{"id":7187,"date":"2024-07-26T17:18:14","date_gmt":"2024-07-26T20:18:14","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2024\/07\/26\/gasto-tributario-no-brasil-e-uma-aberracao-diz-padovani-do-banco-bv\/"},"modified":"2024-07-26T17:18:14","modified_gmt":"2024-07-26T20:18:14","slug":"gasto-tributario-no-brasil-e-uma-aberracao-diz-padovani-do-banco-bv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2024\/07\/26\/gasto-tributario-no-brasil-e-uma-aberracao-diz-padovani-do-banco-bv\/","title":{"rendered":"Gasto tribut\u00e1rio no Brasil \u00e9 uma \u2018aberra\u00e7\u00e3o\u2019, diz Padovani, do banco BV"},"content":{"rendered":"<div class=\"Am aiL Al LW-avf tS-tW tS-tY\">\n<p>O economista-chefe do Banco Votorantim, Roberto Padovani, avalia que um dos focos da pol\u00edtica fiscal deveria ser a redu\u00e7\u00e3o dos chamados \u201cgastos tribut\u00e1rios\u201d, ren\u00fancias fiscais que na leitura dele t\u00eam pouca efic\u00e1cia e concentram renda. \u201cO que a olhos vistos \u00e9 uma aberra\u00e7\u00e3o? Essa hist\u00f3ria do gasto tribut\u00e1rio\u201d, afirmou Padovani em entrevista ao <strong><span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/strong>.<\/p>\n<p>Ele considera que, al\u00e9m dos benef\u00edcios tribut\u00e1rios, o gasto p\u00fablico no pa\u00eds \u00e9 altamente concentrador de renda e sua redu\u00e7\u00e3o deveria entrar para valer na agenda do governo, ainda que reconhe\u00e7a as dificuldades pol\u00edticas para isso avan\u00e7ar. \u201cO gasto p\u00fablico no Brasil concentra renda. Voc\u00ea aumenta gastos para dar subs\u00eddios para empres\u00e1rios e cr\u00e9dito para grandes empresas, alguns programas sociais s\u00e3o mal focalizados, h\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de renda para classe m\u00e9dia\u201d, disse.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder%20?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\">Tenha acesso ao <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, uma plataforma de monitoramento pol\u00edtico com informa\u00e7\u00f5es de bastidores que oferece mais transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas. Conhe\u00e7a!<\/a><\/h3>\n<p>O economista diz que h\u00e1 uma prefer\u00eancia clara do presidente <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/lula\">Lula<\/a> por gasto p\u00fablico, o que acaba por estimular que o congresso e outros agentes, como servidores p\u00fablicos, entes federativos, tamb\u00e9m demandem mais gastos. Isso leva ao que ele chama de \u201cuma coaliz\u00e3o pr\u00f3-gasto no Brasil\u201d. A consequ\u00eancia, explica, \u00e9 que o teto de gastos do novo arcabou\u00e7o deve durar tr\u00eas ou quatro anos. \u201cEu n\u00e3o vejo essa regra fiscal tendo f\u00f4lego para permanecer com muitos mandatos presidenciais\u201d, defendeu.<\/p>\n<p><strong>Esta \u00e9 a segunda entrevista da s\u00e9rie Cen\u00e1rio Macroecon\u00f4mico. Confira a primeira:<\/strong><\/p>\n<p><strong>+<span class=\"jota\">JOTA<\/span>: <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tributos-e-empresas\/mercado\/corte-de-gastos-foi-bom-mas-longe-do-necessario-diz-solange-srour-do-ubs-wealth-19072024\">\u2018Corte de gastos foi bom, mas longe do necess\u00e1rio\u2019, diz Solange Srour, do UBS Wealth<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Padovani \u00a0considerou que o