{"id":26281,"date":"2026-09-21T05:59:09","date_gmt":"2026-09-21T08:59:09","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/09\/21\/empresas-usam-interoperabilidade-em-relatorios-esg-em-busca-de-resposta-integral\/"},"modified":"2026-09-21T05:59:09","modified_gmt":"2026-09-21T08:59:09","slug":"empresas-usam-interoperabilidade-em-relatorios-esg-em-busca-de-resposta-integral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/09\/21\/empresas-usam-interoperabilidade-em-relatorios-esg-em-busca-de-resposta-integral\/","title":{"rendered":"Empresas usam interoperabilidade em relat\u00f3rios ESG em busca de resposta integral"},"content":{"rendered":"<p>Os frameworks (normas) ESG orientam as corpora\u00e7\u00f5es a mensurar, gerir e divulgar seus dados sobre sustentabilidade, reduzindo as ambiguidades. Essas estruturas podem ser comparadas a b\u00fassolas, suportes ou estruturas que disponibilizam t\u00f3picos fundamentais envolvendo os fatores ESG nas organiza\u00e7\u00f5es, por meio do emprego de metodologia, divulga\u00e7\u00e3o e acompanhamento.<\/p>\n<p>A maioria dessas normas \u00e9 volunt\u00e1ria, como o GRI (Global Reporting Initiative), TCFD (For\u00e7a-Tarefa sobre Divulga\u00e7\u00e3o Financeira Relacionada ao Clima), ISSB (Conselho Internacional de Normas de Sustentabilidade), Projeto de Divulga\u00e7\u00e3o de Carbono (CDP) e os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) da ONU, entre outras propostas.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>Alguns dados s\u00e3o curiosos. Segundo a GRI (Global Reporting Initiative), por exemplo, a partir de sua pesquisa global\u00b9, o Brasil \u00e9 o quinto pa\u00eds com mais ado\u00e7\u00f5es dos padr\u00f5es GRI para relat\u00f3rios ESG entre 132 jurisdi\u00e7\u00f5es analisadas, tendo como base os relat\u00f3rios produzidos por quase 15 mil empresas com receitas acima de US$ 250 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio confirma um dado fundamental: a maioria das grandes empresas, especialmente as transnacionais, n\u00e3o utilizam apenas um framework para elaborar seus relat\u00f3rios de sustentabilidade; mas combinam diferentes normas para atingir uma resposta mais hol\u00edstica, capaz de alcan\u00e7ar seus diferentes stakeholders e conquistar uma interoperabilidade fundamental.<\/p>\n<p>A proposta de interoperabilidade, que permite harmonizar diferentes frameworks, vem se multiplicando no mercado. Um dos exemplos foi a interoperabilidade entre o question\u00e1rio do CDP e das Normas Europeias de Relato de Sustentabilidade (ESRS). A jun\u00e7\u00e3o permite que as empresas consigam cumprir com menor carga de reporte a Diretiva de Relato de Sustentabilidade Corporativa (CSRD) da Uni\u00e3o Europeia e dar mais visibilidade aos resultados ESG em todos os seus pilares.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia da interoperabilidade tamb\u00e9m est\u00e1 registrada no blog da Harvard Law School.\u00b2 Em pesquisa, aplicada pela ISS-Corporate (que consultou 30% de grandes empresas, 41% de empresas m\u00e9dias e 29% de micro e pequenas em todos os setores), principalmente nos Estados Unidos e Europa, o resultado apontou que 90% dos respondentes indicavam a ado\u00e7\u00e3o de mais de um framework ESG e 79% empregavam tr\u00eas ou mais normas diferenciadas para elaborar seus relat\u00f3rios.<\/p>\n<p>O estudo da Harvard enfatiza que reunir informa\u00e7\u00f5es provenientes de diversos frameworks pode gerar complexidade e riscos, mas ajuda a manter um reposit\u00f3rio padronizado de dados, tornando os \u00edndices de\u00a0sustentabilidade mais compar\u00e1veis. Em vez de tratar cada framework como um conjunto r\u00edgido de regras, as empresas podem encar\u00e1-los como instrumentos que promovem trocas internas.<\/p>\n<p>Essa aparente fragmenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa que os diferentes frameworks sejam necessariamente incompat\u00edveis. O Better Alignment Project, desenvolvido pelo Corporate Reporting Dialogue e apresentado no World Economic Forum em 2019\u00b3, realizou um mapeamento t\u00e9cnico entre CDP, CDSB, GRI, IIRC e SASB, a partir das recomenda\u00e7\u00f5es da TCFD.<\/p>\n<p>No recorte espec\u00edfico das divulga\u00e7\u00f5es relacionadas ao clima, 80% das 50 m\u00e9tricas exemplificativas da TCFD estavam totalmente ou razoavelmente contempladas pelos indicadores do CDP, GRI e SASB. Em 70% dessas m\u00e9tricas, o estudo n\u00e3o identificou diferen\u00e7as substantivas entre os indicadores utilizados pelos tr\u00eas referenciais. O dado revela que o emprego de diferentes frameworks n\u00e3o decorre apenas de diverg\u00eancias metodol\u00f3gicas; h\u00e1 tamb\u00e9m um espa\u00e7o relevante de sobreposi\u00e7\u00e3o e complementaridade entre eles.