{"id":4977,"date":"2023-11-01T05:56:40","date_gmt":"2023-11-01T08:56:40","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2023\/11\/01\/trt9-condena-cooperativa-a-pagar-indenizacao-de-r-500-mil-por-assedio-eleitoral\/"},"modified":"2023-11-01T05:56:40","modified_gmt":"2023-11-01T08:56:40","slug":"trt9-condena-cooperativa-a-pagar-indenizacao-de-r-500-mil-por-assedio-eleitoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2023\/11\/01\/trt9-condena-cooperativa-a-pagar-indenizacao-de-r-500-mil-por-assedio-eleitoral\/","title":{"rendered":"TRT9 condena cooperativa a pagar indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 500 mil por ass\u00e9dio eleitoral"},"content":{"rendered":"<p>A 1\u00aa Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 9\u00aa Regi\u00e3o (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/TRT9\">TRT9<\/a>) condenou a cooperativa Lar Cooperativa Agroindustrial a pagar indeniza\u00e7\u00e3o no valor de R$ 500 mil por ass\u00e9dio eleitoral a seus empregados. A decis\u00e3o destaca que ficou comprovada tentativa de influ\u00eancia e coa\u00e7\u00e3o do voto dos funcion\u00e1rios no candidato <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/jair-bolsonaro\">Jair Bolsonaro<\/a> (PL) nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2022.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica foi ajuizada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (<a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/MPT\">MPT<\/a>), que pleiteou danos morais coletivos. Na decis\u00e3o, a Turma considerou que a empresa feriu a livre convic\u00e7\u00e3o de voto de seus colaboradores, violando princ\u00edpios garantidores do Estado Democr\u00e1tico de Direito, atingindo toda a sociedade.<\/p>\n<p>Para a Turma, ficou evidente que a empresa ultrapassou os seus limites diretivos e se utilizou de seu poder econ\u00f4mico para tentar influenciar o voto de seus colaboradores, por meio de publica\u00e7\u00f5es e programas de r\u00e1dio, \u201dpintando um cen\u00e1rio de terror\u201d, caso o presidente <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/lula\">Luiz In\u00e1cio Lula da Silva<\/a> (PT) vencesse as elei\u00e7\u00f5es, com \u201damea\u00e7as expl\u00edcitas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o dos empregos\u201d.<\/p>\n<p>Na decis\u00e3o, tamb\u00e9m ficou acordado que o valor do dano moral ser\u00e1 revertido ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) ou a outra destina\u00e7\u00e3o social, a crit\u00e9rio do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho.<\/p>\n<h3>Ass\u00e9dio eleitoral<\/h3>\n<p>Ao analisar o caso, o desembargador-relator, Eli\u00e1zer Antonio Medeiros, pontuou que se o empregador se utilizar de seu poder diretivo e hier\u00e1rquico para induzir, direcionar ou restringir a liberdade de escolha dos empregados a votarem em um, ou outro candidato, h\u00e1, sim, il\u00edcito que viola direitos e garantias fundamentais do trabalhador.<\/p>\n<p>No caso vertente, Medeiros assinalou que com uso de papel timbrado da cooperativa, atrav\u00e9s da logomarca e do endere\u00e7o, e valendo-se da respeitabilidade do seu cargo de diretor-presidente da cooperativa, o subscritor divulgou uma carta aberta, na qual destaca uma s\u00e9rie de medos e receios quanto aos \u201driscos desastrosos caso n\u00e3o eleito o seu candidato presidencial\u201d.