corte de R$ 15 bilh\u00f5es de gastos para 2024 anunciado pelo governo recentemente foi um sinal positivo de maior comprometimento com as regras fiscais e em equilibrar as contas p\u00fablicas. \u201cO esfor\u00e7o do governo \u00e9 correto nesse momento para sinalizar que \u201cestamos empenhados e vamos fazer o melhor poss\u00edvel\u201d. Isso ajuda a segurar o pre\u00e7o dos ativos e manter a economia relativamente bem e comportada\u201d, disse. O valor, contudo, est\u00e1 bem abaixo dos R$ 50 bilh\u00f5es que sua equipe calcula como necess\u00e1rio para alcan\u00e7ar a meta de prim\u00e1rio e ficar dentro do teto de gastos.<\/p>\n<p>Na entrevista, que faz parte de uma s\u00e9rie do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> sobre a conjuntura econ\u00f4mica e os cen\u00e1rios para o pa\u00eds, o economista tamb\u00e9m abordou a sucess\u00e3o no Banco Central, o cen\u00e1rio de manuten\u00e7\u00e3o da taxa de juros para o curto prazo e apontou que o crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o deve ficar muito superior a 2% nesse e no pr\u00f3ximo ano, embora reconhe\u00e7a que os modelos macroecon\u00f4micos ainda estejam errando muito. Confira os principais trechos:<\/p>\n<h3>Corte de R$ 15 bilh\u00f5es em 2024<\/h3>\n<p>Tem uma leitura positiva e uma negativa. A positiva \u00e9 que o governo est\u00e1 empenhado em entregar um contingenciamento\/bloqueio. O discurso da equipe econ\u00f4mica \u00e9 de comprometimento com a regra fiscal. [Lembrando que] Havia uma previs\u00e3o no come\u00e7o do ano de que agora em julho ou agosto j\u00e1 estar\u00edamos abandonando as regras fiscais.<\/p>\n<p>O lado negativo \u00e9 que tanto o bloqueio como o contingenciamento feitos parecem insuficientes. As proje\u00e7\u00f5es dos economistas t\u00eam mostrado uma dispers\u00e3o muito grande, e isso \u00e9 devido ao comportamento das receitas. Olhando a quest\u00e3o do [resultado] prim\u00e1rio e a quest\u00e3o do teto de gastos, n\u00f3s consideramos que seria necess\u00e1rio um contingenciamento entre R$ 50 e 60 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Um primeiro desafio grande para 2024 \u00e9 confirmar as receitas que o governo est\u00e1 sinalizando. Em segundo, entender se iremos conseguir reduzir o ritmo de crescimento das despesas. Elas est\u00e3o elevadas porque alguns grupos como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o est\u00e3o sendo reajustados pela receita, ou seja, n\u00e3o est\u00e3o obedecendo a regra do arcabou\u00e7o, al\u00e9m da indexa\u00e7\u00e3o de programas sociais e Previd\u00eancia. Portanto, apesar do sinal positivo do governo estar empenhado em equilibrar as contas p\u00fablicas, voc\u00ea tem um desafio muito grande e \u00e9 por isso que o impacto [da conten\u00e7\u00e3o] no pre\u00e7o dos ativos foi moderado. Est\u00e1 todo mundo olhando mais para frente do que para o an\u00fancio especificamente.<\/p>\n<h3>Meta fiscal<\/h3>\n<p>Em uma resposta fria, mirar o limite inferior da meta de resultado prim\u00e1rio \u00e9 negativo, porque voc\u00ea teria que, neste momento, fazer um esfor\u00e7o fiscal maior para tentar equilibrar a d\u00edvida. Mas temos que lembrar que o contexto importa. Nesse momento h\u00e1 um d\u00e9ficit de credibilidade, discuss\u00f5es ideol\u00f3gicas, elei\u00e7\u00f5es apertadas, e tudo isso estimula o gasto. Ent\u00e3o, nesse contexto, acho que est\u00e1 tudo bem alcan\u00e7ar o limite inferior da meta. No final, o que vai valer n\u00e3o \u00e9 se voc\u00ea chegou no centro ou no limite inferior, \u00e9 se o governo est\u00e1 caminhando na dire\u00e7\u00e3o correta. O que seria ruim \u00e9 uma percep\u00e7\u00e3o de que o governo n\u00e3o teria compromisso de alcan\u00e7ar resultados prim\u00e1rios e, portanto, de estabilizar a d\u00edvida.