{"id":8177,"date":"2024-11-27T16:38:20","date_gmt":"2024-11-27T19:38:20","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2024\/11\/27\/preservar-para-evoluir-marco-civil-e-o-futuro-do-ecossistema-digital\/"},"modified":"2024-11-27T16:38:20","modified_gmt":"2024-11-27T19:38:20","slug":"preservar-para-evoluir-marco-civil-e-o-futuro-do-ecossistema-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2024\/11\/27\/preservar-para-evoluir-marco-civil-e-o-futuro-do-ecossistema-digital\/","title":{"rendered":"Preservar para evoluir: Marco Civil e o futuro do ecossistema digital"},"content":{"rendered":"<p><span><span><span>Nesta quarta-feira (27), o Supremo Tribunal Federal poder\u00e1 alterar profundamente o equil\u00edbrio do ambiente digital brasileiro. <\/span><\/span><\/span><span><span><span>N\u00e3o \u00e9 exagero: <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/stf\/do-supremo\/ao-vivo-stf-julgamento-do-artigo-19-do-marco-civil-da-internet\">o julgamento sobre a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet\u00a0definir\u00e1 como lidaremos com conte\u00fados problem\u00e1ticos nas redes sociais<\/a><\/span><\/span><\/span><span><span><span> nos\u00a0pr\u00f3ximos anos, e pode desencadear efeitos em cadeia em todo ecossistema online.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span>A decis\u00e3o ter\u00e1 impacto direto n\u00e3o apenas para as grandes plataformas, mas tamb\u00e9m para startups, influenciadores digitais e, principalmente, sobre a <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/liberdade-de-expressao\">liberdade de express\u00e3o<\/a> de usu\u00e1rios e usu\u00e1rias na internet.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span>Para entender a dimens\u00e3o do caso, o RegLab realizou <\/span><\/span><\/span><span><span>um dos maiores levantamentos j\u00e1 feitos sobre um processo do STF<\/span><\/span><span><span><span>. Realizamos uma an\u00e1lise sistem\u00e1tica de conte\u00fado em uma verdadeira ecologia de 87 documentos, incluindo 46 manifesta\u00e7\u00f5es em audi\u00eancias p\u00fablicas, mapeando quase 400 argumentos de 56 entidades.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span>Essa abordagem metodol\u00f3gica permitiu identificar n\u00e3o apenas as posi\u00e7\u00f5es dominantes, mas tamb\u00e9m nuances e tend\u00eancias emergentes, e os resultados revelam muito sobre a emerg\u00eancia clim\u00e1tica do julgamento.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias\">Assine a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias para receber a cobertura exclusiva do julgamento do artigo 19 pelo STF<\/a><\/h3>\n<p><span><span><span>O artigo 19 estabelece que plataformas digitais s\u00f3 podem ser responsabilizadas por conte\u00fado de terceiros se n\u00e3o cumprirem uma ordem judicial de remo\u00e7\u00e3o<\/span><\/span><\/span><span><span><span>. \u00c9 o chamado \u201c<\/span><\/span><\/span><span><span><span>judicial notice and takedown<\/span><\/span><\/span><span><span><span>\u201c, modelo que foi adotado ap\u00f3s intensos debates durante a elabora\u00e7\u00e3o do Marco Civil da Internet, sendo considerado um equil\u00edbrio entre a necessidade de combater conte\u00fados il\u00edcitos e a prote\u00e7\u00e3o da liberdade de express\u00e3o.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span>Celebrado na \u00e9poca de sua publica\u00e7\u00e3o em 2014, o modelo brasileiro foi considerado uma refer\u00eancia global e estabeleceu o pa\u00eds como l\u00edder na governan\u00e7a da internet. No mesmo ano, em novembro, uma a\u00e7\u00e3o judicial em Capivari (SP) sobre a remo\u00e7\u00e3o de um perfil falso no Facebook iniciou o primeiro grande teste do Marco Civil.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span>Um ano depois, quando o TJSP decidiu contra a empresa, declarando o art. 19 inconstitucional, o Facebook recorreu ao STF que, em 2018, elevou o caso a um <\/span><\/span><\/span><span><span><span>leading case<\/span><\/span><\/span><span><span><span> de repercuss\u00e3o geral \u2014 ou seja, os efeitos de seu julgamento ser\u00e3o aplicados a casos semelhantes em tribunais de todo o Brasil.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span>Al\u00e9m das empresas do setor, dezenas de associa\u00e7\u00f5es de defesa de direitos digitais e centros de pesquisa acad\u00eamica contribu\u00edram como <\/span><\/span><\/span><span><span><span>amici curiae <\/span><\/span><\/span><span><span><span>no processo, participando tamb\u00e9m de dois dias de audi\u00eancias p\u00fablicas promovidas pelo STF, em 2023. O mais interessante? A <\/span><\/span><\/span><span><span><span>sociedade civil e a academia, geralmente cr\u00edticas \u00e0s <\/span><\/span><\/span><span><span><span>big techs<\/span><\/span><\/span><span><span><span>, majoritariamente defenderam a constitucionalidade do artigo<\/span><\/span><\/span><span><span><span>. E n\u00e3o por acaso: segundo o estudo do Reglab, os defensores da constitucionalidade apresentaram a maior diversidade de argumentos, com boa base emp\u00edrica.