{"id":4418,"date":"2023-08-22T22:16:30","date_gmt":"2023-08-23T01:16:30","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2023\/08\/22\/sus-enfrenta-carencias-severas-para-aprimorar-diagnosticos-de-cancer-de-pulmao\/"},"modified":"2023-08-22T22:16:30","modified_gmt":"2023-08-23T01:16:30","slug":"sus-enfrenta-carencias-severas-para-aprimorar-diagnosticos-de-cancer-de-pulmao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2023\/08\/22\/sus-enfrenta-carencias-severas-para-aprimorar-diagnosticos-de-cancer-de-pulmao\/","title":{"rendered":"SUS enfrenta car\u00eancias severas para aprimorar diagn\u00f3sticos de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span>O c\u00e2ncer de pulm\u00e3o \u00e9 o que mais mata no mundo, al\u00e9m de ser segundo com maior incid\u00eancia. O combate passa pela detec\u00e7\u00e3o precoce e tratamento adequado. <\/span><span>Na \u00faltima d\u00e9cada, houve evolu\u00e7\u00f5es nesses pontos, com testes moleculares sofisticados, bi\u00f3psias menos invasivas e drogas espec\u00edficas para cada tipo de tumor \u2013 por\u00e9m nem sempre eles atingem o SUS e todo o Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span>No Brasil, onde o c\u00e2ncer de pulm\u00e3o \u00e9 o terceiro mai<\/span><span>s incidente em homens e o quarto em mulheres, o desafio \u00e9 dar acesso a este novo arsenal de combate \u00e0 neoplasia. Hoje, cerca de 90% dos c\u00e2nceres pulmonares s\u00e3o diagnosticados j\u00e1 em estadio avan\u00e7ado, o que dificulta o tratamento.<\/span><\/p>\n<p><span>O cen\u00e1rio para o c\u00e2ncer de pulm\u00e3o no Brasil, assim como estrat\u00e9gias e solu\u00e7\u00f5es para melhorar o acesso a tratamentos de ponta, foram temas do 5\u00ba F\u00f3rum Oncoguia de C\u00e2ncer de Pulm\u00e3o, realizado nesta ter\u00e7a-feira (22\/8) na Casa <span class=\"jota\">JOTA<\/span>. A realiza\u00e7\u00e3o e o patroc\u00ednio foram em parceria entre Grupo Brasileiro de Oncologia Tor\u00e1cica (GBOT) e o Instituto Oncoguia. <\/span><\/p>\n<p><span>O evento reuniu especialistas de diferentes \u00e1reas, como oncologistas, patologistas e radiologistas, al\u00e9m de representantes da ind\u00fastria farmac\u00eautica e do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Na vis\u00e3o do oncologista cl\u00ednico especialista em tumores tor\u00e1cicos e mam\u00e1rios do departamento de Oncologia Cl\u00ednica do AC Camargo C\u00e2ncer Center, em S\u00e3o Paulo, Vladmir Cl\u00e1udio Cordeiro de Lima, as melhores estrat\u00e9gias de tratamento para o c\u00e2ncer de pulm\u00e3o exigem a identifica\u00e7\u00e3o correta do tumor. <\/span><\/p>\n<p><span>\u201cPara carcinoma pulmonar de c\u00e9lulas n\u00e3o-pequenas (CPCNP), o teste molecular \u00e9 essencial na escolha do tratamento inicial, avalia\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia ao tratamento e na identifica\u00e7\u00e3o de pacientes candidatos a novas interven\u00e7\u00f5es clinicas\u201d, comentou\u00a0Lima, citando dados da evolu\u00e7\u00e3o na sobrevida mediana dos pacientes.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Em 2002, a sobrevida mediana para pessoas diagnosticadas com c\u00e2ncer de pulm\u00e3o era de apenas oito meses, e s\u00f3 um em cada dez pacientes continuava vivo ap\u00f3s dois anos. A situa\u00e7\u00e3o foi melhorando aos poucos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Estudos com tratamento espec\u00edfico, e n\u00e3o ministrado apenas ap\u00f3s a quimioterapia falhar elevaram a sobrevida mediana para perto de tr\u00eas anos; e h\u00e1 pacientes que vivem bem mais.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cH\u00e1 avan\u00e7os importantes nos tratamentos, mas desde que identificada qual a muta\u00e7\u00e3o exata daquele tumor\u201d, avaliou. \u201cHoje, os testes moleculares possibilitam dar nome e sobrenome ao c\u00e2ncer de pulm\u00e3o com maior efic\u00e1cia no tratamento\u201d, disse.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cNo Brasil, o acesso ao tratamento ainda \u00e9 pequeno e desigual. 70% dos pacientes recebem terapias de 20 anos atr\u00e1s. Os testes moleculares s\u00e3o essenciais para mudar esta realidade\u201d, disse.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Para combater parte do problema, h\u00e1 iniciativas conjuntas da ind\u00fastria farmac\u00eautica para patrocinar testes moleculares no Brasil. Uma destas iniciativas, a Lung Mapping, nasceu da uni\u00e3o das farmac\u00eauticas AstraZeneca, Bayer, Pfizer e Roche, e que depois ganhou o refor\u00e7o de Novartis e da Takeda.