{"id":6356,"date":"2024-04-12T05:05:22","date_gmt":"2024-04-12T08:05:22","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2024\/04\/12\/bella-goncalves-esquerda-so-perdeu-bh-quando-abandonou-politicas-progressistas\/"},"modified":"2024-04-12T05:05:22","modified_gmt":"2024-04-12T08:05:22","slug":"bella-goncalves-esquerda-so-perdeu-bh-quando-abandonou-politicas-progressistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2024\/04\/12\/bella-goncalves-esquerda-so-perdeu-bh-quando-abandonou-politicas-progressistas\/","title":{"rendered":"Bella Gon\u00e7alves: esquerda s\u00f3 perdeu BH quando abandonou pol\u00edticas progressistas"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 se aproximando do centro nem amenizando a mensagem ideol\u00f3gica que a esquerda vai ganhar de volta o terreno conquistado pela direita, defende a deputada estadual Bella Gon\u00e7alves (PSOL), uma das tr\u00eas pr\u00e9-candidatas da esquerda em Belo Horizonte. O\u00a0<span class=\"jota\"><span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/span> publica de segunda-feira (8\/4) a sexta-feira desta semana (12\/4) uma s\u00e9rie de entrevistas com os pr\u00e9-candidatos a prefeito de Belo Horizonte.<\/p>\n<p>Doutora em ci\u00eancia pol\u00edtica, ela argumenta nesta entrevista ao <span class=\"jota\">JOTA<\/span> que foi exatamente quando o ent\u00e3o prefeito Fernando Pimentel (PT) adotou posturas mais \u00e0 direita que come\u00e7ou o fim do ciclo de 20 anos de governos do PT e PSB na capital mineira.<\/p>\n<p>Manifestante em protestos reprimidos nos governos do ex-prefeito e ex-governador petista, ela v\u00ea o \u201cPiment\u00e9cio\u201d da elei\u00e7\u00e3o de 2010 como s\u00edmbolo de uma articula\u00e7\u00e3o que nos anos seguintes enfraqueceu os movimentos sociais e a pr\u00f3pria presen\u00e7a do Estado nas comunidades.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder%20?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\">Tenha acesso ao\u00a0<span class=\"jota\"><span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/span>\u00a0PRO Poder,\u00a0uma plataforma de monitoramento pol\u00edtico\u00a0com informa\u00e7\u00f5es de bastidores\u00a0que oferece\u00a0mais\u00a0transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas.\u00a0Conhe\u00e7a!<\/a><\/h3>\n<p>Foi esse v\u00e1cuo, agravado pela crise simult\u00e2nea dos governos de Pimentel, em Minas, e de Dilma Rousseff, que para ela permitiu o crescimento da direita. Por isso, a deputada defende uma \u201cinvers\u00e3o dr\u00e1stica de prioridades\u201d, com retomada do investimento social que coloque \u201ca periferia no centro\u201d, iniciando um programa de longo prazo para zerar o d\u00e9ficit habitacional.<\/p>\n<p>Em meio a propostas para transporte, educa\u00e7\u00e3o e para que BH reencontre uma voca\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, a pr\u00e9-candidata deixa claro seu campo ideol\u00f3gico, mas pouco deixa entrever a deputada estadual com pautas sobre g\u00eanero, defesa dos LGBTQIA+ e direitos humanos. Questionada, ela diz que essas s\u00e3o bandeiras que n\u00e3o a limitam. Ao contr\u00e1rio: expandem o alcance de suas propostas, por estarem alinhadas \u00e0 ideia de uma cidade mais inclusiva para todos.<\/p>\n<p>Bella Gon\u00e7alves diz que \u00e9 a direita que est\u00e1 presa nas pautas identit\u00e1rias. \u00c0 esquerda, caberia \u201cdesmascarar\u201d a tentativa de ser isolada por esse discurso.<\/p>\n<p>Na luta contra o isolamento, ela diz ser favor\u00e1vel a que a esquerda procure formar, desde o primeiro turno, uma frente contra a direita e contra a \u201cpol\u00edtica do menos pior\u201d, que representaria, segundo ela, o apoio ao prefeito Fuad Noman (PSD).<\/p>\n<h3>Leia a entrevista com Bella Gon\u00e7alves, pr\u00e9-candidata do PSOL \u00e0 Prefeitura de Belo Horizonte<\/h3>\n<p>A sua tese de doutorado \u00e9 sobre a crise da esquerda e o fim da Nova Rep\u00fablica. A que a senhora reputa a guinada \u00e0 direita de Belo Horizonte? Ou n\u00e3o existe essa guinada?\u00a0<\/p>\n<p>Bom, existe, n\u00e9? N\u00e3o tem como n\u00e3o reconhecer que Belo Horizonte sai de um patamar de uma cidade que na redemocratiza\u00e7\u00e3o combinou o movimento de luta pela anistia com o movimento tamb\u00e9m grevista, sindicalista, de estudantes, que levou o Patrus Ananias [PT] \u00e0 prefeitura de Belo Horizonte e que depois teve uma sequ\u00eancia de prefeituras do aspecto mais de esquerda. Ent\u00e3o, a gente tem Patrus, C\u00e9lio de Castro, depois Pimentel, e Belo Horizonte passa por uma mudan\u00e7a que tem a ver com a conjuntura nacional, claro.<\/p>\n<p>E uma guinada \u00e0 direita da prefeitura come\u00e7a j\u00e1 com um prefeito nominalmente de esquerda tamb\u00e9m, n\u00e3o?\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9, o Pimentel.<\/p>\n<p>Eu estava pensando no prefeito M\u00e1rcio Lacerda, do PSB\u2026<\/p>\n<p>Mas come\u00e7a mesmo com Pimentel. Eu falo assim porque Pimentel inventou uma express\u00e3o que era muito comum \u00e0 \u00e9poca, que era o Piment\u00e9cio. Era uma articula\u00e7\u00e3o entre o A\u00e9cio Neves, que \u00e0 \u00e9poca j\u00e1 se colocava enquanto presidenci\u00e1vel, para se tornar presidente do Brasil, rifando ali um pouco o movimento estudantil. O aspecto dos pol\u00edticos ideol\u00f3gicos do seu partido e entrando no jogo das negocia\u00e7\u00f5es nacionais que fez com que Belo Horizonte perdesse o controle da m\u00e1quina p\u00fablica. E a\u00ed, no que Belo Horizonte perde o controle da m\u00e1quina p\u00fablica, as gest\u00f5es municipais progressistas perdem a condi\u00e7\u00e3o de construir pol\u00edticas p\u00fablicas de vanguarda, pol\u00edticas p\u00fablicas progressistas.