{"id":5625,"date":"2024-01-18T09:33:11","date_gmt":"2024-01-18T12:33:11","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2024\/01\/18\/predicoes-da-ia-no-sistema-de-seguros-privados\/"},"modified":"2024-01-18T09:33:11","modified_gmt":"2024-01-18T12:33:11","slug":"predicoes-da-ia-no-sistema-de-seguros-privados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2024\/01\/18\/predicoes-da-ia-no-sistema-de-seguros-privados\/","title":{"rendered":"Predi\u00e7\u00f5es da IA no sistema de seguros privados"},"content":{"rendered":"<p>Desde o surgimento do <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/chatgpt\">ChatGPT<\/a>, o <em>chatbot<\/em> de intelig\u00eancia generativa desenvolvido pela OpenAI, a humanidade vem alternando altos e baixos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s expectativas criadas pela ferramenta (e seus similares). Fomos do inicial deslumbramento com a acur\u00e1cia das respostas do <em>bot<\/em> \u00e0 r\u00e1pida decep\u00e7\u00e3o quando descobrimos que a ferramenta pode \u201ccriar\u201d respostas desprovidas de qualquer embasamento (as alucina\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>Ultrapassados os choques iniciais e o cont\u00ednuo receio de estarmos caminhando rumo a um futuro dist\u00f3pico, em que a intelig\u00eancia artificial assume o controle das nossas vidas, o novo mundo criado por essas novas tecnologias passou a ser escrutinado pela ci\u00eancia.<\/p>\n<p>A revista The Economist, em reportagem intitulada \u201c<a href=\"https:\/\/www.economist.com\/leaders\/2023\/09\/14\/how-artificial-intelligence-can-revolutionise-science?utm_medium=cpc.adword.pd&amp;utm_source=google&amp;ppccampaignID=19495686130&amp;ppcadID=&amp;utm_campaign=a.22brand_pmax&amp;utm_content=conversion.direct-response.anonymous&amp;gad_source=1&amp;gclid=CjwKCAiA44OtBhAOEiwAj4gpOeHJavYfVUUSEF1b89SM6keQ0dffQKCjkHq-DBnsIsNe7QlxY-FBaBoChfMQAvD_BwE&amp;gclsrc=aw.ds\">How artificial intelligence can revolutionise science<\/a>\u201d (Como a intelig\u00eancia artificial pode revolucionar a ci\u00eancia, publicada em setembro de 2023), destaca dois projetos entendidos como promissores: <em>a literature-based discovery (LBD)<\/em> \u2013 em portugu\u00eas, descoberta com fundamento na literatura; e os <em>robot scientists<\/em>, tamb\u00e9m chamados de <em>self-driving labs<\/em>, que poder\u00edamos traduzir como rob\u00f4s cientista e laborat\u00f3rios providos de autonomia, ou simplesmente laborat\u00f3rios aut\u00f4nomos.<\/p>\n<p>As LBD envolvem a explora\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia contida na literatura mundial desenvolvida pelas mais diversas \u00e1reas do conhecimento. Utilizando ferramentas com capacidade de an\u00e1lise de imensas bases de dados, como o ChatGPT, o prop\u00f3sito \u00e9 vasculhar ou conectar ideias que perdemos ao longo dos anos e gerar aplica\u00e7\u00e3o para esta ci\u00eancia perdida, viabilizando a conex\u00e3o de diferentes campos de atua\u00e7\u00e3o, identificando falhas no desenvolvimento de certas t\u00e9cnicas e, por que n\u00e3o, predizer novas descobertas.<\/p>\n<p>J\u00e1 os rob\u00f4s cientistas s\u00e3o capazes de analisar a extensa base de dados da literatura cient\u00edfica e criar hip\u00f3teses. A partir de dados cient\u00edficos j\u00e1 existentes, a intelig\u00eancia artificial \u00e9 capaz de analis\u00e1-los, gerar novas hip\u00f3teses cient\u00edficas e test\u00e1-las milhares de vezes.<\/p>\n<p>Ainda sem not\u00edcias a respeito dos avan\u00e7os pr\u00e1ticos dessas novas tecnologias, a enorme quantidade de dados gerada pela sociedade est\u00e1 cada vez mais acess\u00edvel nos chamados sistemas abertos (ex.: open banking), permitindo a an\u00e1lise por rob\u00f4s (algoritmos), o que poder\u00e1 fomentar a cria\u00e7\u00e3o de novos produtos e servi\u00e7os.<\/p>\n<p>O mundo dos seguros e da previd\u00eancia privada n\u00e3o est\u00e1 inc\u00f3lume a inova\u00e7\u00f5es dessa natureza e tamb\u00e9m desenvolve um sistema aberto denominado open insurance (ou, simplesmente, sistema de seguros aberto).