<\/p>\n<h3>Teto de gastos e arcabou\u00e7o fiscal<\/h3>\n<p>Temos uma tarefa gigantesca como sociedade que \u00e9 enfrentar a estrutura de gastos do Estado. O governo Temer foi o primeiro a fazer isso com o teto de gastos. Para n\u00f3s, economistas, \u00a0o teto foi uma ideia maravilhosa pois imaginamos que, quando as despesas batessem no seu limite, o sistema pol\u00edtico iria reagir e fazer escolhas. Mas n\u00e3o foi isso que aconteceu. Durante seus seis anos de dura\u00e7\u00e3o, o que vimos o tempo todo \u00a0foi o esfor\u00e7o pol\u00edtico dedicado para driblar a regra.<\/p>\n<p>Com o arcabou\u00e7o, temos de novo um teto de gastos, por\u00e9m mais flex\u00edvel, o que eu acho mais inteligente. Mas ele n\u00e3o vai parar em p\u00e9, assim como n\u00e3o parou o teto, se n\u00f3s n\u00e3o fizermos uma revis\u00e3o nas regras da indexa\u00e7\u00e3o das despesas ou mudan\u00e7a na estrutura de gastos do Estado. Uma reforma administrativa, um ajuste na reforma previdenci\u00e1ria na quest\u00e3o dos militares, por exemplo.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias\">Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas diariamente no seu email<\/a><\/h3>\n<p>O que n\u00f3s economistas gostar\u00edamos \u00e9 que o teto de gastos da forma atual fosse um incentivo para que o governo fizesse ajustes. Por\u00e9m, nesse momento, isso vai ser muito dif\u00edcil. Primeiro porque tem uma prefer\u00eancia por gasto p\u00fablico. O presidente tem deixado isso claro quando diferencia gasto e investimento, no fundo ele est\u00e1 fazendo uma defesa pelo gasto. Quando o l\u00edder m\u00e1ximo de um pa\u00eds defende uma agenda, as pessoas acreditam nela. Ent\u00e3o provavelmente voc\u00ea vai estimular que o congresso e outros agentes, servidores p\u00fablicos, entes federativos, tamb\u00e9m demandam mais gastos. O que voc\u00ea est\u00e1 fazendo na verdade \u00e9 construindo uma coaliz\u00e3o pr\u00f3-gasto no Brasil, por raz\u00f5es ideol\u00f3gicas e por raz\u00f5es de c\u00e1lculo pol\u00edtico.<\/p>\n<p>O que aprendemos em ci\u00eancia pol\u00edtica \u00e9 que voc\u00ea tem o seguinte ciclo pol\u00edtico nas principais democracias: quando se ganha elei\u00e7\u00e3o, voc\u00ea arruma a casa e ent\u00e3o sobram recursos para gastar na segunda parte do mandato, de olho na pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o. Aqui invertemos essa l\u00f3gica (corretamente, na minha vis\u00e3o) por raz\u00f5es peculiares de um momento de polariza\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o o governo j\u00e1 aumentou gastos logo que foi eleito. Ent\u00e3o voc\u00ea tem uma prefer\u00eancia por gasto, em um momento eleitoral dif\u00edcil, com elei\u00e7\u00f5es disputadas.