<\/p>\n<p>A senhora fala isso por causa de terceiriza\u00e7\u00e3o, OS, esse tipo de coisa?\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o. Vou explicar um pouco melhor. A gente tinha, quando o Patrus se elegeu, uma s\u00e9rie de novidades pol\u00edticas acontecendo em Belo Horizonte. A primeira experi\u00eancia de urbaniza\u00e7\u00e3o de vilas e favelas aconteceu na Vila Acaba-Mundo. Foi o Pr\u00f3 Favela. A gente teve uma ampla pol\u00edtica de seguran\u00e7a alimentar na toada tamb\u00e9m da luta contra a fome no Brasil, com a abertura de supermercados populares, centros de viv\u00eancia agroecol\u00f3gica e restaurantes populares. Belo Horizonte foi a primeira cidade com restaurantes populares. E, tamb\u00e9m, Belo Horizonte era a ponta de lan\u00e7a da participa\u00e7\u00e3o popular, tanto com o or\u00e7amento participativo, quanto com o or\u00e7amento participativo da habita\u00e7\u00e3o. Nisso, se construiu uma capilaridade do governo, al\u00e9m de reajustes salariais. Patrus deu um reajuste de servidores de quase 200% \u2014a infla\u00e7\u00e3o era alta nesse tempo. Voc\u00ea tinha, nesse momento da redemocratiza\u00e7\u00e3o, um momento em que voc\u00ea tinha nas suas m\u00e3os uma m\u00e1quina p\u00fablica e construiu uma gest\u00e3o que era quase que uma das experi\u00eancias centrais de gest\u00e3o democr\u00e1tica popular do Brasil. E com um enraizamento muito grande nas vilas e favelas. Nas pol\u00edticas de vilas e favelas. Para mim, qual foi o marco do final do governo Pimentel e in\u00edcio do governo M\u00e1rcio Lacerda? A redu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de participa\u00e7\u00e3o popular e de investimento nas periferias de uma maneira muito estrutural. Quando M\u00e1rcio Lacerda assume, ele ainda herda essa grande capilaridade que a pr\u00f3pria gest\u00e3o municipal tinha de interven\u00e7\u00e3o em vilas e favelas. Mas, depois, com a aus\u00eancia de investimentos, num momento em que voc\u00ea n\u00e3o tinha investimento nacional, era tudo com recurso do Tesouro. Ent\u00e3o, Belo Horizonte \u00e9 uma cidade progressista. Uma cidade que produzia novidades pol\u00edticas em termos de pol\u00edticas p\u00fablicas. Com M\u00e1rcio Lacerda come\u00e7a a dar uma guinada \u00e0 direita, de forma que o pr\u00f3prio progressismo rompe ou \u00e9 chutado para fora da prefeitura do M\u00e1rcio Lacerda. Em especial durante seu segundo mandato.<\/p>\n<p>A senhora participou desses embates ali, nos movimentos.\u00a0<\/p>\n<p>Nesse momento, o PSOL surge aqui em Belo Horizonte a partir de um movimento que se chamava Fora Lacerda. Era um movimento cultural, pol\u00edtico, carnavalesco. O carnaval de Belo Horizonte explode tamb\u00e9m nesse momento pol\u00edtico. As ocupa\u00e7\u00f5es urbanas. Eu venho da luta popular de moradia. Ent\u00e3o, voc\u00ea come\u00e7a a ter uma insurrei\u00e7\u00e3o das periferias. Voc\u00ea come\u00e7a a ter uma insurrei\u00e7\u00e3o da cultura. Voc\u00ea come\u00e7a a ter uma discuss\u00e3o de enfrentamento, cidade e empresa. Que \u00e9 onde tamb\u00e9m o pessoal situa aqui o seu momento de enraizamento e crescimento da cidade. Muito na toada da luta ali contra o governo do M\u00e1rcio Lacerda. E essa tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o popular e do enraizamento das periferias s\u00f3 cresceu, n\u00e9? Ent\u00e3o, o que que a gente tem acontecendo assim em Belo Horizonte? Voc\u00ea parou de ter pol\u00edticas de urbaniza\u00e7\u00e3o de vilas e favelas. Com a aus\u00eancia de recursos do governo federal, elas praticamente acabaram. Voc\u00ea parou de ter investimentos em centros culturais, atividades nas periferias. N\u00e3o houve a constru\u00e7\u00e3o de nenhuma moradia popular desde a primeira gest\u00e3o do governo do Kalil. Ent\u00e3o, voc\u00ea perde um enraizamento importante nas periferias.<\/p>\n<p>\u00c9 um enraizamento da esquerda, mas tamb\u00e9m do Estado. \u00c9 isso que a senhora quer dizer?\u00a0<\/p>\n<p>Uma presen\u00e7a do Estado fazendo diferen\u00e7a na vida das pessoas. Ent\u00e3o, a minha leitura \u00e9 que isso, combinado com a conjuntura nacional e com tamb\u00e9m os desacertos das negocia\u00e7\u00f5es nacionais, fez com que em Belo Horizonte a gente come\u00e7asse a ter uns fen\u00f4menos diferent\u00f5es. Voc\u00ea come\u00e7a a ter uma classe m\u00e9dia que elegeu Marina Silva em primeiro turno, quando ela foi candidata \u00e0 presidenta [em 2014]. Marina Silva s\u00f3 ganhou em Belo Horizonte em primeiro turno. Um fen\u00f4meno pol\u00edtico. Ent\u00e3o, voc\u00ea tem um desejo de constru\u00e7\u00e3o de uma outra pol\u00edtica diferente daquele campo de esquerda que entregou a cidade. E esse sentimento continuou. O PSOL, em grande medida, capitalizou esse pensamento tamb\u00e9m da cidade. E voc\u00ea teve uma tend\u00eancia de amplia\u00e7\u00e3o de uma margem conservadora nas periferias.<\/p>\n<p>Naquele v\u00e1cuo\u2026<\/p>\n<p>A aus\u00eancia de presen\u00e7a do Estado, de mobiliza\u00e7\u00e3o social, de mobiliza\u00e7\u00e3o popular mesmo. Quem construiu a mobiliza\u00e7\u00e3o popular nas periferias nesse per\u00edodo? Era principalmente n\u00f3s. E contra tudo, contra todos, levando g\u00e1s de pimenta e bala de borracha.<\/p>\n<p>E da\u00ed a chegada do PSOL \u00e0 C\u00e2mara, dessas candidaturas coletivas.