{"id":3915,"date":"2023-05-05T08:51:11","date_gmt":"2023-05-05T11:51:11","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2023\/05\/05\/quarta-turma-isenta-laboratorio-de-indenizar-consumidora-que-desenvolveu-sindrome-ao-tomar-novalgina\/"},"modified":"2023-05-05T08:51:11","modified_gmt":"2023-05-05T11:51:11","slug":"quarta-turma-isenta-laboratorio-de-indenizar-consumidora-que-desenvolveu-sindrome-ao-tomar-novalgina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2023\/05\/05\/quarta-turma-isenta-laboratorio-de-indenizar-consumidora-que-desenvolveu-sindrome-ao-tomar-novalgina\/","title":{"rendered":"Quarta Turma isenta laborat\u00f3rio de indenizar consumidora que desenvolveu s\u00edndrome ao tomar Novalgina"},"content":{"rendered":"<p>A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), em decis\u00e3o un\u00e2nime, isentou o laborat\u00f3rio fabricante do analg\u00e9sico Novalgina do dever de indenizar uma consumidora que desenvolveu doen\u00e7a grave ap\u00f3s usar o produto. Segundo o colegiado, sendo provado que n\u00e3o houve defeito do medicamento e estando prevista na bula a possibilidade da rea\u00e7\u00e3o adversa, n\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel a responsabiliza\u00e7\u00e3o do fabricante.<\/p>\n<p>Ao dar provimento ao recurso especial do laborat\u00f3rio, a turma julgadora considerou que a teoria do risco da atividade adotada no sistema do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC) n\u00e3o tem car\u00e1ter absoluto, integral ou irrestrito, podendo o fabricante se eximir do dever de indenizar caso comprove que o dano sofrido pelo consumidor n\u00e3o decorreu de defeito do produto (<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8078.htm#art12\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 12, par\u00e1grafo 3\u00ba, inciso II, do CDC<\/strong><\/a>).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ingerir dois comprimidos de Novalgina, a consumidora apresentou sintomas como febre, dor de cabe\u00e7a, irrita\u00e7\u00e3o e bolhas na pele, na boca e nos olhos. Devido ao agravamento do quadro cl\u00ednico, ela ficou internada por 20 dias. Diagnosticada com a S\u00edndrome de Stevens-Johnson, a consumidora entrou na Justi\u00e7a com pedido de repara\u00e7\u00e3o contra o fabricante do medicamento. <\/p>\n<p>As inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias consideraram que a possibilidade de contrair uma doen\u00e7a grave ap\u00f3s tomar o analg\u00e9sico n\u00e3o poderia ser considerada normal e previs\u00edvel pelo consumidor, ainda que essa rea\u00e7\u00e3o al\u00e9rgica esteja descrita na bula, por se tratar de medicamento de livre comercializa\u00e7\u00e3o e grande aceita\u00e7\u00e3o no mercado, adquirido sem a necessidade de receita m\u00e9dica. Por isso, o Tribunal de Justi\u00e7a do Distrito Federal e dos Territ\u00f3rios (TJDFT) condenou o laborat\u00f3rio a pagar R$ 1 milh\u00e3o por danos morais, al\u00e9m da repara\u00e7\u00e3o de todos os danos materiais.<\/p>\n<h2>Medicamentos s\u00e3o produtos que apresentam riscos intr\u00ednsecos<\/h2>\n<p>A relatora do recurso do laborat\u00f3rio no STJ, ministra Isabel Gallotti, observou que os medicamentos em geral s\u00e3o produtos que apresentam riscos intr\u00ednsecos, inerentes \u00e0 sua pr\u00f3pria utiliza\u00e7\u00e3o e decorrentes da finalidade a que se destinam (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8078.htm#art8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>artigo 8\u00ba do CDC<\/strong><\/a>).<\/p>\n<p>A magistrada destacou que a ingest\u00e3o de medicamentos tem potencial para provocar rea\u00e7\u00f5es adversas, as quais, todavia, n\u00e3o configuram, por si s\u00f3s, defeito do produto, desde que a potencialidade e a frequ\u00eancia desses efeitos nocivos estejam descritas na bula, em respeito ao dever de informa\u00e7\u00e3o por parte do fabricante \u2013 exig\u00eancia que, segundo a relatora, foi atendida pelo laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8220;O registro na bula sobre a possibilidade de ocorr\u00eancia dessas enfermidades, em casos isolados, como rea\u00e7\u00e3o adversa da ingest\u00e3o do medicamento, demonstra n\u00e3o apenas ter sido prestada de maneira adequada e