{"id":8010,"date":"2024-11-08T20:16:27","date_gmt":"2024-11-08T23:16:27","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2024\/11\/08\/adi-2-135-e-harmonizacao-constitucional\/"},"modified":"2024-11-08T20:16:27","modified_gmt":"2024-11-08T23:16:27","slug":"adi-2-135-e-harmonizacao-constitucional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2024\/11\/08\/adi-2-135-e-harmonizacao-constitucional\/","title":{"rendered":"ADI 2.135 e harmoniza\u00e7\u00e3o constitucional"},"content":{"rendered":"<p><span>H\u00e1 quem desconfie da rela\u00e7\u00e3o harmoniosa existente entre o Poder Judici\u00e1rio e o Poder Legislativo, a despeito de positiva\u00e7\u00e3o no texto constitucional neste sentido. Por outro lado, \u00e9 certo que a tens\u00e3o n\u00e3o \u00e9 onipresente \u2013 e \u00e9 justamente o que se verifica na compreens\u00e3o do regime jur\u00eddico de servidores integrantes da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, sedimentado recentemente na <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=11299\">ADI 2.135<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><span>Sabe-se que, na origem, o artigo 39 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal previa o regime jur\u00eddico \u00fanico no \u00e2mbito da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica Direta, aut\u00e1rquica e fundacional. Por for\u00e7a de justificativas de ordem burocr\u00e1tica, t\u00e9cnica, pol\u00edtica e social, foi editada a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/Emendas\/Emc\/emc19.htm\">Emenda Constitucional n\u00ba 19\/1998<\/a>, que alterou a reda\u00e7\u00e3o do dispositivo, para extinguir o regime jur\u00eddico \u00fanico e permitir a coexist\u00eancia de servidores estatut\u00e1rios e celetistas nas pessoas jur\u00eddicas de direito p\u00fablico integrantes da Administra\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span>Este foi cen\u00e1rio vigente at\u00e9 2007, quando o <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/stf\">Supremo Tribunal Federal<\/a> concedeu medida cautelar na ADI 2.135, em raz\u00e3o de suposta inconstitucionalidade formal no processo legislativo que resultou na elabora\u00e7\u00e3o da EC n\u00ba 19\/98, para suspender seus efeitos, o que acarretou o reestabelecimento do regime jur\u00eddico \u00fanico.<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-por-dentro-da-maquina\">Quer saber os principais fatos ligados ao servi\u00e7o p\u00fablico? 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Ainda, foi esclarecido que, enquanto n\u00e3o fosse editada pelo Estado norma espec\u00edfica instituindo o regime jur\u00eddico \u00fanico de seus servidores da administra\u00e7\u00e3o direta, aut\u00e1rquica e fundacional, n\u00e3o seria poss\u00edvel censurar as normas que estipulassem um ou outro regime.<\/span><\/p>\n<p><span>Outro caso paradigm\u00e1tico \u00e9 a <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=4828140\">ADI 5.367<\/a>, na qual a Corte entendeu que os Conselhos Profissionais, autarquias federais, poderiam contratar funcion\u00e1rios pelo regime da CLT, dada sua natureza <\/span><span>sui generis<\/span><span> de pessoa jur\u00eddica de direito p\u00fablico n\u00e3o estatal. Ainda, cita-se a <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=2680930\">ADI 4.247<\/a>, em que o Supremo entendeu pela constitucionalidade de lei que disp\u00f5e sobre a cria\u00e7\u00e3o de funda\u00e7\u00e3o p\u00fablica com personalidade jur\u00eddica de direito privado, destinada \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de sa\u00fade, observado o regime jur\u00eddico da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Soma-se \u00e0 lista o precedente firmado no <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=4005451\">RE 633.782<\/a>, no qual o Tribunal entendeu inexistente qualquer incompatibilidade entre o regime celetista nas estatais prestadoras de servi\u00e7o p\u00fablico em regime de monop\u00f3lio e o exerc\u00edcio de atividade de pol\u00edcia administrativa pelos seus empregados, \u00e0 luz do <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/jurisprudenciaRepercussao\/tema.asp?num=532\">Tema 532<\/a> da repercuss\u00e3o geral. <\/span><\/p>\n<p><span>Destacou-se que o regime celetista aplicado \u00e0 administra\u00e7\u00e3o indireta possui caracter\u00edsticas que afastam o argumento da instabilidade de empregados p\u00fablicos, tais como a regra do concurso p\u00fablico, a dispensa motivada, al\u00e9m dos princ\u00edpios constitucionais que norteiam a atua\u00e7\u00e3o administrativa. Corrobora esta conclus\u00e3o o recente entendimento da Corte no bojo do <a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/processos\/detalhe.asp?incidente=4245763\">RE 688.267<\/a>, segundo o qual as estatais, sejam prestadoras de servi\u00e7o p\u00fablico ou exploradoras de atividade econ\u00f4mica, t\u00eam o dever jur\u00eddico de motivar a demiss\u00e3o de seus empregados concursados.