\u00a0<\/p>\n<p>Exato!<\/p>\n<p>Mas que foi j\u00e1 uma rea\u00e7\u00e3o a esse enfraquecimento.\u00a0<\/p>\n<p>Sim, foi uma rea\u00e7\u00e3o a esse enfraquecimento do campo progressista. Ent\u00e3o, assim, n\u00e3o \u00e9 que Belo Horizonte seja uma cidade conservadora. \u00c9 que o jogo de for\u00e7as em Belo Horizonte fez com que se abrisse um v\u00e1cuo nacional, inclusive, para o fortalecimento da extrema direita, que investiu muito em Belo Horizonte. Minas Gerais \u00e9 estrat\u00e9gico, Belo Horizonte \u00e9 estrat\u00e9gico. Mas combinado tamb\u00e9m por um desacerto do campo progressista, que n\u00e3o conseguiu encontrar um caminho de coer\u00eancia, de mobiliza\u00e7\u00e3o, de constru\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7a unificada h\u00e1 um bom tempo.<\/p>\n<p>E isso calhou de coincidir com a crise do governo Pimentel no Estado.<\/p>\n<p>Eu, nessa \u00e9poca, era uma militante de movimento popular que sofri talvez a mais dura repress\u00e3o da nossa hist\u00f3ria, que foi a ordem que o Pimentel deu para a pol\u00edcia nos massacrar na MG-10. A gente teve 100 companheiros feridos, mais de 50 presos.<\/p>\n<p>Era uma ocupa\u00e7\u00e3o?\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9. Uma ocupa\u00e7\u00e3o urbana. Que \u00e9 a Izidora, que \u00e9 uma regional de Belo Horizonte. Uma verdadeira regional de Belo Horizonte, que o Pimentel mandou a tropa de choque destruir. Talvez tenha sido uma das repress\u00f5es mais fortes que eu j\u00e1 vi.<\/p>\n<p>\u00c9 esse hist\u00f3rico que dificulta agora a uni\u00e3o da esquerda em Belo Horizonte para a prefeitura?\u00a0<\/p>\n<p>Acho que sim. Esse hist\u00f3rico dificulta bastante.<\/p>\n<p>Aparentemente, o PT se uniu nesse momento em torno da candidatura do deputado Rog\u00e9rio Corr\u00eaa. E tamb\u00e9m a federa\u00e7\u00e3o. Enquanto isso, a federa\u00e7\u00e3o do PSOL-Rede est\u00e1 rachada. \u00c9 poss\u00edvel viabilizar a sua candidatura?\u00a0<\/p>\n<p>A minha candidatura est\u00e1 consolidada.<\/p>\n<p>No PSOL ou na federa\u00e7\u00e3o?\u00a0<\/p>\n<p>No PSOL e na federa\u00e7\u00e3o. Os movimentos que s\u00e3o feitos, s\u00e3o de uma minoria. \u00c9 como se o PCdoB ou o PV quisessem reivindicar a cabe\u00e7a de chapa da federa\u00e7\u00e3o [do PT]. Numericamente eles n\u00e3o podem. \u00c9 a mesma coisa com a Rede. O PSOL e a Rede em Belo Horizonte nunca foram exatamente do mesmo campo pol\u00edtico. A federa\u00e7\u00e3o nacional se expressa a partir de uma necessidade de ambos, mas em especial de sobreviv\u00eancia da Rede nacional. E que coincidiu na circunst\u00e2ncia de que onde existia um n\u00e3o existia o outro t\u00e3o fortalecido nos estados. Isso gerou uma rela\u00e7\u00e3o equilibrada. A \u00fanica diferen\u00e7a disso \u00e9 em Minas Gerais, onde voc\u00ea tem a Rede e o PSOL enquanto for\u00e7as expressivas. Nas duas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es\u00a0 municipais, o PSOL foi o partido de esquerda que mais teve votos. Portanto, pelas regras da federa\u00e7\u00e3o, o PSOL tem o direito de indicar a cabe\u00e7a de chapa. Isso n\u00e3o est\u00e1 em discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Existe quase um consenso de que a divis\u00e3o da esquerda \u00e9 muito maior que a divis\u00e3o da direita e isso pode levar a esquerda a ficar fora do segundo turno em Belo Horizonte. A senhora considera isso um risco? E vale a pena a afirma\u00e7\u00e3o das candidaturas isoladas da esquerda sob o risco de n\u00e3o haver algu\u00e9m da esquerda no segundo turno?\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o vale. Eu estou trabalhando para que a gente consiga unificar.<\/p>\n<p>Em torno da senhora? Assim como o Rog\u00e9rio Corr\u00eaa est\u00e1 trabalhando para unificar em torno dele?\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o necessariamente. A gente precisa ter a grandeza de compreender que a defesa da cidade \u00e9 priorit\u00e1ria. Qual \u00e9 a grande quest\u00e3o sobre o Rog\u00e9rio Corr\u00eaa? Embora ele tenha a unifica\u00e7\u00e3o aparente da federa\u00e7\u00e3o dele, existe d\u00favida sobre o apoio do Lula. Inclusive porque a \u00faltima vinda do Lula a Belo Horizonte deu sinais trocados muito estranhos para o PSD. O PT tem uma rela\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria com o PSD aqui, e o prefeito Fuad apoiou o Lula nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o existe uma divis\u00e3o ou d\u00favida sobre se de fato a candidatura do Rog\u00e9rio se sustentar\u00e1 ou se de fato ser\u00e1 apoiada com firmeza pelo presidente. Eu acredito que o Lula \u00e9 um dos atores pol\u00edticos centrais na unifica\u00e7\u00e3o da esquerda em Belo Horizonte, mas n\u00f3s estamos fazendo movimenta\u00e7\u00f5es amplas. \u00d3bvio que eu considero que a nossa candidatura poderia aglutinar todo o campo de esquerda, por ter uma for\u00e7a do PSOL, que ganhou espa\u00e7o em Belo Horizonte nos \u00faltimos anos. A s\u00edntese da novidade pol\u00edtica tamb\u00e9m, de ter uma mulher pela primeira vez prefeita da cidade. Al\u00e9m disso, eu acho que tem um enraizamento muito popular nas periferias e uma capacidade de di\u00e1logo com o conjunto da esquerda. N\u00e3o s\u00e3o todos os atores da esquerda que conseguem conversar entre si. Al\u00e9m de baixa rejei\u00e7\u00e3o. A elei\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito indefinida, mas os cen\u00e1rios precisam ir se definindo. E havendo a possibilidade de sintetizar uma candidatura que unifique a esquerda, n\u00f3s vamos trabalhar por isso. Acho que \u00e9 importante.