia-da-teoria-dos-stakeholders\/","title":{"rendered":"Performance ESG sob a influ\u00eancia da teoria dos stakeholders"},"content":{"rendered":"<p>Diante de um cen\u00e1rio de mudan\u00e7as, o <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/esg\">ESG<\/a> (boas pr\u00e1ticas ambientais, sociais e de governan\u00e7a) reacende o debate sobre a revaloriza\u00e7\u00e3o da Teoria dos Stakeholders, uma vez que ela serve de ponte te\u00f3rica, base conceitual, para ampliar a performance ESG de empresas, como argumenta a pesquisadora Chenxi Wang.[1]<\/p>\n<p>A Teoria dos Stakeholders surge em 1984, introduzida pelo fil\u00f3sofo e professor norte-americano R. Edward Freeman, a partir da refer\u00eancia feita em um memorando do Instituto de Pesquisa de Stanford. Ao longo dos \u00faltimos 30 anos, a teoria n\u00e3o parou mais de ser ampliada e revisada.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/h3>\n<p>Sustentada na premissa de que as organiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o entidades sociais interdependentes, a teoria defende que a exist\u00eancia e legitimidade das empresas dependem da capacidade de harmonizar expectativas m\u00faltiplas e, frequentemente, conflitantes.<\/p>\n<p>Ao transcender a vis\u00e3o reducionista do lucro como fim \u00fanico, a teoria prop\u00f5e uma abordagem hol\u00edstica, em que a cria\u00e7\u00e3o de valor se desdobra em dimens\u00f5es ambientais, sociais e de governan\u00e7a.<\/p>\n<p>Essa integra\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas redefine o prop\u00f3sito corporativo, mas tamb\u00e9m estabelece que a sustentabilidade de longo prazo e est\u00e1 intrinsecamente ligada ao equil\u00edbrio entre agentes diretos e indiretos do ecossistema empresarial. O ESG, nesse contexto, n\u00e3o \u00e9 uma tend\u00eancia passageira, mas uma materializa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica dessa interdepend\u00eancia, onde cada decis\u00e3o estrat\u00e9gica repercute em cadeia, impactando stakeholders que, antes marginalizados, passam a integrar o centro da governan\u00e7a contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>A teoria, inicialmente formalizada no livro de Freeman, <em>Strategic Management: A Stakeholder Approach<\/em>, prop\u00f5e que empresas n\u00e3o se limitem a atender exclusivamente aos interesses dos acionistas, mas busquem equilibrar as demandas de todas as partes interessadas envolvidas, como acionistas, investidores, colaboradores, clientes, fornecedores, comunidades, governos e m\u00eddia. Esse equil\u00edbrio gera neg\u00f3cios mais sustent\u00e1veis e resilientes no longo prazo. A cria\u00e7\u00e3o de valor para todos os stakeholders gera um neg\u00f3cio com vi\u00e9s mais sustent\u00e1vel e de longo prazo.<\/p>\n<p>Pela sua flexibilidade, a Teoria dos Stakeholders, embora estruturada epistemologicamente na sociologia, economia, pol\u00edcia e \u00e9tica, \u00e9 compreendida como uma teoria guarda-chuva, que vem sendo empregada e reinterpretada em diferentes \u00e1reas do conhecimento por tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Para dar uma trilha mais coesa a ela, dois pesquisadores (Donaldson e Preston)[2] dividiram a Teoria dos Stakeholders em tr\u00eas dimens\u00f5es: descritiva; instrumental e normativa. Na primeira dimens\u00e3o definem a natureza da organiza\u00e7\u00e3o e se a realidade observada corresponde \u00e0 administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na dimens\u00e3o instrumental, buscam evidenciar o impacto gerado pelos stakeholders no desempenho do neg\u00f3cio, analisando objetivos e pol\u00edticas na gest\u00e3o das partes interessadas e objetivos empresariais. Na dimens\u00e3o normativa, definem o papel dos stakeholders diante dos valores morais e \u00e9ticos da corpora\u00e7\u00e3o. Em suma, a Teoria dos Stakeholders defende uma vis\u00e3o expandida da responsabilidade corporativa e fomenta uma s\u00e9rie de rela\u00e7\u00f5es interdependentes.<\/p>\n<p>A complexidade da Teoria dos Stakeholders reside em sua natureza din\u00e2mica e n\u00e3o hierarquizada. Enquanto a dimens\u00e3o descritiva mapeia a teia de rela\u00e7\u00f5es que constituem a organiza\u00e7\u00e3o, a instrumental revela como essas conex\u00f5es influenciam m\u00e9tricas tang\u00edveis de desempenho, como redu\u00e7\u00e3o de riscos ou fortalecimento de marca.