<\/span><\/p>\n<p><span>Em clara harmonia, no ano de 2019, a <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2019-2022\/2019\/Lei\/L13822.htm\">Lei 13.822\/2019<\/a> alterou a reda\u00e7\u00e3o do artigo 6\u00ba, \u00a72\u00ba, da <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2005\/lei\/l11107.htm\">Lei 11.107\/2005<\/a>, que disp\u00f5e sobre a contrata\u00e7\u00e3o de cons\u00f3rcios p\u00fablicos. A partir disso, o referido dispositivo passou a prever que o cons\u00f3rcio p\u00fablico, com personalidade jur\u00eddica de direito p\u00fablico ou privado, ter\u00e1 seu pessoal regido pela CLT.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Nesta perspectiva, estreitadas as justificativas que afastavam o regime celetista da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, a supera\u00e7\u00e3o do regime jur\u00eddico \u00fanico tornou-se previs\u00edvel. Dezessete anos depois, <\/span><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/stf\/do-supremo\/stf-julga-constitucional-flexibilizacao-de-regime-de-contratacao-de-servidores\"><span>o Supremo concluiu definitivamente, no bojo da ADI 2.135<\/span><\/a><span>, pela inexist\u00eancia de inconstitucionalidade formal na elabora\u00e7\u00e3o da EC n\u00ba 19\/98. Independentemente de estar certa ou <\/span><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/artigos\/o-julgamento-da-adi-2135-e-o-fim-do-regime-juridico-unico-o-stf-errou\"><span>errada a decis\u00e3o do ponto de vista do procedimento legislativo<\/span><\/a><span>, o Judici\u00e1rio parece ter veiculado a tend\u00eancia dos \u00faltimos tempos, inclusive do Legislativo. H\u00e1 um n\u00edtido di\u00e1logo institucional.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>O impacto dessa decis\u00e3o \u00e9 incalcul\u00e1vel para o momento, inclusive para a pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o administrativa. A t\u00edtulo de exemplo, em decorr\u00eancia da extin\u00e7\u00e3o da obrigatoriedade do RJU, as sempre contestadas funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de direito privado devem desaparecer. Afinal, o que justificar\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o de tais entidades diante da possibilidade de contrata\u00e7\u00e3o de celetistas nas funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de direito p\u00fablico? O Executivo ser\u00e1 obrigado a se reorganizar.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\">Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, uma plataforma de monitoramento pol\u00edtico e regulat\u00f3rio que oferece mais transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/a><\/h3>\n<p><span>A decis\u00e3o n\u00e3o tem o cond\u00e3o de atingir carreiras t\u00edpicas de Estado, no entanto, abarca uma s\u00e9rie de atividades que poder\u00e3o ser exercidas por celetistas, servidores p\u00fablicos estatut\u00e1rios ou, simultaneamente, pelos dois. Nesta medida, a problem\u00e1tica n\u00e3o decorre do fim do regime jur\u00eddico \u00fanico em si, mas de eventual multiplica\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es de coexist\u00eancia de regimes para o desempenho de fun\u00e7\u00f5es id\u00eanticas, o que implica em distin\u00e7\u00f5es remunerat\u00f3rias, al\u00e9m de direitos e vantagens. <\/span><\/p>\n<p><span>Este \u00e9 o cen\u00e1rio que se identifica nas circunst\u00e2ncias em que h\u00e1 funda\u00e7\u00f5es ou organiza\u00e7\u00f5es sociais que administram hospitais p\u00fablicos. Sabe-se que o inverso tamb\u00e9m acontece: casos em que os celetistas pleiteiam benef\u00edcios estatut\u00e1rios. Os pedidos de equipara\u00e7\u00e3o com caracter\u00edsticas cada vez mais estranhas tendem a se multiplicar. Este \u00e9 o desafio que enfrentar\u00e3o os Tr\u00eas Poderes nos pr\u00f3ximos tempos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Sem a pretens\u00e3o de exercitar a futurologia, parece recomend\u00e1vel que, na conjuntura acima mencionada, haja a ado\u00e7\u00e3o uniforme de um \u00fanico regime jur\u00eddico, a partir da iniciativa do Executivo, seja estatut\u00e1rio ou celetista, a fim de evitar disparidades expressivas de remunera\u00e7\u00e3o e outros direitos funcionais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Seja como for, os pr\u00f3ximos desafios perpassam o cumprimento dialogado do artigo 2\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, s\u00e3o poderes harm\u00f4nicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judici\u00e1rio.<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quem desconfie da rela\u00e7\u00e3o harmoniosa existente entre o Poder Judici\u00e1rio e o Poder Legislativo, a despeito de positiva\u00e7\u00e3o no texto constitucional neste sentido. Por outro lado, \u00e9 certo que a tens\u00e3o n\u00e3o \u00e9 onipresente \u2013 e \u00e9 justamente o que se verifica na compreens\u00e3o do regime jur\u00eddico de servidores integrantes da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, sedimentado [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8010"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8010"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8010\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8010"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8010"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8010"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}