<\/p>\n<p>Para fora da esquerda e pensando na elei\u00e7\u00e3o como um todo: qual \u00e9 o seu principal argumento para votarem na senhora para prefeita?<\/p>\n<p>Acho que o primeiro motivo \u00e9 que eu tenho uma trajet\u00f3ria de luta e um conhecimento da cidade de Belo Horizonte, dos principais problemas que s\u00e3o apontados pela popula\u00e7\u00e3o, diferente das outras candidaturas. Quando eu falo que a gente precisa construir uma gest\u00e3o municipal que de fato retome uma pol\u00edtica para vilas e favelas, para as periferias, retome a constru\u00e7\u00e3o de moradia popular e resolva o tema do transporte, n\u00e3o \u00e9 uma coisa que eu estou construindo agora para as elei\u00e7\u00f5es. Eu tenho mais de uma d\u00e9cada, mais de 15 anos desde que eu entrei na constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica de atua\u00e7\u00e3o nessas pautas. A segunda quest\u00e3o: Belo Horizonte \u00e9 uma cidade eminentemente feminina, que nunca teve uma mulher prefeita. Agora, o que Belo Horizonte mostra atrav\u00e9s do seu voto progressista \u00e9 que existe um desejo de elei\u00e7\u00e3o de mulheres. Todos os eleitos pelo voto progressista nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es municipais para a C\u00e2mara de Belo Horizonte foram mulheres. O terceiro elemento \u00e9 a capacidade de dialogar com o conjunto das for\u00e7as progressistas e democr\u00e1ticas, e a\u00ed eu n\u00e3o coloco s\u00f3 a de esquerda, eu coloco a cidade como um todo, para construir uma sintonia e uma capacidade de gest\u00e3o de Belo Horizonte.<\/p>\n<p>Esses tr\u00eas elementos s\u00e3o atributos da senhora, conhecimento, articula\u00e7\u00e3o. E quais as suas propostas?\u00a0<\/p>\n<p>Eu acho que a minha trajet\u00f3ria diz um pouco sobre o meu programa para a cidade. Primeira coisa: o principal problema de Belo Horizonte hoje \u00e9 o transporte. Esse \u00e9 o grande gargalo que afeta sobretudo as mulheres, mas a cidade como um todo. A gente vive hoje um dos piores tr\u00e2nsitos do Brasil. Uma das situa\u00e7\u00f5es mais graves em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 crise do transporte e \u00e0 m\u00e1fia do transporte. J\u00e1 est\u00e1 mais do que colocado que a gente precisa construir uma alternativa que passe pelo cancelamento do atual contrato, que j\u00e1 foi considerado, inclusive, il\u00edcito por todos os \u00f3rg\u00e3os<\/p>\n<p>A senhora fez parte da CPI do transporte p\u00fablico, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>Fiz parte da CPI e continuo acompanhando. Recentemente, eu fiz uma representa\u00e7\u00e3o pelo cancelamento do contrato, porque a gente j\u00e1 tem todos os \u00f3rg\u00e3os, C\u00e2mara, Prefeitura, Minist\u00e9rio P\u00fablico, Tribunal de Contas, todos eles j\u00e1 conclu\u00edram que o contrato \u00e9 nulo. S\u00f3 que nenhuma gest\u00e3o apresentou ainda uma proposta de cancelamento desse contrato. Votando em mim, n\u00f3s vamos cancelar o contrato com as atuais empresas de \u00f4nibus e reconstruir o sistema de transporte em Belo Horizonte para uma nova licita\u00e7\u00e3o que possa incorporar algumas etapas do processo enquanto p\u00fablico, como a bilhetagem, para que a gente tenha um controle de caixa e consiga produzir um sistema que caminhe no sentido da tarifa zero em Belo Horizonte.<\/p>\n<p>A segunda coisa, eu quero fazer uma mudan\u00e7a no investimento p\u00fablico na cidade de Belo Horizonte. Hoje n\u00f3s temos s\u00f3 1% do or\u00e7amento p\u00fablico destinado para a urbaniza\u00e7\u00e3o, melhoria e qualifica\u00e7\u00e3o de vilas e favelas. Eu quero zerar o d\u00e9ficit habitacional com os espa\u00e7os vazios que a gente tem. Eu sei que isso n\u00e3o \u00e9 uma coisa que a gente vai fazer em uma gest\u00e3o, mas a gente vai iniciar e reduzir drasticamente o d\u00e9ficit habitacional para, talvez, numa reelei\u00e7\u00e3o, conseguir de fato zerar o d\u00e9ficit habitacional, mas n\u00f3s j\u00e1 fizemos o desenho para zerar o d\u00e9ficit habitacional e retomar um programa de qualifica\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de obras de qualidade nas vilas e favelas de Belo Horizonte. A nossa proposta \u00e9 fazer uma invers\u00e3o dr\u00e1stica das prioridades p\u00fablicas. Vamos colocar a periferia no centro da cidade.<\/p>\n<p>Outra coisa, n\u00f3s vamos construir uma gest\u00e3o muito focada nas mulheres, nos adolescentes e na inf\u00e2ncia. E tamb\u00e9m nos idosos, a partir da retomada de uma pol\u00edtica p\u00fablica que a gente considera de qualidade. Colocar o cuidado no centro e socializar o cuidado enquanto pol\u00edtica p\u00fablica \u00e9 fundamental para que a gente consiga desenvolver a economia do pa\u00eds, do nosso Estado. Porque hoje a gente tem uma parcela grande da popula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a parcela das mulheres, que est\u00e1 sobrecarregada em duplas e triplas jornadas de trabalho e que poderiam estar movimentando muitos setores da economia, inclusive os de cuidado. Quando a gente faz a\u00e7\u00f5es como o creche em tempo integral, retomada das escolas, do per\u00edodo integral nas escolas municipais com valoriza\u00e7\u00e3o dos professores, quando a gente retoma o protagonismo e a constru\u00e7\u00e3o dos centros culturais \u2014eu sou autora da lei Cultura Viva, em Belo Horizonte, junto com a Cida Falabella. A gente quer destinar pelo menos 1% do or\u00e7amento para a cultura em Belo Horizonte e garantir que a cultura perif\u00e9rica seja valorizada. Creche em tempo integral.