<\/p>\n<p>J\u00e1 a normativa eleva o debate ao plano \u00e9tico, questionando n\u00e3o apenas <em>como<\/em>\u00a0as empresas operam, mas\u00a0<em>porque<\/em> devem faz\u00ea-lo de modo a preservar dignidade humana e integridade ecol\u00f3gica. Esse triplo enfoque desafia a no\u00e7\u00e3o de que interesses s\u00e3o est\u00e1ticos, reconhecendo que a sali\u00eancia de um stakeholder varia conforme contextos pol\u00edticos, culturais e temporais.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a teoria n\u00e3o oferece f\u00f3rmulas prontas, mas um\u00a0<em>framework<\/em>\u00a0de reflex\u00e3o cr\u00edtica, convidando as organiza\u00e7\u00f5es a repensarem seu papel como agentes de transforma\u00e7\u00e3o em um mundo marcado por desigualdades e limites planet\u00e1rios.<\/p>\n<p>No varejo ou no atacado, as empresas lan\u00e7am m\u00e3o do Mapa dos Stakeholders para identificar suas partes interessadas, avaliar seu n\u00edvel de interesse, influ\u00eancia (alta ou baixa), conex\u00f5es (\u00e1reas comuns e de poss\u00edvel conflito) e definir as estrat\u00e9gias de engajamento e formas de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em contrapartida \u00e0 Teoria dos Stakeholders, a Doutrina Friedman, apresentada pelo economista Milton Friedman em 1970, defende a primazia dos acionistas e a maximiza\u00e7\u00e3o de lucros, rejeitando a responsabilidade social corporativa. Esta vis\u00e3o tem sido retomada por movimentos anti-ESG nos Estados Unidos. Essa teoria comemora 55 anos neste ano, tendo como origem um artigo do professor e economista Milton Friedman, publicado na revista The New York Times Magazine, em 1970, e vem sendo retomada pelas iniciativas anti-ESG nos EUA.<\/p>\n<p>Pode parecer f\u00e1cil conceituar um stakeholder, mas h\u00e1 muitas camadas envolvidas. O pr\u00f3prio Friedman definiu como sendo todo indiv\u00edduo ou grupo que pode afetar ou ser afetado por uma organiza\u00e7\u00e3o, mas as partes interessadas ter\u00e3o maior ou menor influ\u00eancia corporativa, de acordo com seu poder de influ\u00eancia. Por isso \u00e9 importante conhecer o papel dos stakeholders nas pr\u00e1ticas ESG.<\/p>\n<p>Teoricamente, a classifica\u00e7\u00e3o dos stakeholders vem se alterando ao longo dos anos. Clarkson[3], por exemplo, divide-os entre prim\u00e1rios e secund\u00e1rios. Os primeiros possuem alto grau de interdepend\u00eancia com a empresa e demais stakeholders, caso dos acionistas, investidores, profissionais, clientes, fornecedores e comunidade. E os secund\u00e1rios, que influenciam a organiza\u00e7\u00e3o ou s\u00e3o afetados por ela, sem rela\u00e7\u00e3o direta.<\/p>\n<p>A fun\u00e7\u00e3o das partes interessadas em um ecossistema corporativo e seu impacto no ESG \u00e9 facilmente entendido quando se analisa os seus atributos principais: poder, legitimidade e urg\u00eancia. O t\u00f3pico inicial est\u00e1 ligado \u00e0 influ\u00eancia que determinados stakeholders possuem junto \u00e0 corpora\u00e7\u00e3o. No atributo legitimidade, o importante \u00e9 como os stakeholders se adequam aos valores, normas e cren\u00e7as da organiza\u00e7\u00e3o e da sociedade. J\u00e1 o atributo de urg\u00eancia fomenta import\u00e2ncia \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o de determinado(s) stakeholders(s).<\/p>\n<p>Nessa classifica\u00e7\u00e3o elaborada pelos pesquisadores Mitchell, Agle e Wood[4], os stakeholders que possem apenas um \u00a0dos atributos s\u00e3o considerados \u201clatentes\u201d; aqueles com dois atributos recebem o nome de \u201cexpectantes\u201d e os que re\u00fanem os tr\u00eas predicados recebem a classifica\u00e7\u00e3o de \u201cdefinitivos\u201d e s\u00e3o os \u00fanicos que possuem poder e legitimidade e ter\u00e3o seu interesse mais facilmente contemplado.<\/p>\n<p>Empresas brasileiras como Natura, Klabin e Banco do Brasil adotam pr\u00e1ticas voltadas ao fortalecimento dessas rela\u00e7\u00f5es. A Frooty, por exemplo, desenvolve iniciativas de capacita\u00e7\u00e3o de produtores na Amaz\u00f4nia, programas educacionais para comunidades ribeirinhas e a\u00e7\u00f5es de mitiga\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade local.