<\/p>\n<p>Sobre a durabilidade do arcabou\u00e7o, acho que ele n\u00e3o acaba r\u00e1pido, mas n\u00e3o vejo tendo f\u00f4lego para permanecer com muitos mandatos presidenciais. Vai durar tr\u00eas ou quatro anos. \u00a0Digo isso porque a estrat\u00e9gia do governo \u00e9 postergar qualquer decis\u00e3o radical. Se voc\u00ea muda as regras fiscais neste momento, voc\u00ea gera uma desancoragem dos ativos financeiros, principalmente c\u00e2mbio e juros, e isso impacta o crescimento, emprego \u00a0e quest\u00f5es de consumo. A popularidade do governo cairia em um momento de prepara\u00e7\u00e3o para uma elei\u00e7\u00e3o presidencial. Por isso, acho que a estrat\u00e9gia mais adequada nesse momento \u00e9 empurrar com a barriga. \u00c9 fazer todo o esfor\u00e7o poss\u00edvel, dadas as exce\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, para voc\u00ea manter a regra.<\/p>\n<h3>Revis\u00e3o de gastos e benef\u00edcios tribut\u00e1rios<\/h3>\n<p>A quest\u00e3o da mudan\u00e7a constitucional da sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais complicada. Mas eventualmente voc\u00ea indexar alguns programas sociais pela infla\u00e7\u00e3o e n\u00e3o pelo sal\u00e1rio m\u00ednimo eu acho que faz sentido. Mas isso n\u00e3o resolve a hist\u00f3ria, o que poderia resolver \u00e9 que nos \u00faltimos 20 anos, n\u00f3s acumulamos gastos tribut\u00e1rios gigantescos. O ministro Fernando Haddad tem falado isso com frequ\u00eancia e ele tem toda raz\u00e3o no sentido de que h\u00e1 espa\u00e7o para rever pol\u00edticas p\u00fablicas e portanto diria que trazer alguma racionalidade na concess\u00e3o de benef\u00edcios e subs\u00eddios.<\/p>\n<p>Zona Franca de Manaus, cesta b\u00e1sica, Simples, essas coisas n\u00e3o v\u00e3o ser alteradas. Mas teria alguma coisa para ser feita se o Executivo comprasse a tese de que precisamos focalizar mais o uso do dinheiro p\u00fablico. Por\u00e9m, como falei, \u00e9 simples falar \u201c\u00e9 s\u00f3 cortar o gasto tribut\u00e1rio\u201d sem considerar a parte pol\u00edtica. Sempre se acha que tem uma conta esquecida e quando voc\u00ea mexe nela, aparece o dono.<\/p>\n<p>O discurso para defender essa tese est\u00e1 pronto: o gasto p\u00fablico no Brasil concentra renda. Voc\u00ea aumenta gastos [fiscais] para dar subs\u00eddios para empres\u00e1rios e cr\u00e9dito para grandes empresas, alguns programas sociais s\u00e3o mal focalizados, h\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de renda para classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea tem uma expans\u00e3o fiscal desordenada, isso tudo acaba pressionando a d\u00edvida, pressiona os juros. E quem ganha com juros elevados no Brasil? Rentistas, quem tem dinheiro. A melhor pol\u00edtica de transfer\u00eancia de renda hoje no Brasil, um pa\u00eds desigual, \u00e9 focalizar em quem precisa e com isso sobrar recursos para fazer uma oferta de bens p\u00fablicos de boa qualidade.<\/p>\n<p>Um exemplo pr\u00e1tico dessa dificuldade \u00e9 a [desonera\u00e7\u00e3o da] folha de pagamentos. O que estamos fazendo \u00e9 escolher uma parcela de alta renda da sociedade para receber transfer\u00eancia de recursos p\u00fablicos. Em pa\u00eds desigual como o nosso uma pol\u00edtica dessas faz sentido? N\u00e3o. O problema \u00e9 que o governo vai ter que enfrentar o lobby, que \u00e9 alto no congresso. Nesse caso, ele enfrentou e perdeu. O que a olhos vistos \u00e9 uma aberra\u00e7\u00e3o? Essa hist\u00f3ria do gasto tribut\u00e1rio.