<\/p>\n<p>Sobre a Secretaria de Assist\u00eancia Social: hoje eu tenho feito uma luta muito grande aqui na Assembleia Legislativa pelo or\u00e7amento. Eu acho que o or\u00e7amento da assist\u00eancia precisa garantir com qualidade o envelhecimento das pessoas. Hoje as ILPIs, as institui\u00e7\u00f5es de longa perman\u00eancia de idosos, est\u00e3o abandonadas. A situa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua na cidade \u00e9 catastr\u00f3fica. A gente tem mais de 10 mil pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua e apenas mil vagas nos abrigos municipais. Ent\u00e3o, s\u00e3o algumas das pol\u00edticas que a gente tem certeza que, se nos elegermos, a gente vai produzi-las, porque elas s\u00e3o um compromisso de vida nosso.<\/p>\n<p>E por fim, a quest\u00e3o ambiental. Belo Horizonte \u00e9 uma das cidades que mais aqueceram nos \u00faltimos anos no Brasil. Esse aquecimento tem a ver com a constru\u00e7\u00e3o de uma cidade que est\u00e1 cercada pela minera\u00e7\u00e3o e com risco imediato de desabastecimento h\u00eddrico em fun\u00e7\u00e3o das barragens de rejeito que est\u00e3o situadas na regi\u00e3o metropolitana. Desde que eu virei vereadora, n\u00f3s temos um programa amplo de defesa das \u00e1reas h\u00eddricas de Belo Horizonte, de constru\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica para o enfrentamento \u00e0s nascentes que passe n\u00e3o tanto\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 uma cidade sem rios, todos canalizados.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9! \u00c9 isso. Que passe pelo cuidado com as nossas \u00e1guas, cuidar das nossas regi\u00f5es, cuidar das nossas nascentes, a recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o desmatar mais Belo Horizonte, mas permitir novas \u00e1reas de mata em Belo Horizonte, ampliar as estrat\u00e9gias de drenagem, ao inv\u00e9s de investir s\u00f3 em obras megaloman\u00edacas de constru\u00e7\u00e3o de bacias de conten\u00e7\u00e3o. Que algumas s\u00e3o importantes, s\u00e3o inevit\u00e1veis, s\u00e3o emergenciais, mas a longo prazo o que a gente precisa \u00e9 construir uma Belo Horizonte sustent\u00e1vel. Serra do Curral: faltou \u00e0 prefeitura coragem para, de fato, pegar aquelas \u00e1reas e transformar aquele lugar em um parque preservado. Faltou o protagonismo da prefeitura de Belo Horizonte de fazer uma discuss\u00e3o com o governo do estado sobre a nossa seguran\u00e7a h\u00eddrica. Para voc\u00ea ter ideia, a gente j\u00e1 perdeu dois rios em Minas Gerais. O Rio das Velhas est\u00e1 secando e se qualquer uma das 50 barragens de rejeito, a montante, que existem ali, se romper, 5 milh\u00f5es de pessoas da Regi\u00e3o Metropolitana ficam imediatamente sem \u00e1gua. Belo Horizonte tem que ter protagonismo no debate sobre meio ambiente, clima e seguran\u00e7a h\u00eddrica. S\u00e3o alguns dos motivos para votar na gente. Tem outras propostas de trabalho informal, recupera\u00e7\u00e3o de recursos.<\/p>\n<p>A senhora falou sobre creche, cuidado. Especificamente para a educa\u00e7\u00e3o municipal, quais suas propostas?\u00a0<\/p>\n<p>As escolas s\u00e3o o equipamento p\u00fablico mais pr\u00f3ximo da inf\u00e2ncia, da adolesc\u00eancia e das fam\u00edlias. A escola precisa ser um equipamento aberto para toda a popula\u00e7\u00e3o, ela tem que cuidar da popula\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, n\u00e3o faz sentido a escola funcionar por turnos reduzidos. A gente precisa retomar o contraturno escolar, a gente tem que retomar as oficinas de cultura, de artes, as oficinas de capacita\u00e7\u00e3o e qualifica\u00e7\u00e3o profissional nas escolas, como medida tamb\u00e9m de desenvolver outros atributos das crian\u00e7as e dos adolescentes. A escola j\u00e1 era um espa\u00e7o muito ma\u00e7ante para as crian\u00e7as e adolescentes, em especial aquelas que t\u00eam algum tipo de dificuldade de frequentar as escolas. A evas\u00e3o escolar tem muito a ver com a pobreza, evas\u00e3o escolar tem a ver com a atipicidade, crian\u00e7as com defici\u00eancia, crian\u00e7as com autismo. Se a gente n\u00e3o estrutura as escolas para construir um contraturno, ampliar o n\u00famero de profissionais, diminuir o n\u00famero de crian\u00e7as por sala de aula, ampliar o n\u00famero de profissionais inclusive que v\u00e3o atender as crian\u00e7as com defici\u00eancia, as crian\u00e7as autistas, a gente n\u00e3o vai resolver o problema da evas\u00e3o. A escola precisa ser atrativa e precisa estar inserida na cidade, para isso as professoras t\u00eam que ser valorizadas. E vamos fortalecer a dimens\u00e3o da ci\u00eancia e tecnologia, n\u00e3o s\u00f3 nas escolas, mas interligando polos de ci\u00eancia e tecnologia que existem em Belo Horizonte, como a UFMG. A gente tem uma das maiores universidades da Am\u00e9rica Latina em Belo Horizonte. A gest\u00e3o municipal n\u00e3o apenas n\u00e3o dialoga, n\u00e3o constr\u00f3i pontes com a UFMG para pensar como a UFMG pode fortalecer a cidade de Belo Horizonte no desenvolvimento de ci\u00eancia e tecnologia, para a gente se transformar em um polo tecnol\u00f3gico, como ela desrespeita a UFMG, atropelando a UFMG para a constru\u00e7\u00e3o do Stock Car. Mais grave do que a retirada das \u00e1rvores, que foi bastante grave, \u00e9 o tratamento que est\u00e1 sendo dispensado a UFMG. N\u00e3o