{"id":9011,"date":"2025-02-14T22:52:13","date_gmt":"2025-02-15T01:52:13","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/02\/14\/mais-um-caso-de-abuso-regulatorio-vai-a-julgamento-no-stf\/"},"modified":"2025-02-14T22:52:13","modified_gmt":"2025-02-15T01:52:13","slug":"mais-um-caso-de-abuso-regulatorio-vai-a-julgamento-no-stf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2025\/02\/14\/mais-um-caso-de-abuso-regulatorio-vai-a-julgamento-no-stf\/","title":{"rendered":"Mais um caso de abuso regulat\u00f3rio vai a julgamento no STF"},"content":{"rendered":"<p>O Supremo Tribunal Federal (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/stf\">STF<\/a>) tem um encontro marcado com um tema que pode transformar radicalmente o cen\u00e1rio regulat\u00f3rio sanit\u00e1rio no Brasil. Nesta sexta-feira (14\/2), a corte retomar\u00e1 o julgamento do ARE 1.348.238 \u2013 Tema 1252, no qual se arguiu a inconstitucionalidade da Resolu\u00e7\u00e3o da Diretoria Colegiada 14\/2012 editada pela <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/anvisa\">Anvisa<\/a>. O caso retorna para a pauta do plen\u00e1rio com a apresenta\u00e7\u00e3o do voto-vista do ministro Alexandre de Moraes.<\/p>\n<p>A norma promoveu verdadeiro banimento de todos os produtos fum\u00edgenos, incluindo charutos, cigarros de palha, fumo para narguil\u00e9s e outros, que s\u00e3o comercializados de forma legal h\u00e1 d\u00e9cadas no pa\u00eds.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/saude?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_saude_q2&amp;utm_id=cta_texto_saude_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_saude&amp;utm_term=cta_texto_saude_meio_materias\"><span>Com not\u00edcias da Anvisa e da ANS, o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Sa\u00fade entrega previsibilidade e transpar\u00eancia para empresas do setor<\/span><\/a><\/h3>\n<p>\u00c9 que a Anvisa decidiu proibir o uso de qualquer ingrediente que n\u00e3o seja <em>tabaco ou \u00e1gua <\/em>no processo de manufatura desses produtos. Assim, possivelmente, alegam os t\u00e9cnicos, todas as marcas conhecidas atualmente no mercado brasileiro deixariam de existir. Essa interven\u00e7\u00e3o abrupta na ind\u00fastria acende, portanto, um alerta perigoso para diversos outros setores da economia sobre os limites constitucionais e legais efetivamente conferidos \u00e0 referida ag\u00eancia.<\/p>\n<p>A valida\u00e7\u00e3o da RDC 14\/2012 poderia conceder \u00e0 Anvisa uma esp\u00e9cie de \u201ccarta branca\u201d para definir o que supostamente seria melhor para o pa\u00eds em mat\u00e9ria de sa\u00fade e vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria e, pior, sem um olhar mais amplo e apurado acerca dos diversos outros temas sens\u00edveis que estariam em jogo. Essa grave amea\u00e7a de a Anvisa poder regular administrativamente o tema sem que sejam respeitados os limites impostos pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal e pela legisla\u00e7\u00e3o vigente geraria uma inseguran\u00e7a jur\u00eddica alarmante, consagrando um paternalismo guiado por pouqu\u00edssimas pessoas, sem qualquer representatividade ou mandato para a decis\u00e3o que tomou administrativamente no long\u00ednquo ano de 2012.<\/p>\n<p>Mas talvez at\u00e9 mais grave do que isso, a referida RDC 14\/2012 promove uma interven\u00e7\u00e3o no mercado que fere a ordem econ\u00f4mica da Constitui\u00e7\u00e3o Federal \u2013 a qual \u00e9 baseada na livre iniciativa \u2013 e tamb\u00e9m a legisla\u00e7\u00e3o federal que trata da liberdade econ\u00f4mica e das ag\u00eancias reguladoras, as quais, como normas de ordem p\u00fablica, aplicam-se \u00e0 regula\u00e7\u00e3o anterior suspendida liminarmente e que agora poderia entrar em vigor.<\/p>\n<p>Com efeito, a principal falha da RDC 14\/2012 reside na aus\u00eancia de uma An\u00e1lise de Impacto Regulat\u00f3rio (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/air\">AIR<\/a>). A Lei de Liberdade Econ\u00f4mica exige que o Estado justifique suas interven\u00e7\u00f5es no mercado, prevendo seus efeitos e buscando o menor \u00f4nus para os agentes econ\u00f4micos. A aus\u00eancia desta an\u00e1lise na RDC demonstra uma falta de planejamento e transpar\u00eancia, colocando em xeque sua legitimidade.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias econ\u00f4micas de sua implementa\u00e7\u00e3o seriam potencialmente devastadoras. Um estudo da FGV Conhecimento estima perdas de bilh\u00f5es de reais em PIB, renda familiar e arrecada\u00e7\u00e3o de impostos, al\u00e9m da perda de dezenas de milhares de empregos. O impacto se concentraria na regi\u00e3o Sul, principalmente no Rio Grande do Sul, onde a produ\u00e7\u00e3o de fumo sustenta a economia de in\u00fameros munic\u00edpios. Recentemente atingida por fortes chuvas, a regi\u00e3o enfrenta um cen\u00e1rio ainda mais delicado.<\/p>\n<p>A RDC, sem AIR, portanto, ignora a realidade econ\u00f4mica do setor e seus impactos sociais. Ela potencialmente estimularia o mercado ilegal \u2013 j\u00e1 consider\u00e1vel no Brasil \u2013, levando ao consumo de produtos sem controle de qualidade e com riscos \u00e0 sa\u00fade. Isso n\u00e3o apenas prejudica a sa\u00fade p\u00fablica como tamb\u00e9m prejudica a arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria e aprofunda as desigualdades regionais.<\/p>\n<p>O julgamento do STF sobre a RDC 14\/2012 \u00e9, portanto, crucial. N\u00e3o se trata apenas de avaliar a constitucionalidade de uma norma, mas sim de analisar como o Estado interv\u00e9m no mercado, ponderando os poderes regulat\u00f3rios com as garantias de liberdades constitucionais, assim como com os efeitos no mundo real. A aus\u00eancia de uma AIR demonstra uma falha grave neste processo. Trata-se de mais um caso de abuso regulat\u00f3rio a ser corrigido pela nossa Corte Suprema.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Supremo Tribunal Federal (STF) tem um encontro marcado com um tema que pode transformar radicalmente o cen\u00e1rio regulat\u00f3rio sanit\u00e1rio no Brasil. Nesta sexta-feira (14\/2), a corte retomar\u00e1 o julgamento do ARE 1.348.238 \u2013 Tema 1252, no qual se arguiu a inconstitucionalidade da Resolu\u00e7\u00e3o da Diretoria Colegiada 14\/2012 editada pela Anvisa. 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