<\/p>\n<p>A ideia do projeto \u00e9 contribuir para a jornada do paciente com c\u00e2ncer de pulm\u00e3o de n\u00e3o pequenas c\u00e9lulas (CPNPC) avan\u00e7ado subtipo n\u00e3o escamoso.<\/p>\n<p>\u201cDesde que come\u00e7amos em 2019, mais de 10 mil pacientes j\u00e1 foram beneficiados. Levar os testes moleculares at\u00e9 as pessoas \u00e9 essencial. Entendo que o pa\u00eds n\u00e3o precisa testar rotas que j\u00e1 n\u00e3o deram certo, mas pode aprender com outros locais que j\u00e1 passaram para o este processo\u201d, comenta Michelle Fran\u00e7a, diretora M\u00e9dica da Roche.<\/p>\n<p><span>Andr\u00e9 Nebel de Mello, gerente m\u00e9dico da Pfizer, destacou ainda o ineditismo do Lung Mapping. \u201cAcredito que a iniciativa \u00e9 \u00fanica no mundo, com a combina\u00e7\u00e3o de farmac\u00eauticas para patrocinar o acesso aos testes\u201d, explicou Mello. <\/span><\/p>\n<p><span>Juliana Sayuri Kuribayashi, gerente executiva de Diagn\u00f3stico da AstraZeneca, pontuou que a iniciativa com foco no c\u00e2ncer pulm\u00e3o pode ser replicado em outros tumores. \u201cTivemos um aprendizado grande sobre coleta das amostras, transporte, tudo muito complexo. Medicina de precis\u00e3o \u00e9 essencial porque muda a conduta que podemos dar ao paciente.\u201d\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<h3>Dificuldades nos testes diagn\u00f3sticos<\/h3>\n<p><span>No evento na Casa <span class=\"jota\">JOTA<\/span>, destaque tamb\u00e9m para as dificuldades dos patologistas, essenciais nas an\u00e1lises das bi\u00f3psias e nos testes moleculares para diagn\u00f3sticos certeiros da doen\u00e7a. Hoje, cerca de 30% das amostras d\u00e3o inconclusivas para teste molecular por mal processamento.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cUsamos l\u00e2minas escaneadas, realizamos teste imuno histoqu\u00edmicos, que identificam grande parte dos tumores de pulm\u00e3o, e tamb\u00e9m os moleculares. H\u00e1 equipamentos moderno e \u00e1geis, mas alguns problemas prosseguem\u201d, comenta Cl\u00f3vis Klock, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP)<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cA amostra tem que ser bem manuseada. Nem todos os laborat\u00f3rios t\u00eam material adequado e a amostra do tumor n\u00e3o pode ser processada da forma certa\u201d, disse. Ap\u00f3s a bi\u00f3psia, a amostra deve permanecer no frasco de formol entre oito e 72 horas no m\u00e1ximo, por exemplo. Se n\u00e3o for neste intervalo de tempo, perde qualidade para a defini\u00e7\u00e3o exata do tumor.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>A falta de profissionais e a distribui\u00e7\u00e3o desigual no pa\u00eds tamb\u00e9m foi apontado por Klock. O numero de patologistas no Brasil est\u00e1 abaixo do que preconiza a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), de 2,4 patologistas para cada 100 mil habitantes. <\/span><\/p>\n<p><span>\u201cNo Brasil, a m\u00e9dia \u00e9 de 0,76 m\u00e9dicos por 100 mil habitantes, e em alguns estados do Norte, por exemplo, tem taxas ainda inferiores, o que impacta na velocidade das bi\u00f3psias e do in\u00edcio do tratamento nesses locais\u201d, avaliou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Luciana Holtz, presidente do Oncoguia, lembrou o caso de uma paciente do interior do Cear\u00e1. Ela havia recebido o tumor retirado de seu <\/span><span>pulm\u00e3o para que ela buscasse, em outro local,\u00a0 a realiza\u00e7\u00e3o da bi\u00f3psia, j\u00e1 que o hospital n\u00e3o teria como executar. \u201cA mulher nos procurou e n\u00f3s ajudamos, mas \u00e9 um cen\u00e1rio desigual, muito diferente do observado em outros estados com mais recursos. Isso precisa ser resolvido\u201d, afirmou Holtz.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3>Procedimentos avan\u00e7ados<\/h3>\n<p><span>Outro problema que tamb\u00e9m impacta na qualidade do diagn\u00f3stico do c\u00e2ncer de pulm\u00e3o \u00e9 o m\u00e9todo de coleta da amostra do tumor. A quest\u00e3o foi citada por Luiz S\u00e9rgio Grillo, diretor de Defesa Profissional da Sociedade Brasileira de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (Sobrice).