acesso s\u00f3 de estudantes, mas a integra\u00e7\u00e3o entre os programas da UFMG e as pol\u00edticas p\u00fablicas de Belo Horizonte. A UFMG pode nos ajudar a construir pol\u00edticas de meio ambiente, pode nos ajudar a desenvolver programas de extens\u00e3o. Pode nos ajudar a converter Belo Horizonte num polo de ci\u00eancia e tecnologia. E nisso a\u00ed eu coloco: Belo Horizonte tem um tempo que n\u00e3o tem uma voca\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica muito estabelecida e a cidade est\u00e1 decrescendo. Belo Horizonte est\u00e1 decrescendo. A economia de Belo Horizonte hoje \u00e9 baseada em servi\u00e7os. A gente tem um res\u00edduo de alguma coisa atrelada \u00e0 minera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o dentro de Belo Horizonte, mas pr\u00f3ximo. E mostra muito pouca produ\u00e7\u00e3o aqui na cidade. Eu aposto que a voca\u00e7\u00e3o de Belo Horizonte \u00e9 a ci\u00eancia e a tecnologia. \u00c9 o desenvolvimento de uma economia mais criativa. \u00c9 a tecnologia. A tecnologia criativa inclusive no campo da cultura. Que possa gerar empregos e vendas e produzir coisas para al\u00e9m da economia de servi\u00e7os para o Brasil. E eu acho que n\u00f3s temos uma grande potencialidade de desenvolver isso, em especial em parceria com a tecnologia.<\/p>\n<p>Muitos atribuem o decrescimento populacional ao custo de moradia aqui. Um dos rem\u00e9dios foi o plano diretor. Como resolver esse problema?<\/p>\n<p>O custo de morar em Belo Horizonte \u00e9 alto, cada vez mais alto. Dizem que a produ\u00e7\u00e3o das unidades habitacionais em Belo Horizonte \u00e9 cara. Ent\u00e3o esse \u00e9 um argumento forte, eu acho, do setor econ\u00f4mico tamb\u00e9m para desmontar o plano diretor, para desconstruir o plano diretor. Mas eu vejo que a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria \u00e9 a resposta central para o custo de morar em Belo Horizonte, o custo do aluguel em Belo Horizonte. A quantidade de im\u00f3veis vazios e abandonados sendo especulados em Belo Horizonte \u00e9 muito grande. N\u00f3s n\u00e3o temos s\u00f3 um problema em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o habitacional. Belo Horizonte j\u00e1 produziu muita moradia e pode produzir muito mais. Mas a gente tem muitos im\u00f3veis vazios, mais de 100 mil im\u00f3veis vazios na nossa cidade que precisam ter uma destina\u00e7\u00e3o. E essa destina\u00e7\u00e3o precisa ser uma aplica\u00e7\u00e3o de instrumentos do plano diretor que sempre s\u00e3o negligenciados. E eles s\u00e3o negligenciados tamb\u00e9m por press\u00e3o do setor de constru\u00e7\u00e3o civil, que \u00e9 um setor importante com quem a gente tem que dialogar, mas que tem uma leitura de construir mais e construir da forma como quiser. Desmatando as \u00e1reas, ampliando a sobrecarga sobre o sistema de transporte. E n\u00e3o \u00e9 assim. Em Belo Horizonte tem que ter planejamento urbano. A gente s\u00f3 vai enfrentar a alta do custo das resid\u00eancias em Belo Horizonte a partir disso. E a segunda coisa tem a ver com a economia.<\/p>\n<p>Para encerrar: sa\u00fade.<\/p>\n<p>Sa\u00fade de Belo Horizonte ainda tem um aspecto muito grave que \u00e9 a aus\u00eancia de profissionais. E isso \u00e9 uma coisa que eu acho que \u00e9 muito importante. A gente at\u00e9 teve durante o governo Kalil a constru\u00e7\u00e3o de novas UPAs, novos centros de sa\u00fade que melhoravam as estruturas de aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. N\u00f3s temos uma das melhores coberturas de agentes comunit\u00e1rios de sa\u00fade do Brasil. N\u00f3s temos um conselho e uma participa\u00e7\u00e3o popular robusta. Ent\u00e3o a sa\u00fade de Belo Horizonte hoje \u00e9 uma coisa que \u00e9 muito importante. E a gente precisa de mais investimentos profissionais.<\/p>\n<p>A senhora falou em mais investimento em sa\u00fade, mais contrata\u00e7\u00e3o, tempo integral. Falou sobre como se investe pouco na periferia. S\u00e3o todas quest\u00f5es de caixa, que batem no or\u00e7amento. O or\u00e7amento de Belo Horizonte \u00e9 suficiente para isso? Ou prev\u00ea melhor gest\u00e3o, imposto progressivo?<\/p>\n<p>O caixa de Belo Horizonte \u00e9 uma caixa elevad\u00edssimo. A gente tem uma das melhores condi\u00e7\u00f5es de arrecada\u00e7\u00e3o do Brasil. Caixa que nos permite construir pol\u00edticas p\u00fablicas muito robustas. Eu acho que o que precisa haver \u00e9 uma mudan\u00e7a na estrat\u00e9gia e nas prioridades. O foco das prioridades \u00e9 em casa. Ent\u00e3o, quando a gente fala da rela\u00e7\u00e3o entre centro e periferia, quando a gente fala do desperd\u00edcio do recurso p\u00fablico, o exemplo mais concreto que eu tenho \u00e9 o transporte. Como pode um contrato cheio de ilegalidades, como o contrato do transporte, gerar, desde a pandemia para c\u00e1, quase um bilh\u00e3o de reais de subs\u00eddio? Sendo que Belo Horizonte tem quest\u00f5es t\u00e3o estruturais para serem resolvidas.<\/p>\n<p>A prefeitura justifica dizendo que esses subs\u00eddios garantiram a sustentabilidade do sistema e permitiram a entrada no \u00faltimo ano de 660 \u00f4nibus.