<\/p>\n<p>Os chamados sistemas abertos s\u00e3o caracterizados pelo compartilhamento padronizado de dados e pela integra\u00e7\u00e3o de sistemas no \u00e2mbito de um determinado mercado. Nesse ambiente ser\u00e1 aportada uma infinidade de dados dos consumidores participantes (devidamente autorizados), que poder\u00e3o ser analisados pelas seguradoras para o desenvolvimento de produtos que supram lacunas de mercados ou que sejam mais customizados para cada p\u00fablico-alvo. A ideia tamb\u00e9m \u00e9 fomentar a competi\u00e7\u00e3o e a melhoria dos produtos ofertados, gerando benef\u00edcios.<\/p>\n<p>As perspectivas s\u00e3o animadoras, mas despertam preocupa\u00e7\u00f5es com potenciais efeitos danosos de decis\u00f5es automatizadas, falta de transpar\u00eancia e de explicabilidade, discrimina\u00e7\u00e3o algor\u00edtmica, entre outros.<\/p>\n<p>Imagine-se que determinado conjunto de dados seja trabalhado por um rob\u00f4 cientista que desenvolva e teste uma hip\u00f3tese milhares de vezes e chegue \u00e0 conclus\u00e3o de que o pretenso segurado n\u00e3o ter\u00e1 um per\u00edodo de vida longo. Muito provavelmente isso significar\u00e1 que nenhuma seguradora firmar\u00e1 um contrato de seguro de vida com referido consumidor, e as consequ\u00eancias para esse fato poder\u00e3o se desdobrar em outras restri\u00e7\u00f5es, como a de acesso a um financiamento imobili\u00e1rio.<\/p>\n<p>A mesma hip\u00f3tese pode ser aplicada, ainda com o aux\u00edlio dos rob\u00f4s cientistas, para a \u00e1rea da previd\u00eancia privada. Conclus\u00f5es hipot\u00e9ticas relacionadas \u00e0 acur\u00e1cia das previs\u00f5es a respeito do tempo de sobreviv\u00eancia dos participantes dos planos previdenci\u00e1rios, ou do quantitativo de pessoas que probabilisticamente ser\u00e1 afastada do trabalho por uma causa relacionada a invalidez, podem impor \u00f4nus adicionais aos benefici\u00e1rios.<\/p>\n<p>Tentar resolver a quest\u00e3o por meio do n\u00e3o compartilhamento dos dados ou da simples veda\u00e7\u00e3o \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de ferramentas de intelig\u00eancia artificial ao mercado de seguros e de previd\u00eancia privada n\u00e3o parecem boas solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O open insurance, atrelado ao uso de ferramentas de intelig\u00eancia artificial, \u00e9 um fomento indispens\u00e1vel para o desenvolvimento do mercado brasileiro. E se as LBD e os rob\u00f4s cientistas podem trazer desafios \u00e0 estrutura\u00e7\u00e3o do sistema, vale lembrar que este sistema aberto tamb\u00e9m \u00e9 o que, por interm\u00e9dio da tecnologia, poder\u00e1 aprimorar e ampliar a cobertura securit\u00e1ria e previdenci\u00e1ria para determinadas \u00e1reas que hoje n\u00e3o encontram apetite no mercado.<\/p>\n<p>\u00c9 importante que haja regras constru\u00eddas de forma sustent\u00e1vel e que consigam equilibrar, de um lado, o acesso a dados e o necess\u00e1rio desenvolvimento de ferramentas tecnol\u00f3gicas, e, de outro lado, a minimiza\u00e7\u00e3o dos riscos de que novas solu\u00e7\u00f5es, ao inv\u00e9s de contribu\u00edrem para o desenvolvimento e a democratiza\u00e7\u00e3o do mercado de seguros e de previd\u00eancia privada, acabem limitando-o ou aprofundando desigualdades.<\/p>\n<p>Em um momento de forte debate acerca da regulamenta\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia artificial, \u00e9 importante ponderar, com cautela, potenciais riscos e benef\u00edcios, a fim de que uma regula\u00e7\u00e3o precipitada n\u00e3o acabe prejudicando o desenvolvimento de mercados relevantes para o pa\u00eds.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o surgimento do ChatGPT, o chatbot de intelig\u00eancia generativa desenvolvido pela OpenAI, a humanidade vem alternando altos e baixos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s expectativas criadas pela ferramenta (e seus similares). 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