suficiente a informa\u00e7\u00e3o acerca da periculosidade do produto, mas, diante das peculiaridades do caso, que nada al\u00e9m disso poderia ser exigido do fabricante do rem\u00e9dio, porque estava fora do seu alcance a ado\u00e7\u00e3o de conduta diversa&#8221;, declarou. <\/p>\n<h2>Diversos outros rem\u00e9dios de uso corriqueiro podem causar a mesma rea\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>A ministra tamb\u00e9m apontou que a S\u00edndrome de Stevens-Johnson, cujas causas ainda n\u00e3o foram identificadas de forma precisa pela medicina, pode ser desencadeada a partir da ingest\u00e3o de pelo menos uma centena de rem\u00e9dios. <\/p>\n<p>Gallotti ressaltou que a Novalgina pode ser adquirida sem ##prescri\u00e7\u00e3o## m\u00e9dica porque, conforme previsto em regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, seu princ\u00edpio ativo \u2013 a dipirona \u2013 apresenta baixo grau de risco e nocividade reduzida, destina-se ao tratamento de enfermidades simples e passageiras, e n\u00e3o tem potencial de causar depend\u00eancia f\u00edsica ou ps\u00edquica.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o teria relev\u00e2ncia alguma a eventual assist\u00eancia de profissional m\u00e9dico para alertar o consumidor sobre os poss\u00edveis efeitos adversos da ingest\u00e3o da Novalgina, dado que as causas que desencadeiam a rea\u00e7\u00e3o al\u00e9rgica denominada S\u00edndrome de Stevens-Johnson ainda n\u00e3o foram identificadas de forma precisa pela ci\u00eancia m\u00e9dica, al\u00e9m do que diversos outros rem\u00e9dios de uso corriqueiro, inclusive o paracetamol, podem causar a mesma rea\u00e7\u00e3o&#8221;, concluiu.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/revista\/documento\/mediado\/?componente=ITA&amp;sequencial=2284139&amp;num_registro=201303041415&amp;data=20230414&amp;formato=PDF\"><strong>Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp<\/strong><strong> <\/strong><strong>1.402.929<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>vti_charset:SR|utf-8<br \/>\nCampoResumo2:SW|Segundo a ministra Isabel Gallotti, a S\u00edndrome de Stevens-Johnson \u2013 de causas ainda n\u00e3o bem identificadas \u2013 pode ser desencadeada a partir da ingest\u00e3o de pelo menos cem medicamentos.<br \/>\nvti_folderitemcount:IR|0<br \/>\nCampoExibirNaHome:BW|false<br \/>\nDisplayTemplateJSTemplateHidden:IW|0<br \/>\nvti_priorversioncreationtime:TR|27 Apr 2023 21:02:00 -0000<br \/>\ndisplay_urn:schemas-microsoft-com:office:office#PublishingContact:SW|Gutemberg de Souza<br \/>\nPublishingContactEmail:SW|<br \/>\nCampoProcessosRelacionados2:SW|REsp 1402929<br \/>\nvti_timelastwnssent:TR|28 Apr 2023 22:42:33 -0000<br \/>\nCampoTituloChamada:SW|<br \/>\nvti_iplabelpromotionversion:IW|0<br \/>\nPublishingContact:IW|35<br \/>\nvti_previewinvalidtime:TX|26 Apr 2023 21:51:18 -0000<br \/>\nCampoCategoria2:IW|2<br \/>\nvti_writevalidationtoken:SW|\/ZOPoPsrUVt964iFXyme6IMcSLo=<br \/>\nContentTypeId:SW|0x010100C568DB52D9D0A14D9B2FDCC96666E9F2007948130EC3DB064584E219954237AF390028C222943FF17147A8DFF100E78AD63E009AE7A42EF36FBD45885808727835AC84<br \/>\nCampoMinistros:SW|22;#Isabel Gallotti<br \/>\nPublishingIsFurlPage:IW|0<br \/>\nvti_decryptskipreason:IW|6<br \/>\nCampoCreditoImg:SW|<br \/>\nCampoImagemMiniatura2:SW|<br \/>\nvti_sprocsschemaversion:SR|16.0.848.0<br \/>\nPublishingContactName:SW|<br \/>\nvti_areHybridOrphanHashedBlobsCleaned:BW|false<br \/>\nPublishingPageLayout:SW|https:\/\/stjjus.sharepoint.com\/sites\/portalp\/_catalogs\/masterpage\/LayoutConteudoPadraoPortalSTJ.aspx, Layout Conte\u00fado Padr\u00e3o Portal STJ<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), em decis\u00e3o un\u00e2nime, isentou o laborat\u00f3rio fabricante do analg\u00e9sico Novalgina do dever de indenizar uma consumidora que desenvolveu doen\u00e7a grave ap\u00f3s usar o produto. Segundo o colegiado, sendo provado que n\u00e3o houve defeito do medicamento e estando prevista na bula a possibilidade da rea\u00e7\u00e3o adversa, n\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3915"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3915"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3915\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}