<\/p>\n<p>Exato, garantiu o lucro das empresas. S\u00f3 que \u00e9 o lucro das empresas de um contrato que ela pr\u00f3pria j\u00e1 reconheceu que \u00e9 um contrato viciado, \u00e9 um contrato il\u00edcito. N\u00e3o s\u00f3 ela, como o Minist\u00e9rio P\u00fablico, como todo mundo. A grande verdade \u00e9 que a prefeitura tem rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas muito enraizadas com as empresas de transporte. Quem fez o contrato, por exemplo, do transporte metropolitano, com as mesmas empresas, foi o Fuad Noman, quando ele era secret\u00e1rio do A\u00e9cio Neves. E n\u00e3o querem modificar ou mexer no sistema de transporte em Belo Horizonte. A verdade \u00e9 essa. O Tribunal de Contas j\u00e1 deu, inclusive, um passo a passo de como a gente pode construir uma transi\u00e7\u00e3o entre o atual contrato e a abertura de um novo processo licitat\u00f3rio, com divis\u00e3o das etapas, com menor tempo, com maior controle social. A prefeitura n\u00e3o quer fazer isso. Fica derramando milh\u00f5es e milh\u00f5es de reais no sistema de transporte. Milh\u00f5es de reais que poderiam ser investidos, por exemplo, em vilas e favelas.<\/p>\n<p>Talvez o que tenha me surpreendido nesta entrevista foi uma quebra de expectativa. <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/eleicoes\/bh-esta-se-descobrindo-de-direita-diz-bruno-engler-pre-candidato-de-bolsonaro-09042024\">Bruno Engler n\u00e3o demorou a falar em Bolsonaro<\/a>. Fuad n\u00e3o demorou a falar em gest\u00e3o. A pauta \u00f3bvia de cada um. A senhora tem se mostrado distante da imagem que passa no seu site, longe das pautas identit\u00e1rias. Isso \u00e9 uma estrat\u00e9gia? A senhora acha que essa imagem que a senhora est\u00e1 projetando ou que est\u00e3o projetando da senhora n\u00e3o condiz com a sua atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica espec\u00edfica?<\/p>\n<p>N\u00e3o condiz. Eu sou mulher ocupando a pol\u00edtica e eu sou LGBT. Eu tenho que me defender o tempo inteiro por ser mulher e ser LGBT. Inclusive de amea\u00e7as e outras situa\u00e7\u00f5es que tentam nos impor. O campo identit\u00e1rio \u00e9 onde eles querem nos jogar. Agora, se voc\u00ea vai observar a minha trajet\u00f3ria pol\u00edtica, eu sempre atuei por meio ambiente, por moradia, por investimento em vilas e favelas. Pega a minha trajet\u00f3ria, pega a minha hist\u00f3ria de luta. Enquanto vereadora, eu fui a propositora da renda emergencial do Aux\u00edlio Belo Horizonte, constru\u00ed um grupo de trabalho sobre moradia e um grupo de trabalho sobre seguran\u00e7a alimentar e enfrentamento \u00e0 fome. Participei da CPI do transporte e da CPI do grupo especial sobre a Covid, enfrentando o negacionismo. Hoje, como parlamentar estadual, estou fazendo o debate qualificado sobre o regime de recupera\u00e7\u00e3o fiscal e a quest\u00e3o da garantia da n\u00e3o privatiza\u00e7\u00e3o das nossas estatais e o debate sobre o fundo de erradica\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria. Pega a minha atua\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma atua\u00e7\u00e3o que fala sobre quest\u00f5es que s\u00e3o de todo mundo. O fato de eu ser mulher vai me permitir um olhar para uma cidade que \u00e9 majoritariamente feminina. O fato de eu ser LGBT vai me tornar mais emp\u00e1tica para enfrentar situa\u00e7\u00f5es que aniquilam as pessoas tamb\u00e9m em Belo Horizonte, como a LGBTfobia, o racismo e outras formas de viol\u00eancia. Agora, elas n\u00e3o s\u00e3o o que me definem. Elas abrem a minha vis\u00e3o de mundo para olhar para a sociedade como um todo.<\/p>\n<p>Falando com outros candidatos, eles caracterizam a senhora como algu\u00e9m presa a essa identidade e que, por isso, tem um teto.\u00a0<\/p>\n<p>Quem foi? O Gabriel [Azevedo, presidente da C\u00e2mara]? Ele \u00e9 muito arrogante. O mestre da arrog\u00e2ncia. Ent\u00e3o, o Gabriel est\u00e1 muito enganado. N\u00e3o vai se eleger.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o disse que foi o Gabriel\u2026<\/p>\n<p>Com certeza foi. Olha: mais do que isso, eu estou preocupada com Belo Horizonte. Eu acho que uma caracter\u00edstica comum que voc\u00ea vai ver em todas as pr\u00e9-candidaturas \u00e9 que elas afirmam assim: sou eu e eu n\u00e3o abro m\u00e3o. A minha preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que a gente consiga construir uma frente democr\u00e1tica em Belo Horizonte para vencer a extrema direita e para n\u00e3o permitir que Belo Horizonte saia de uma pol\u00edtica do menos pior, porque foi isso que Kalil foi, \u00e9 isso que o Fuad hoje \u00e9. \u00c9 o menos pior.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a sua frente progressista \u00e9 uma frente progressista sem o Fuad?<\/p>\n<p>Olha, eu vou ser bem sincera. No primeiro turno, pelo menos, sim. Mas no segundo turno, <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/eleicoes\/o-que-pensa-fuad-noman-prefeito-de-belo-horizonte-que-busca-a-reeleicao-08042024\">dependendo com quem o Fuad est\u00e1, n\u00f3s estaremos com ele<\/a>. Porque eu acho que\u2026 Quando eu falo assim da pol\u00edtica\u2026 Quando eu fiz meu lan\u00e7amento, eu falei, \u2018olha, a minha candidatura \u00e9 uma candidatura contra a pol\u00edtica do menos pior\u2019. Qual \u00e9 a pol\u00edtica do menos pior? Foi aquela que tirou Belo Horizonte de uma cidade progressista de gest\u00f5es democr\u00e1ticas populares e come\u00e7ou a entregar para o M\u00e1rcio Lacerda, depois para o Fuad. A reelei\u00e7\u00e3o do Kalil foi muito evidente. As pessoas tinham mil cr\u00edticas a ele. Mas ele era o homem que tinha conseguido enfrentar o negacionismo, preservar milhares de vidas em Belo Horizonte em fun\u00e7\u00e3o da Covid. E tinha como oposi\u00e7\u00e3o o Bruno Engler naquele momento. Ent\u00e3o, o voto da esquerda, que poderia ter levado a \u00c1urea Carolina para o segundo