{"id":3824,"date":"2023-04-25T10:37:24","date_gmt":"2023-04-25T13:37:24","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2023\/04\/25\/corte-especial-admite-relativizar-impenhorabilidade-do-salario-para-pagamento-de-divida-nao-alimentar\/"},"modified":"2023-04-25T10:37:24","modified_gmt":"2023-04-25T13:37:24","slug":"corte-especial-admite-relativizar-impenhorabilidade-do-salario-para-pagamento-de-divida-nao-alimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2023\/04\/25\/corte-especial-admite-relativizar-impenhorabilidade-do-salario-para-pagamento-de-divida-nao-alimentar\/","title":{"rendered":"Corte Especial admite relativizar impenhorabilidade do sal\u00e1rio para pagamento de d\u00edvida n\u00e3o alimentar"},"content":{"rendered":"<p>Em julgamento de embargos de diverg\u00eancia, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) estabeleceu que, em car\u00e1ter excepcional, \u00e9 poss\u00edvel relativizar a regra da impenhorabilidade das verbas de natureza salarial para pagamento de d\u00edvida n\u00e3o alimentar, independentemente do montante recebido pelo devedor, desde que preservado valor que assegure subsist\u00eancia digna para ele e sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>O colegiado acompanhou o relator, ministro Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, para quem essa relativiza\u00e7\u00e3o somente deve ser aplicada &#8220;quando restarem inviabilizados outros meios execut\u00f3rios que garantam a efetividade da execu\u00e7\u00e3o&#8221;, e desde que &#8220;avaliado concretamente o impacto da constri\u00e7\u00e3o sobre os rendimentos do executado&#8221;.<\/p>\n<h2>Condi\u00e7\u00f5es para afastar a impenhorabilidade dos sal\u00e1rios<\/h2>\n<p>Os embargos de diverg\u00eancia foram interpostos por um credor contra ac\u00f3rd\u00e3o da Quarta Turma que indeferiu o pedido de penhora de 30% do sal\u00e1rio do executado \u2013 em torno de R$ 8.500. A d\u00edvida objeto da execu\u00e7\u00e3o tem origem em cheques de aproximadamente R$ 110 mil.<\/p>\n<p>A Quarta Turma entendeu que a jurisprud\u00eancia do STJ se firmou no sentido de que a regra geral da impenhorabilidade das verbas de natureza salarial comporta exce\u00e7\u00e3o nas seguintes hip\u00f3teses: a) para o pagamento de presta\u00e7\u00e3o aliment\u00edcia de qualquer origem, independentemente do valor da remunera\u00e7\u00e3o recebida; e b) para o pagamento de qualquer outra d\u00edvida n\u00e3o alimentar, quando os valores recebidos pelo executado forem superiores a 50 sal\u00e1rios m\u00ednimos mensais, ressalvando-se eventuais particularidades do caso concreto. Em ambas as situa\u00e7\u00f5es, deve ser preservado percentual capaz de assegurar a dignidade do devedor e de sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Contudo, o credor apontou precedentes da Corte Especial e da Terceira Turma que condicionaram o afastamento do car\u00e1ter absoluto da impenhorabilidade das verbas de natureza salarial apenas ao fato de a medida constritiva n\u00e3o comprometer a subsist\u00eancia digna do devedor e de sua fam\u00edlia, independentemente da natureza da d\u00edvida ou dos rendimentos do executado.<\/p>\n<p>Segundo o ministro Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, a diverg\u00eancia estava em definir se a impenhorabilidade, na hip\u00f3tese de d\u00edvida de natureza n\u00e3o alimentar, estaria condicionada apenas \u00e0 garantia do m\u00ednimo necess\u00e1rio para a subsist\u00eancia digna do devedor e de sua fam\u00edlia ou se, al\u00e9m disso, deveria ser observado o limite m\u00ednimo de 50 sal\u00e1rios m\u00ednimos recebidos pelo devedor.<\/p>\n<h2>\u00c9 poss\u00edvel a relativiza\u00e7\u00e3o da regra da impenhorabilidade do artigo 833 do CPC<\/h2>\n<p>Para o relator, o C\u00f3digo de Processo Civil (CPC), ao suprimir a palavra &#8220;absolutamente&#8221; no <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13105.htm#art833\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>caput<\/em><\/strong><strong> do artigo 833<\/strong><\/a>, passou a tratar a impenhorabilidade como relativa, &#8220;permitindo que seja atenuada \u00e0 luz de um julgamento principiol\u00f3gico, em que o julgador, ponderando os princ\u00edpios da menor onerosidade para o devedor e da efetividade da execu\u00e7\u00e3o para o credor, conceda a tutela jurisdicional mais adequada a cada caso, em contraponto a uma aplica\u00e7\u00e3o r\u00edgida, linear e inflex\u00edvel do conceito de impenhorabilidade&#8221;.