{"id":26072,"date":"2026-09-14T06:01:30","date_gmt":"2026-09-14T09:01:30","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/09\/14\/pnrs-mostrou-o-caminho-falta-percorre-lo-por-inteiro\/"},"modified":"2026-09-14T06:01:30","modified_gmt":"2026-09-14T09:01:30","slug":"pnrs-mostrou-o-caminho-falta-percorre-lo-por-inteiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/09\/14\/pnrs-mostrou-o-caminho-falta-percorre-lo-por-inteiro\/","title":{"rendered":"PNRS mostrou o caminho; falta percorr\u00ea-lo por inteiro"},"content":{"rendered":"<p>Aos 16 anos, a Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos (PNRS) continua moderna. A Lei 12.305, de 2010, consagrou naquela \u00e9poca uma vis\u00e3o que permanece atual: res\u00edduos n\u00e3o s\u00e3o simplesmente algo de que uma sociedade deve se livrar, mas materiais que podem ser reutilizados, reciclados, tratados e, sempre que poss\u00edvel, reinseridos na economia.<\/p>\n<p>Foi uma mudan\u00e7a profunda. A PNRS consagrou princ\u00edpios como responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, ecoefici\u00eancia, log\u00edstica reversa e integra\u00e7\u00e3o dos catadores. Estabeleceu uma hierarquia para a gest\u00e3o e uma ideia ent\u00e3o inovadora: aquilo que perde utilidade para o consumidor pode continuar tendo valor econ\u00f4mico, energ\u00e9tico e ambiental.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>Os n\u00fameros mostram que essa transforma\u00e7\u00e3o j\u00e1 produz resultados expressivos. Em 2024, o Brasil reciclou 97,3% das latas de alum\u00ednio para bebidas, recolheu 54,1% dos \u00f3leos lubrificantes usados ou contaminados e recuperou 33% das embalagens de vidro n\u00e3o retorn\u00e1veis. Quando responsabilidade, regula\u00e7\u00e3o e incentivos econ\u00f4micos caminham na mesma dire\u00e7\u00e3o, a circularidade deixa de ser discurso e se transforma em atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Mas os n\u00fameros tamb\u00e9m revelam o tamanho do desafio. O Brasil gerou 81,6 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos em 2024, mais de 223 mil toneladas por dia. Cerca de 28 milh\u00f5es de toneladas ainda tiveram disposi\u00e7\u00e3o final inadequada, nos terr\u00edveis lix\u00f5es. N\u00e3o estamos diante de uma pol\u00edtica fracassada, mas de uma pol\u00edtica cuja execu\u00e7\u00e3o precisa ganhar velocidade.<\/p>\n<p>Essa foi uma das conclus\u00f5es do semin\u00e1rio <em>Res\u00edduos S\u00f3lidos: 16 anos da Pol\u00edtica Nacional<\/em>, realizado pela Frente Parlamentar da Economia Verde e pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Res\u00edduos e Meio Ambiente (Abrema), com apoio da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI). Poder P\u00fablico, ind\u00fastria, empresas de res\u00edduos, recicladores e catadores convergiram em um ponto: n\u00e3o \u00e9 preciso reinventar a PNRS. \u00c9 preciso criar as condi\u00e7\u00f5es para que ela seja cumprida integralmente.<\/p>\n<p>A primeira condi\u00e7\u00e3o \u00e9 a sustentabilidade econ\u00f4mico-financeira dos servi\u00e7os. Coletar, transportar, tratar e destinar res\u00edduos exige trabalhadores, equipamentos, tecnologia e infraestrutura. Em 2024, as prefeituras gastaram cerca de R$ 46 bilh\u00f5es com a gest\u00e3o de res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos. N\u00e3o h\u00e1 pol\u00edtica p\u00fablica duradoura baseada na fic\u00e7\u00e3o de que esses servi\u00e7os n\u00e3o t\u00eam custo.<\/p>\n<p>A cobran\u00e7a adequada pelo manejo de res\u00edduos n\u00e3o \u00e9 \u2018mais um imposto\u2019, nunca foi. Trata-se da remunera\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o essencial e cont\u00ednuo, como ocorre com outros servi\u00e7os de infraestrutura. Sem receitas previs\u00edveis, n\u00e3o h\u00e1 sustentabilidade financeira; sem ela, ficam comprometidos os investimentos, a inova\u00e7\u00e3o e a universaliza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o.