<\/p>\n<p>Em contrapartida, o desempenho corporativo sustentado pelos pilares ESG tem auxiliado a fomentar uma teoria de cria\u00e7\u00e3o de valor para os stakeholders. Um dos estudos que trata do tema \u00e9 \u201cUma revis\u00e3o do desempenho ESG como medida da teoria das partes interessadas\u201d[5], propondo desenvolver uma teoria de cria\u00e7\u00e3o de valor para os stakeholders como indicador do desempenho ESG.<\/p>\n<p>Para o autor, Sumit Kumar, diferentes pesquisas apresentam pontos em comum sobre indicadores de desempenho ESG e seus impactos no valor dos stakeholders, caso das preocupa\u00e7\u00f5es e opera\u00e7\u00f5es das empresas em proteger o meio ambiente; desempenho social, envolvimento com os direitos humanos, qualidade de emprego, conformidade com a legisla\u00e7\u00e3o social, relacionamento com a comunidade e responsabilidade da alta administra\u00e7\u00e3o e processos de estrutura de governan\u00e7a, com base em \u00e9tica e transpar\u00eancia.<\/p>\n<p>No levantamento, o papel dos conselhos de administra\u00e7\u00e3o se mostra importante para consolidar a participa\u00e7\u00e3o das partes interessadas. Quanto mais independentes forem os conselhos, maior ser\u00e1 a prote\u00e7\u00e3o dos interesses das partes interessadas. As pesquisas tamb\u00e9m constataram uma liga\u00e7\u00e3o positiva entre o desempenho ESG e a diversidade de g\u00eanero nos conselhos ou presen\u00e7a de um comit\u00ea de Responsabilidade Social Corporativa.<\/p>\n<p>Em suma, ao contemplar as necessidades das partes interessadas, as corpora\u00e7\u00f5es constroem uma ponte com a Teoria dos Stakeholders, aumentam o valor de seus produtos ou servi\u00e7os, reduzem os riscos reputacionais e se aproximam de um ecossistema de sustentabilidade, compreendendo os impactos de seus neg\u00f3cios sobre diferentes atores e o planeta.<\/p>\n<p>Desse ponto de partida, tamb\u00e9m viabilizam solu\u00e7\u00f5es com base em um ponto de equil\u00edbrio que nem sempre \u00e9 vi\u00e1vel diante de demandas t\u00e3o diferentes. Essas, por\u00e9m, podem se tornar concili\u00e1veis pela criatividade da estrat\u00e9gia adotada por cada companhia. Em s\u00edntese, integrar as necessidades das partes interessadas fortalece o v\u00ednculo entre ESG e Teoria dos Stakeholders, aumentando a resili\u00eancia, a reputa\u00e7\u00e3o e a sustentabilidade corporativa.<\/p>\n<p>[1] Dispon\u00edvel em https:\/\/www.shsconferences.org\/articles\/shsconf\/pdf\/2024\/10\/shsconf_edss2024_03022.pdf<\/p>\n<p>[2] DONALDSON, T.; PRESTON, L. E. The Stakeholder Theory of the Corporation: Concepts, Evidence, and Implications. The Academy of Management Review. New York \u2013 USA, v. 20, n. 01, jan.1995.<\/p>\n<p>[3] CLARKSON, M. E. A stakeholder framework for analyzing and evaluating corporate social performance. Academy of management review, v. 20, n. 1.<\/p>\n<p>[4] MITCHELL, R. K., AGLE, B. R. e WOOD, D. J. Toward a Theory of Stakeholder Identification and Salience: Defining the Principle of Who and What Really Counts. The Academy of Manag MITCHELL, R. K., AGLE, B. R. e WOOD, D. J. Toward a Theory of Stakeholder Identification and Salience: Defining the Principle of Who and What Really Counts. The Academy of Manag<\/p>\n<p>[5] Kumar, S. (2023). A review esg performance as a measure of stakeholder\u2019s theory.<em>\u00a0Academy of Marketing Studies Journal,<\/em>\u00a027(S3), 1-18. Dispon\u00edvel em https:\/\/www.abacademies.org\/articles\/a-review-esg-performance-as-a-measure-of-stakeholders-theory-15712.html<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante de um cen\u00e1rio de mudan\u00e7as, o ESG (boas pr\u00e1ticas ambientais, sociais e de governan\u00e7a) reacende o debate sobre a revaloriza\u00e7\u00e3o da Teoria dos Stakeholders, uma vez que ela serve de ponte te\u00f3rica, base conceitual, para ampliar a performance ESG de empresas, como argumenta a pesquisadora Chenxi Wang.[1] A Teoria dos Stakeholders surge em 1984, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9337"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9337"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9337\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}