<\/p>\n<p>A coexist\u00eancia de frameworks distintos pelas empresas produz efeitos vantajosos, como adotar uma vis\u00e3o mais hol\u00edstica dos pilares ESG, indo al\u00e9m do cumprimento de exig\u00eancias t\u00e9cnicas de reportes. H\u00e1 nesse cadinho outros impactos que devem ser mensurados. O primeiro diz respeito ao fato de que uma mesma informa\u00e7\u00e3o de base de dados (por exemplo, emiss\u00f5es de gases de efeito estufa) pode ser reorganizada e apresentada segundo unidades de materialidade e formatos distintos.<\/p>\n<p>Essa perspectiva do uso de m\u00faltiplos frameworks parte de um entendimento cr\u00edtico: os crit\u00e9rios ESG n\u00e3o surgem no vazio. Eles refletem determinantes econ\u00f4micos, ambientais e sociais que moldam a forma como as empresas impactam o mundo e s\u00e3o cobradas por isso. Reconhecer esse contexto ajuda a romper com a l\u00f3gica puramente normativa, pela qual a empresa apenas \u201cpreenche requisitos\u201d, abrindo espa\u00e7o para um movimento cont\u00ednuo de reflex\u00e3o e aprendizagem.<\/p>\n<p>Dos mais complexos aos mais simplificados, os frameworks ESG re\u00fanem um conjunto de conhecimentos estruturados, cient\u00edficos e normativos; enquanto as equipes das companhias mobilizam conhecimentos pr\u00e1ticos, t\u00e9cnicos e intuitivos. Quando esses saberes se articulam \u2014 sem conflito \u2014 a empresa passa a interpretar as estruturas dos relat\u00f3rios de forma mais efetiva, podendo refletir a realidade e criar processos estimuladores de inova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Vale enfatizar que os frameworks ESG n\u00e3o est\u00e3o voltados apenas a grandes companhias, tanto que a GRI pretende capacitar no Brasil, inicialmente, ao menos 100 PMEs brasileiras, com meta de alcan\u00e7ar 150, para que passem a coletar, organizar e reportar informa\u00e7\u00f5es ambientais, sociais e de governan\u00e7a. A iniciativa, financiada com apoio da Secretaria de Estado de Assuntos Econ\u00f4micos da Su\u00ed\u00e7a (SECO), marca o retorno do Brasil como prioridade estrat\u00e9gica da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O programa da GRI para PMEs brasileiras combina financiamento internacional, coopera\u00e7\u00e3o entre elos de diferentes cadeias produtivas e tecnologia aplicada \u00e0 conformidade regulat\u00f3ria \u2014 indicando um caminho promissor para que o Brasil transforme sua j\u00e1 reconhecida maturidade em relato de sustentabilidade em um ativo distribu\u00eddo por toda a sua estrutura empresarial.<\/p>\n<p>N\u00e3o se questiona mais do porqu\u00ea usar apenas um framework para elaborar relat\u00f3rios ESG, mesmo nos casos em que a conformidade regulat\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria. A transpar\u00eancia dos dados inseridos nos relat\u00f3rios \u00e9 sempre bem vista pelos stakeholders (partes interessadas) e pelo mercado. E com a interoperabilidade, a corpora\u00e7\u00e3o adquire mais credibilidade, pode captar mais investimentos e aumentar sua resili\u00eancia empresarial.<\/p>\n<p>Dentro da academia, crescem os estudos sobre a interoperabilidade de frameworks ESG, como o publicado pela \u201cNature\u201d4 este ano, apontando que o procedimento embute um enfoque multidimensional e consolida dois caminhos corporativos: a conformidade e a inova\u00e7\u00e3o, uma vez que \u201cdemonstraram que \u00a0essas capacidades s\u00e3o constru\u00eddas com um continuum entre abordagens orientadas para a conformidade e abordagens impulsionadas pela inova\u00e7\u00e3o. Os padr\u00f5es de desenvolvimento raramente s\u00e3o lineares ou predeterminados; em vez disso, as organiza\u00e7\u00f5es tendem a seguir um caminho determinado pelo ambiente institucional, pela disponibilidade de recursos e pelos marcos regulat\u00f3rios\u201d.<\/p>\n<p>Ao incorporar mais de um modelo normatizador, a empresa est\u00e1 propondo um movimento para harmonizar suas experi\u00eancias em ESG, tornando-se mais transparente aos seus stakeholders (partes interessadas) e atuando na evolu\u00e7\u00e3o de sua sustentabilidade, porque n\u00e3o se restringe a promover um exerc\u00edcio de conformidade, mas a construir uma destacada vantagem estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>[1] globalreporting.org\/news\/news-center\/gri-is-top-choice-for-sustainability-reporting-worldwide www.globalreporting.org\/news\/news-center\/gri-is-top-choice-for-sustainability-reporting-worldwide<\/p>\n<p>[2] https:\/\/corpgov.law.harvard.edu\/2025\/06\/03\/streamlining-sustainability-reporting-survey-reveals-top-priorities-for-corporates\/<\/p>\n<p>[3] https:\/\/www.weforum.org\/stories\/business\/how-to-simplify-corporate-reporting\/<\/p>\n<p>[4] https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41599-026-07231-x<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os frameworks (normas) ESG orientam as corpora\u00e7\u00f5es a mensurar, gerir e divulgar seus dados sobre sustentabilidade, reduzindo as ambiguidades. 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