<\/p>\n<p>A segunda condi\u00e7\u00e3o \u00e9 tornar a reciclagem economicamente competitiva. O pa\u00eds tem mais de 800 mil catadores aut\u00f4nomos e quase dois ter\u00e7os dos res\u00edduos secos enviados \u00e0 reciclagem ainda chegam \u00e0 cadeia pela coleta informal. Como destacou Roberto Rocha, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicl\u00e1veis, os catadores querem participar do neg\u00f3cio dos res\u00edduos, gerar renda e integrar cadeias produtivas modernas.<\/p>\n<p>Isso exige que n\u00e3o haja tributa\u00e7\u00e3o sobre materiais recicl\u00e1veis, que se reforce a rastreabilidade e o cumprimento efetivo da log\u00edstica reversa. Mas \u00e9 preciso tamb\u00e9m isonomia: n\u00e3o faz sentido impor obriga\u00e7\u00f5es ambientais aos produtores nacionais enquanto importadores n\u00e3o t\u00eam que suportar exig\u00eancias equivalentes.<\/p>\n<p>A terceira condi\u00e7\u00e3o \u00e9 compreender que economia circular n\u00e3o termina na reciclagem mec\u00e2nica. Res\u00edduos podem retornar \u00e0 economia como composto, combust\u00edvel e energia. O Panorama dos Res\u00edduos S\u00f3lidos no Brasil 2025 da ABREMA estima que, al\u00e9m dos 8,7% de reciclagem mec\u00e2nica de secos, outros 11,7% sejam aproveitados por rotas de reciclagem bioenerg\u00e9tica. Consideradas conjuntamente, elas elevam para 20,4% o aproveitamento total de recursos.<\/p>\n<p>Esse aproveitamento coloca o setor de res\u00edduos no centro da descarboniza\u00e7\u00e3o da economia. A mat\u00e9ria org\u00e2nica em decomposi\u00e7\u00e3o produz metano, g\u00e1s com potencial de aquecimento global 28 vezes superior ao do di\u00f3xido de carbono. Captur\u00e1-lo e transform\u00e1-lo em biometano gera um duplo benef\u00edcio clim\u00e1tico: evita emiss\u00f5es e substitui combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>O setor de res\u00edduos produz hoje cerca de 1 milh\u00e3o de m\u00b3 de biometano por dia, volume que permitiria abastecer quase 500 mil ve\u00edculos de passeio por dia. Isto evitaria que 2 mil toneladas de CO2e polu\u00edssem a atmosfera. \u00c9 descarboniza\u00e7\u00e3o concreta: combust\u00edvel renov\u00e1vel produzido a partir do pr\u00f3prio res\u00edduo.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 ainda outras frentes para avan\u00e7ar. Diferentes rotas tecnol\u00f3gicas abrem possibilidades para diesel verde, combust\u00edvel sustent\u00e1vel de avia\u00e7\u00e3o (SAF), combust\u00edveis sint\u00e9ticos e solu\u00e7\u00f5es renov\u00e1veis para o transporte mar\u00edtimo. A Lei do Combust\u00edvel do Futuro, o Sistema Brasileiro de Com\u00e9rcio de Emiss\u00f5es e os mecanismos do Artigo 6 do Acordo de Paris ajudam a criar mercado e previsibilidade para esses investimentos.<\/p>\n<p>Nada disso elimina a responsabilidade individual. Separar os res\u00edduos na origem \u00e9 indispens\u00e1vel para melhorar a qualidade dos materiais recuperados e a efici\u00eancia da coleta seletiva. Responsabilidade compartilhada significa que Uni\u00e3o, estados, munic\u00edpios, empresas, consumidores e catadores t\u00eam fun\u00e7\u00f5es distintas, mas complementares.<\/p>\n<p>Encerrar lix\u00f5es. Financiar adequadamente os servi\u00e7os. Valorizar materiais reciclados. Integrar catadores \u00e0 economia formal. Transformar metano em energia e combust\u00edvel. Mobilizar capital. Fazer cumprir a log\u00edstica reversa por todos.<\/p>\n<p>H\u00e1 16 anos, o Brasil criou uma arquitetura institucional capaz de substituir a l\u00f3gica de extrair, produzir e descartar por uma economia que conserva materiais e valor. A Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos mostra o caminho, cabe a todos n\u00f3s percorr\u00ea-lo com firmeza.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 16 anos, a Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos (PNRS) continua moderna. A Lei 12.305, de 2010, consagrou naquela \u00e9poca uma vis\u00e3o que permanece atual: res\u00edduos n\u00e3o s\u00e3o simplesmente algo de que uma sociedade deve se livrar, mas materiais que podem ser reutilizados, reciclados, tratados e, sempre que poss\u00edvel, reinseridos na economia. 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