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span>Do outro lado, <\/span><\/span><\/span><span><span><span>argumentos pela inconstitucionalidade foram menos variados e raramente trouxeram dados concretos.<\/span><\/span><\/span><span><span><span> Setores como radiodifus\u00e3o e m\u00eddia impressa aproveitaram o debate para discutir concorr\u00eancia com plataformas digitais \u2013 uma pauta leg\u00edtima, mas que n\u00e3o faz parte do cerne da quest\u00e3o.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span>Mas o debate e o ecossistema da internet\u00a0evolu\u00edram.\u00a0<\/span><\/span><\/span><span><span><span>Hoje, al\u00e9m das posi\u00e7\u00f5es tradicionais, surge uma nova esp\u00e9cie, a possibilidade de \u201cinterpreta\u00e7\u00e3o conforme a Constitui\u00e7\u00e3o\u201d<\/span><\/span><\/span><span><span><span> \u2013 que representou 25% das manifesta\u00e7\u00f5es e\u00a0surgiu\u00a0com for\u00e7a a partir de 2023,\u00a0ap\u00f3s os\u00a0ataques de 8 de janeiro.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span>A \u201cinterpreta\u00e7\u00e3o conforme\u201d surge como uma tentativa de adapta\u00e7\u00e3o evolutiva:<\/span><\/span><\/span><span><span><span> uma muta\u00e7\u00e3o artificial do sistema atual, provocada pelo STF, para sobreviver \u00e0s novas amea\u00e7as da fauna digital. <\/span><\/span><\/span><span><span><span>A ideia \u00e9 preservar o artigo 19, mas adaptar sua interpreta\u00e7\u00e3o para exigir a\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida das plataformas em casos espec\u00edficos<\/span><\/span><\/span><span><span><span> \u2013 semelhante ao que j\u00e1 ocorre com conte\u00fados de direito autoral e fotos \u00edntimas sem consentimento, exce\u00e7\u00f5es previstas no art. 21.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span>Contudo, algumas propostas de \u201cinterpreta\u00e7\u00e3o conforme\u201d s\u00e3o preocupantes<\/span><\/span><\/span><span><span><span>. Criar obriga\u00e7\u00f5es procedimentais detalhadas ou estabelecer deveres gen\u00e9ricos de cuidado pode gerar inseguran\u00e7a jur\u00eddica t\u00e3o prejudicial quanto a declara\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade. O pr\u00f3prio argumento de que o \u201cdever de cuidado\u201d \u00e9 algo que j\u00e1 existe na Uni\u00e3o Europeia \u00e9, al\u00e9m de revelar tend\u00eancias colonialistas, falacioso: por l\u00e1, essas obriga\u00e7\u00f5es existem para conter viola\u00e7\u00f5es em massa de direitos, e n\u00e3o para julgar casos individuais e espec\u00edficos. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span>O caminho mais prudente seria manter a estrutura do artigo 19, que se mostrou resiliente e democr\u00e1tica, estabelecendo exce\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, objetivas e limitadas a casos verdadeiramente graves, <\/span><\/span><\/span><span><span><span>como terrorismo, grave atentado ao Estado de Direito, ou incita\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio. Quest\u00f5es envolvendo honra e reputa\u00e7\u00e3o, por exemplo, devem permanecer sob o regime atual, com o objetivo de preservar a liberdade de express\u00e3o e a legitimidade do Judici\u00e1rio para casos complexos.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span>A evolu\u00e7\u00e3o natural da internet mostra que interven\u00e7\u00f5es artificiais, fragmentadas, tendem a desequilibrar o ecossistema.<\/span><\/span><\/span><span><span><span> Precisamos de mecanismos regulat\u00f3rios que evoluam organicamente atrav\u00e9s do debate democr\u00e1tico \u2013 como o Marco Civil, fruto de um processo colaborativo. A pesquisa do RegLab demonstra que <\/span><\/span><\/span><span><span><span>o artigo 19 possui essa caracter\u00edstica adaptativa: \u00e9 uma norma que\u00a0evolui\u00a0e se\u00a0adapta\u00a0a diferentes demandas sem perder sua fun\u00e7\u00e3o essencial no sistema.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p><span><span><span>Agora, o\u00a0STF enfrenta o desafio de qualquer guardi\u00e3o de um ecossistema complexo: <\/span><\/span><\/span><span><span><span>encontrar o ponto ideal de interven\u00e7\u00e3o, sem causar desequil\u00edbrios em cadeia nem impedir a adapta\u00e7\u00e3o natural do sistema.<\/span><\/span><\/span><span><span><span> O futuro do ambiente digital brasileiro depende dessa calibragem.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias\">Assine a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias para receber a cobertura exclusiva do julgamento do artigo 19 pelo STF<\/a><\/h3>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta quarta-feira (27), o Supremo Tribunal Federal poder\u00e1 alterar profundamente o equil\u00edbrio do ambiente digital brasileiro. 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