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>No Brasil, na maioria dos casos a coleta \u00e9 feita por cirurgia aberta, o que imp\u00f5e a interna\u00e7\u00e3o do paciente por alguns dias. \u201cTemos a bi\u00f3psia via broncoscopia e a percut\u00e2nea, muito menos invasivas, seguras e eficazes. Sem necessidade de interna\u00e7\u00e3o e que permite fazer em escala, com volumes de bi\u00f3psias maiores\u201d afirmou. <\/span><\/p>\n<p><span>Segundo ele, falta financiamento para garantir os procedimentos mais modernos. \u201cTemos radiologistas intervencionistas suficientes, treinados para o procedimento. H\u00e1 um debate ocorrendo para que estes procedimentos sejam mais adotados, porque s\u00e3o menos invasivos e eficazes\u201d, completou.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Nessa linha, tamb\u00e9m \u00e9 discutida a incorpora\u00e7\u00e3o do teste rt-PCR para identifica\u00e7\u00e3o de muta\u00e7\u00e3o do gene EGFR, que causa o c\u00e2ncer de pulm\u00e3o de n\u00e3o pequenas c\u00e9lulas. <\/span><span>O tema tratado no \u00e2mbito da Comiss\u00e3o Nacional de Incorpora\u00e7\u00e3o de Tecnologias no SUS (Conitec) e recentemente passou por uma consulta p\u00fablica. . <\/span><\/p>\n<p><span>Juliana Machado Rugolo, coordenadora do N\u00facleo de Avalia\u00e7\u00e3o de Tecnologias em Sa\u00fade (NATS) da Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (SP), lembra que os desafios para incorpora\u00e7\u00e3o do teste no SUS passam pelo processamento da amostra. <\/span><\/p>\n<p><span>\u201cEm algumas regi\u00f5es, a bi\u00f3psia \u00e9 feita e nem sempre h\u00e1 o formol tamponado a 10%, adequado para o procedimento; local \u00e0s vezes n\u00e3o \u00e9 adequado e inexiste um servi\u00e7o de patologia molecular\u201d, comenta. <\/span><\/p>\n<p><span>\u201cOutro problema, que foi debatido no Conitec, \u00e9 a necessidade de um protocolo, de uma padroniza\u00e7\u00e3o sobre quais muta\u00e7\u00f5es ser\u00e3o avaliadas porque s\u00e3o in\u00fameras possibilidades\u201d, disse a especialista. Al\u00e9m disso, p<\/span><span>ara que o teste seja incorporado seria tamb\u00e9m necess\u00e1rio que o SUS distribu\u00edsse pain\u00e9is gen\u00e9ticos usando sequenciamento de ultima gera\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>O coordenador-geral da Pol\u00edtica Nacional de Preven\u00e7\u00e3o e Controle do C\u00e2ncer do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Fernando Maia, reconheceu os in\u00fameros desafios que o SUS enfrenta para melhorar a jornada do paciente com c\u00e2ncer de pulm\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span>\u201cNo Minist\u00e9rio, temos um debate grande sobre rastreamento de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, para decidir o custo efetivo e se vale a pena, sempre \u00e0 luz de evid\u00eancia cient\u00edficas\u201d, comentou. \u201cEstamos elaborando um material com o Instituto Nacional do C\u00e2ncer para o uso na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria que definir\u00e1 pacientes com alta risco da neoplasia e com protocolos de como agir de forma precoce para a detec\u00e7\u00e3o de eventuais c\u00e2ncer\u201d, adicionou. <\/span><\/p>\n<p><span>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 bi\u00f3psia, utilizando broncoscopia ou guiada por imagem (percut\u00e2nea), ele reconheceu que o cen\u00e1rio \u201c\u00e9 ruim no Brasil, com pouco acesso\u201d, mas garantindo que h\u00e1 um compromisso em resolver o problema.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cPrecisamos ter clareza que s\u00f3 criar procedimento ou aumentar valor pago n\u00e3o resolve o acesso. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso um plano amplo para dar acesso ao diagn\u00f3stico mais moderno de forma igual em todo o pa\u00eds\u201d, disse. <\/span><\/p>\n<p><span>Segundo ele, h\u00e1 um trabalho intenso para, em conjunto com diferentes agentes que atuam no setor, desenvolver um plano para treinar profissionais e montar laborat\u00f3rios com tecnologia adequada de modo a melhor garantir o acesso a diagn\u00f3sticos e tratamentos com tecnologias mais avan\u00e7adas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Assista ao painel no YouTube do <span class=\"jota\">JOTA<\/span>:<\/p>\n<div class=\"jota-article__embed\"><\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O evento completo foi transmitido tamb\u00e9m pelo canal do Oncoguia:<\/p>\n<div class=\"jota-article__embed\"><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O c\u00e2ncer de pulm\u00e3o \u00e9 o que mais mata no mundo, al\u00e9m de ser segundo com maior incid\u00eancia. O combate passa pela detec\u00e7\u00e3o precoce e tratamento adequado. 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