turno, porque ela era um encanto de pessoa, falou assim: olha, situa\u00e7\u00e3o complicada, Bolsonaro est\u00e1 no poder, vamos votar no Kalil porque \u00e9 menos pior, a gente resolve no primeiro turno e n\u00e3o corre risco. Essa \u00e9 a pol\u00edtica do menos pior. Eu lan\u00e7o minha candidatura para a gente conseguir construir uma alternativa em Belo Horizonte que n\u00e3o seja alternativa do menos pior. Ent\u00e3o, se o Fuad vai para o segundo turno contra um candidato da extrema direita, eu votarei pelo menos pior. Mas no primeiro turno n\u00e3o \u00e9 esse o momento. Mas isso n\u00e3o vai resolver o problema de Belo Horizonte. E no primeiro turno eu tenho feito esfor\u00e7os. E a\u00ed tem muitas pessoas que fazem esfor\u00e7os de boca. O primeiro debate sobre unidade da esquerda foi o PSOL que puxou. Eu j\u00e1 estive em Bras\u00edlia conversando com o Gleisi [Hoffman, presidente do PT], j\u00e1 estive em Bras\u00edlia conversando com o [presidente do PDT] Carlos Lupi, com a Duda [Salabert, pr\u00e9-candidata do PDT]. A gente tem feito muitos movimentos para tentar construir um consenso entre n\u00f3s que nos permita estar em um segundo turno.<\/p>\n<p>Eu espero que a gente consiga atingir esse objetivo. Agora, obviamente, que isso passa por uma leitura sobre a cidade e sobre tamb\u00e9m qual \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o melhor que a gente tem para n\u00e3o s\u00f3 estar no segundo turno, mas para vencer no segundo turno. Eu acho que isso depende de a gente conseguir resgatar uma mem\u00f3ria progressista em Belo Horizonte, uma discuss\u00e3o sobre programas de que, de fato, Belo Horizonte precisa. Uma luta contra o rebaixamento do debate pol\u00edtico. Quem aposta que n\u00f3s vamos ficar brigando com o Bruno Engler sobre linguagem neutra e uso de banheiro saiba que est\u00e1 absolutamente equivocado. Isso \u00e9 um rebaixamento do debate pol\u00edtico. N\u00f3s queremos discutir transporte, n\u00f3s queremos discutir seguran\u00e7a alimentar, n\u00f3s queremos resolver a quest\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, n\u00f3s precisamos resolver a urbaniza\u00e7\u00e3o de ocupa\u00e7\u00f5es que t\u00eam 15 anos, como Novo Lajedo, e n\u00e3o t\u00eam um asfalto, n\u00e3o t\u00eam uma rede el\u00e9trica, n\u00e3o t\u00eam \u00e1gua. Tem comunidades em Belo Horizonte que, no meio da onda de calor, ficaram quase um m\u00eas sem \u00e1gua. Uma cidade rica como Belo Horizonte, com o caixa que ela tem, n\u00e3o priorizar a garantia de abastecimento de \u00e1gua. Belo Horizonte \u00e9 a principal cliente da Copasa. A gente tem condi\u00e7\u00e3o de falar para ela: vai instalar sim, se n\u00e3o buscamos outra concession\u00e1ria. Falta vontade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Na primeira resposta, a senhora fez um hist\u00f3rico muito interessante da esquerda em BH. Agora, fala sobre como agregar as pautas progressistas em uma disputa eleitoral. Como a senhora v\u00ea esse quadro geral em que parte da esquerda \u00e9 criticada por estar presa em pautas sindicais do passado e outra parte, de vanguarda, presa em pautas identit\u00e1rias vistas como divisivas na sociedade? Como resolver essa quadratura do c\u00edrculo?<\/p>\n<p>Quem hoje est\u00e1 preso na pauta identit\u00e1ria \u00e9 a extrema direita. Quando voc\u00ea tem o Nikolas assumindo a comiss\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o e falando que a principal pauta dele \u00e9 combater a linguagem neutra, de quem \u00e9 a pauta identit\u00e1ria? O fato da gente aceitar a diversidade, querer que a diversidade se expresse na pol\u00edtica, tenha lugar na pol\u00edtica, eu acho que tem muito a ver com tamb\u00e9m a nossa chapa de vereadores e vereadoras. N\u00f3s temos uma maioria de mulheres, pessoas negras, muitas pessoas LGBTs, que se veem exclu\u00eddas de outros partidos pol\u00edticos, mas veem no PSOL uma condi\u00e7\u00e3o de disputar as elei\u00e7\u00f5es para transformar o parlamento num espa\u00e7o mais diverso. Agora, isso n\u00e3o significa que a gente seja um partido identit\u00e1rio. Guilherme Boulos, obviamente, eleito prefeito de S\u00e3o Paulo, que a gente espera que seja eleito, vai construir pol\u00edticas para pessoas LGBTs, sem d\u00favida vai fazer uma diferen\u00e7a enorme, junto com a Erika Hilton l\u00e1, tamb\u00e9m deputada federal, para garantir dignidade e direito para essas pessoas, mas a gente n\u00e3o pode perder a dimens\u00e3o de que a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais diversa e que a gente precisa construir uma pol\u00edtica para todo mundo. Quando a gente quer uma cidade mais segura para as mulheres, uma cidade mais segura para mulheres \u00e9 uma cidade mais segura para todas as pessoas. Porque se ela \u00e9 mais segura para as mulheres, ela vai ser mais segura para as crian\u00e7as, para os idosos, inclusive para as pessoas LGBTs. Entende? Ent\u00e3o, eu acho que tentar desmascarar essa tentativa de nos jogar num espa\u00e7o de isolamento pol\u00edtico, que eles consideram identitarismo, \u00e9 um dos maiores desafios das nossas trajet\u00f3rias pol\u00edticas.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 se aproximando do centro nem amenizando a mensagem ideol\u00f3gica que a esquerda vai ganhar de volta o terreno conquistado pela direita, defende a deputada estadual Bella Gon\u00e7alves (PSOL), uma das tr\u00eas pr\u00e9-candidatas da esquerda em Belo Horizonte. 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