<\/p>\n<h3>Rumos da pol\u00edtica monet\u00e1ria<\/h3>\n<p>Tenho colegas de mercado dizendo que voc\u00ea tem que subir a taxa de juros \u2013 eu n\u00e3o estou nesse time. Quando eu fa\u00e7o nossas contas, os 10,5% me parecem adequados. Acho que \u00e9 o que vai acontecer e \u00e9 o que deveria acontecer.<\/p>\n<p>De novo, tem a fronteira entre economia e pol\u00edtica. Eu estou aqui rodando meus modelos, fazendo as contas, acho que a taxa est\u00e1 equilibrada. Agora se coloque na cadeira do presidente do Banco Central. Voc\u00ea ter\u00e1 que tomar uma decis\u00e3o em um contexto pol\u00edtico complicado, em que repetidamente o governo vem criticando a autoridade monet\u00e1ria desde o in\u00edcio do mandato. Ent\u00e3o nesse momento, pr\u00e9 eleitoral, voc\u00ea vai subir taxa de juros? N\u00e3o faz sentido.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma pol\u00edtica monet\u00e1ria apertada, mas que faz sentido porque teremos uma mudan\u00e7a no comando do BC em dezembro. Vamos supor que esse BC n\u00e3o fizesse c\u00e1lculo pol\u00edtico e colocasse a taxa em 12%. O mercado n\u00e3o iria melhorar porque ele saberia que o pr\u00f3ximo presidente do BC reduziria essa taxa. \u00a0Temos um \u201cdia D\u201d que \u00e9 a mudan\u00e7a de comando do BC e isso est\u00e1 fazendo diferen\u00e7a. Isso se conecta com a pol\u00edtica econ\u00f4mica, pois esse governo vem defendendo a expans\u00e3o fiscal, criticando a autonomia do BC, meta de infla\u00e7\u00e3o e taxa de juros.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos um passado complicado, em especial na gest\u00e3o de 2006 at\u00e9 2014\u2026Todo mundo faz a conta de que o pr\u00f3ximo BC vai ser mais leniente e aceitar uma infla\u00e7\u00e3o mais alta. Ent\u00e3o n\u00e3o interessa o que o BC fa\u00e7a agora, ele n\u00e3o vai reancorar as expectativas. Ao manter as taxas de juros elevadas, ele est\u00e1 ajudando o pr\u00f3ximo presidente do BC, que ter\u00e1 que fazer uma outra parte da tarefa que n\u00e3o \u00e9 subir juros, mas sim reafirmar seu compromisso com o centro da meta.<\/p>\n<p>Ajudaria muito se o governo tivesse um discurso pol\u00edtico de maior comprometimento com a meta fiscal tamb\u00e9m\u2026O pr\u00f3ximo presidente do BC vai fazer um esfor\u00e7o para construir reputa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o n\u00e3o vai sair cortando imediatamente a taxa de juros, mas h\u00e1 espa\u00e7o no pr\u00f3ximo mandato [do presidente do BC] para a Selic cair a 9,5%.<\/p>\n<h3>Sucess\u00e3o no Banco Central<\/h3>\n<p>Os indicados at\u00e9 o momento s\u00e3o nomes respeitados no mercado, n\u00e3o d\u00e1 para dizer que tivemos indica\u00e7\u00f5es ruins. [O diretor de pol\u00edtica monet\u00e1ria Gabriel] Gal\u00edpolo tem um discurso arrumado, alinhado com o que o mercado pensa, veio do setor privado financeiro. Paulo Pichetti \u00e9 uma refer\u00eancia. Ent\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 pra dizer que teremos um cavalo de pau na pol\u00edtica monet\u00e1ria. A gente tende a olhar o nome, a institui\u00e7\u00e3o, mas o que ajudaria muito o pr\u00f3ximo presidente do BC, seja quem for, \u00e9 uma pol\u00edtica fiscal um pouco mais arrumada. Isso faz toda diferen\u00e7a para reancorar as expectativas. Se \u00a0deixarmos esse pr\u00f3ximo presidente brigando sozinho com expans\u00e3o fiscal, d\u00edvida em alta, dificilmente o BC ter\u00e1 instrumentos para controlar as expectativas de infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Avalia\u00e7\u00e3o do governo e do programa econ\u00f4mico<\/h3>\n<p>A gente tem essa hist\u00f3ria de separar o ciclo econ\u00f4mico por mandatos presidenciais, mas a coisa n\u00e3o funciona assim. O que temos visto no Brasil hoje \u00e9 que as reformas que foram feitas entre 2016 e 2021, incluindo a reforma tribut\u00e1ria agora, foram reformas absolutamente importantes. Reformas s\u00e3o dif\u00edceis de serem feitas em qualquer pa\u00eds. \u00c9 uma coisa espetacular o que aconteceu com o Brasil.<\/p>\n<p>Esse governo entregou reforma tribut\u00e1ria. Se voc\u00ea me perguntasse no fim de 2022 se ela sairia, minha resposta seria n\u00e3o. Todo esse esfor\u00e7o dos \u00faltimos anos est\u00e1 sendo revertido em um desempenho econ\u00f4mico melhor. O PIB potencial que era 1% ou 1,5%, agora discutimos se \u00e9 2% ou 2,5%.<\/p>\n<p>O desempenho do setor exportador tamb\u00e9m \u00e9 surpreendente. O agroneg\u00f3cio \u00e9 sempre um destaque de produtividade e o setor que mais avan\u00e7ou. Minera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m vai bem. E uma outra novidade que come\u00e7ou no governo Lula \u00e9 o pr\u00e9-Sal. Estamos nos transformando em um produtor global relevante. Se voc\u00ea olhar 2023 em que o PIB cresceu 2,9%, 40% desse crescimento foi petr\u00f3leo (Petrobras), Vale e o agroneg\u00f3cio. Isso d\u00e1 uma pot\u00eancia para o pa\u00eds. Al\u00e9m disso, temos um fen\u00f4meno global que \u00e9 o mercado de trabalho robusto. Ent\u00e3o, quando juntamos essas tr\u00eas informa\u00e7\u00f5es: reformas, setor exportador e mercado de trabalho aquecido, o pa\u00eds vai bem. Um reflexo desse bom desempenho foram as avalia\u00e7\u00f5es das ag\u00eancias de rating.<\/p>\n<p>O temor que existe hoje, \u00a0que eu acho que \u00e9 o menos prov\u00e1vel, \u00e9 que haja retrocessos. \u00a0Talvez o principal seria voc\u00ea abandonar regras fiscais. Eu n\u00e3o acho que vamos ter esse movimento, mas eu acho que o nosso grande desafio no pa\u00eds \u00e9 entendermos que precisamos trazer racionalidade na despesa p\u00fablica. Por isso que o teto n\u00e3o funcionou e por isso que o arcabou\u00e7o tamb\u00e9m n\u00e3o vai funcionar.<\/p>\n<p>Agora que fizemos todas as reformas importantes, temos que nos concentrar na discuss\u00e3o da estrutura do Estado. De maneira geral \u00e9 um governo que est\u00e1 indo bem melhor do que eu imaginei, n\u00e3o s\u00f3 pelas a\u00e7\u00f5es do pr\u00f3ximo governo, mas das escolhas que o pa\u00eds tem feito. A nota negativa que eu daria \u00e9 o fato dele n\u00e3o coordenar a sociedade para estabilizar d\u00edvida. Ele [o governo] n\u00e3o tem gerado um consenso nacional em torno do debate da despesa p\u00fablica. Pelo contr\u00e1rio, tem estimulado uma coaliz\u00e3o pr\u00f3-gasto para o pa\u00eds.<\/p>\n<h3>Embates com mercado financeiro<\/h3>\n<p>\u00c9 natural que qualquer presidente da rep\u00fablica n\u00e3o v\u00e1 falar para o mercado financeiro, ele vai falar para o seu eleitor. Nesse m\u00eas de julho o que aconteceu: o d\u00f3lar foi para 5,70, e ent\u00e3o o governo se assusta. C\u00e2mbio subindo, juros em alta, custo do cr\u00e9dito mais alto, portanto, cr\u00e9dito e consumo perdendo f\u00f4lego, investimento tamb\u00e9m, menos crescimento e menos emprego. O resultado dessa hist\u00f3ria \u00e9 que se a economia enfraquece, a avalia\u00e7\u00e3o do governo tende a piorar.