<\/p>\n<p>O ministro afirmou que esse ju\u00edzo de pondera\u00e7\u00e3o deve ser feito \u00e0 luz da dignidade da pessoa humana, que resguarda tanto o devedor quanto o credor, e mediante o emprego dos crit\u00e9rios de razoabilidade e da proporcionalidade.<\/p>\n<p>&#8220;A fixa\u00e7\u00e3o desse limite de 50 sal\u00e1rios m\u00ednimos merece cr\u00edticas, na medida em que se mostra muito destoante da realidade brasileira, tornando o dispositivo praticamente in\u00f3cuo, al\u00e9m de n\u00e3o traduzir o verdadeiro escopo da impenhorabilidade, que \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o de uma reserva digna para o sustento do devedor e de sua fam\u00edlia&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Dessa forma, o relator entendeu que \u00e9 poss\u00edvel a relativiza\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13105.htm#art833%C2%A72\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>par\u00e1grafo 2\u00ba do artigo 833 do CPC<\/strong><\/a>, de modo a se autorizar a penhora de verba salarial inferior a 50 sal\u00e1rios m\u00ednimos, em percentual condizente com a realidade de cada caso concreto, desde que assegurado montante que garanta a dignidade do devedor e de sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>vti_charset:SR|utf-8<br \/>\nCampoResumo2:SW|Para o ministro Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha, a permiss\u00e3o legal de penhora acima de 50 sal\u00e1rios m\u00ednimos destoa da realidade brasileira e torna o dispositivo praticamente in\u00f3cuo.<br \/>\nvti_folderitemcount:IR|0<br \/>\nCampoExibirNaHome:BW|false<br \/>\nDisplayTemplateJSTemplateHidden:IW|0<br \/>\ndisplay_urn:schemas-microsoft-com:office:office#PublishingContact:SW|Gutemberg de Souza<br \/>\nPublishingContactEmail:SW|<br \/>\nvti_timelastwnssent:TR|24 Apr 2023 22:32:53 -0000<br \/>\nCampoProcessosRelacionados2:SW|EREsp 1874222<br \/>\nCampoTituloChamada:SW|<br \/>\nvti_iplabelpromotionversion:IW|0<br \/>\nPublishingContact:IW|35<br \/>\nvti_previewinvalidtime:TX|24 Apr 2023 22:03:33 -0000<br \/>\nCampoCategoria2:IW|2<br \/>\nvti_writevalidationtoken:SW|XjFhi2UCnV5NFA2vhpI0Nb3s2zQ=<br \/>\nContentTypeId:SW|0x010100C568DB52D9D0A14D9B2FDCC96666E9F2007948130EC3DB064584E219954237AF390028C222943FF17147A8DFF100E78AD63E009AE7A42EF36FBD45885808727835AC84<br \/>\nCampoMinistros:SW|1;#Jo\u00e3o Ot\u00e1vio de Noronha<br \/>\nPublishingIsFurlPage:IW|0<br \/>\nvti_decryptskipreason:IW|6<br \/>\nCampoCreditoImg:SW|<br \/>\nCampoImagemMiniatura2:SW|<br \/>\nvti_sprocsschemaversion:SR|16.0.844.0<br \/>\nPublishingContactName:SW|<br \/>\nvti_areHybridOrphanHashedBlobsCleaned:BW|false<br \/>\nPublishingPageLayout:SW|https:\/\/stjjus.sharepoint.com\/sites\/portalp\/_catalogs\/masterpage\/LayoutConteudoPadraoPortalSTJ.aspx, Layout Conte\u00fado Padr\u00e3o Portal STJ<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em julgamento de embargos de diverg\u00eancia, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) estabeleceu que, em car\u00e1ter excepcional, \u00e9 poss\u00edvel relativizar a regra da impenhorabilidade das verbas de natureza salarial para pagamento de d\u00edvida n\u00e3o alimentar, independentemente do montante recebido pelo devedor, desde que preservado valor que assegure subsist\u00eancia digna para ele e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3824"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3824"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3824\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3824"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3824"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3824"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}