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 carta divulgada, Medeiros ressalta que se extrai de uma entrevista veiculada pela r\u00e1dio da cooperativa, que o mesmo diretor-presidente da empresa utiliza de um meio de comunica\u00e7\u00e3o interno para dizer que \u201co que a gente ouve a gente precisa falar e a verdade ela \u00e9 bastante chocante: lhes pergunto, como que um candidato que \u00e9 assumidamente um candidato ladr\u00e3o, de certa<br \/>\nforma ele \u00e9 bandido mesmo, mentor do maior esquema de corrup\u00e7\u00e3o do mundo talvez, \u00e9 triste demais ver que ele foi o mais votado e a n\u00e3o ser que as urnas sejam fraudadas, que a vota\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 bem aquela\u201d, referindo-se ao primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es de 2022.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Medeiros, ainda que n\u00e3o houvesse ordens diretamente repressivas a um ou outro empregado identificado, a atitude do presidente da cooperativa evidencia n\u00edtido intento de controle social e n\u00e3o de conscientiza\u00e7\u00e3o de seus trabalhadores. Segundo ele, o diretor da empresa buscava \u201dsim disciplinar corpos para direcionar votos, instigando medos diversos, como o risco de desemprego que haveria ao anunciar possibilidade de fechamento dos trabalhos\u201d, caso Bolsonaro n\u00e3o fosse reeleito.<\/p>\n<p>\u201dA metodologia produz efeitos coercitivos na comunidade e afeta a psique de trabalhadores, caracterizando abuso do poder diretivo e abuso da liberdade de express\u00e3o na medida que visa a indu\u00e7\u00e3o do voto a determinado candidato\u201d, avaliou o desembargador.<\/p>\n<h3>Caso concreto da a\u00e7\u00e3o ajuizada pelo MPT<\/h3>\n<p>Em 2022, os atos cometidos pelo presidente da cooperativa foram denunciados ao MPT. De acordo com a den\u00fancia, a empresa promoveu uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es visando pressionar os seus funcion\u00e1rios a votar no candidato Bolsonaro para reelei\u00e7\u00e3o presidencial em 2022.<\/p>\n<p>Na a\u00e7\u00e3o, o MPT sustenta que a empresa se posicionou institucionalmente a favor de um determinado candidato \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica, direcionando o voto de seus colaboradores, o que, segundo o \u00f3rg\u00e3o, configura-se como ass\u00e9dio eleitoral.<\/p>\n<p>Aduz, ainda, que na den\u00fancia recebida, estavam sendo realizadas reuni\u00f5es com os candidatos e seus l\u00edderes para que coagissem seus funcion\u00e1rios e prestadores de servi\u00e7os de terceiros a votarem nos candidatos que os beneficiam, \u201dchegando alguns gestores a verbalizar que tais prestadores de servi\u00e7os seriam boicotados, somente por possuir bandeiras da oposi\u00e7\u00e3o de seu candidato\u201d.<\/p>\n<p>Em contesta\u00e7\u00e3o, a cooperativa afirmou que nunca houve press\u00e3o para que os empregados votassem em determinado candidato, quer institucionalmente, quer por seus prepostos. Afirma tamb\u00e9m que o texto juntado pelo MPT foi enviado a um \u201destreito c\u00edrculo de pessoas de sua confian\u00e7a\u201d, sendo sua opini\u00e3o pessoal, devendo ser respeitado o seu direito de liberdade de express\u00e3o.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o da 1\u00aa Turma do TRT9 confirmou a senten\u00e7a proferida em primeiro grau pela ju\u00edza Tatiane Raquel Bastos Buquera, titular da 1\u00aa Vara do Trabalho de Foz do Igua\u00e7u (PR), que j\u00e1 havia concedido o dano moral coletivo.<\/p>\n<p>Procurada pelo <span class=\"jota\">JOTA<\/span>, a cooperativa n\u00e3o retornou ao contato. O espa\u00e7o segue aberto.<\/p>\n<p>O processo tramita como ACPCiv 0000880-55.2022.5.09.0095 no TRT9.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 1\u00aa Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 9\u00aa Regi\u00e3o (TRT9) condenou a cooperativa Lar Cooperativa Agroindustrial a pagar indeniza\u00e7\u00e3o no valor de R$ 500 mil por ass\u00e9dio eleitoral a seus empregados. 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