<\/p>\n<p>Quando o governo percebe isso, ele modera o discurso, e foi o que aconteceu. O governo entregou os R$ 15 bilh\u00f5es [de cortes], definiu meta cont\u00ednua, a Petrobras subiu pre\u00e7o de combust\u00edvel. \u00c9 natural que os governos falem para suas bases e \u00e9 natural que os mercados reajam e disciplinem o pr\u00f3prio governo. Por\u00e9m, quanto mais ru\u00eddo voc\u00ea causa, mais pr\u00eamio de risco voc\u00ea coloca no ativo financeiro. Esses ru\u00eddos cobram um pre\u00e7o \u2013 n\u00e3o acho que seja dram\u00e1tico, n\u00e3o \u00e9 uma crise ou recess\u00e3o, mas qualitativamente isso n\u00e3o ajuda. Mas quando monto meus cen\u00e1rios, isso faz diferen\u00e7a? N\u00e3o. O que faz diferen\u00e7a para mim \u00e9 a d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<h3>Crescimento econ\u00f4mico<\/h3>\n<p>Nossa proje\u00e7\u00e3o \u00e9 de um PIB rodando em 2% com vi\u00e9s de alta em 2024 e 2025\u2026Nunca errei tanto no PIB como nos \u00faltimos quatro anos. Errar um ano \u00e9 f\u00e1cil, teve um choque, agora errar tr\u00eas ou quatro anos significa que o seu modelo est\u00e1 errado. Quando vamos projetar o futuro, o que fazemos \u00e9 usar modelos estat\u00edsticos. Usamos regress\u00f5es que olham o hist\u00f3rico, o comportamento passado e isso influencia suas proje\u00e7\u00f5es. S\u00f3 que o nosso passado foi um desastre. Tivemos uma recess\u00e3o econ\u00f4mica em 2015 e 2016, uma retomada em 2017 dif\u00edcil e o debate do primeiro ano do mandato de Bolsonaro \u00e9 que o PIB nosso era de 1,5%. E ent\u00e3o veio a pandemia. Depois de 2021 erramos [mercado de forma geral] todo o PIB. A pandemia foi in\u00e9dita mas tamb\u00e9m foi in\u00e9dito a quantidade de recursos colocados na economia\u2026 Foi um impulso de pol\u00edtica econ\u00f4mica nunca visto. A gente n\u00e3o sabia fazer essa conta e erramos o PIB de 2020 e 2021 por conta disso. Eu estou seguro que foi o excesso de est\u00edmulos dados no mundo. A hist\u00f3ria de 2022 e 2023 foi retirada desses est\u00edmulos, principalmente monet\u00e1rios. E foi quando come\u00e7amos a baixar a bola no Brasil e as reformas fizeram diferen\u00e7a. Se falamos que reforma importa na teoria econ\u00f4mica, e olharmos [o que aconteceu], n\u00f3s fizemos todas. A que faltava n\u00f3s fizemos agora, que era a tribut\u00e1ria. Ent\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 para dizer que isso n\u00e3o vai ter efeito. \u00c0 medida que essas novas informa\u00e7\u00f5es v\u00e3o se transformando em dados econ\u00f4micos e esses dados v\u00e3o alimentando os nossos modelos, eles v\u00e3o aprendendo que a hist\u00f3ria \u00e9 diferente. Ent\u00e3o eu espero que esse ano e ano que vem, eu erre menos no PIB.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O economista-chefe do Banco Votorantim, Roberto Padovani, avalia que um dos focos da pol\u00edtica fiscal deveria ser a redu\u00e7\u00e3o dos chamados \u201cgastos tribut\u00e1rios\u201d, ren\u00fancias fiscais que na leitura dele t\u00eam pouca efic\u00e1cia e concentram renda. \u201cO que a olhos vistos \u00e9 uma aberra\u00e7\u00e3o? Essa hist\u00f3ria do gasto tribut\u00e1rio\u201d, afirmou Padovani em entrevista ao JOTA. 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