{"id":25252,"date":"2026-08-16T05:58:32","date_gmt":"2026-08-16T08:58:32","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/08\/16\/onde-o-brasil-deveria-apostar-na-industria-de-semicondutores\/"},"modified":"2026-08-16T05:58:32","modified_gmt":"2026-08-16T08:58:32","slug":"onde-o-brasil-deveria-apostar-na-industria-de-semicondutores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/08\/16\/onde-o-brasil-deveria-apostar-na-industria-de-semicondutores\/","title":{"rendered":"Onde o Brasil deveria apostar na ind\u00fastria de semicondutores?"},"content":{"rendered":"<p>Quando se fala em semicondutores, \u00e9 comum pensar imediatamente nos chips mais avan\u00e7ados do mundo: processadores para intelig\u00eancia artificial, smartphones e data centers, produzidos com tecnologias de poucos nan\u00f4metros. A corrida por esses componentes ganhou dimens\u00e3o geopol\u00edtica e passou a ocupar espa\u00e7o crescente nas pol\u00edticas industriais das principais economias.<\/p>\n<p>No Brasil, esse movimento reacendeu uma pergunta recorrente: o pa\u00eds conseguir\u00e1 construir uma ind\u00fastria de semicondutores capaz de competir internacionalmente? Talvez seja necess\u00e1rio reformular a quest\u00e3o. Em vez de perguntar apenas se o Brasil pode produzir chips de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, dever\u00edamos discutir quais tipos de semicondutores fazem sentido para uma estrat\u00e9gia nacional.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>Essa discuss\u00e3o se tornou mais urgente do ponto de vista regulat\u00f3rio. Em setembro de 2024, a Lei 14.968 instituiu o Programa Brasil Semicondutores (Brasil Semicon) e ampliou os instrumentos de pol\u00edtica industrial para o setor. Em 15 de julho de 2026, o Decreto 13.065 regulamentou o programa e criou seu Conselho Gestor, com a finalidade de monitorar e avaliar o Brasil Semicon.<\/p>\n<p>O Brasil passa, portanto, da discuss\u00e3o sobre a necessidade de uma pol\u00edtica para semicondutores para uma quest\u00e3o mais dif\u00edcil: onde concentrar esfor\u00e7os e recursos?<\/p>\n<p>A resposta exige compreender que a ind\u00fastria de semicondutores \u00e9 muito mais ampla do que os processadores que dominam as manchetes. H\u00e1 sensores de press\u00e3o, temperatura e movimento; componentes para controle e convers\u00e3o de energia; circuitos anal\u00f3gicos e de radiofrequ\u00eancia; dispositivos optoeletr\u00f4nicos e chips destinados \u00e0 ind\u00fastria automotiva, entre muitas outras categorias.<\/p>\n<p>Nem todos dependem dos n\u00f3s tecnol\u00f3gicos mais avan\u00e7ados. Em muitos casos, confiabilidade, efici\u00eancia energ\u00e9tica, opera\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es severas, integra\u00e7\u00e3o com sistemas f\u00edsicos e adequa\u00e7\u00e3o a aplica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas s\u00e3o mais importantes do que reduzir continuamente o tamanho dos transistores. Essa diferen\u00e7a importa para um pa\u00eds que precisa decidir onde investir recursos limitados.<\/p>\n<p>Uma primeira oportunidade est\u00e1 nos sensores e sistemas microeletromec\u00e2nicos, os MEMS. Esses dispositivos est\u00e3o presentes em autom\u00f3veis, equipamentos m\u00e9dicos, m\u00e1quinas industriais e sistemas de monitoramento. Com a expans\u00e3o da Internet das Coisas, da automa\u00e7\u00e3o e da digitaliza\u00e7\u00e3o da economia, sua import\u00e2ncia tende a crescer.<\/p>\n<p>Para o Brasil, esse segmento \u00e9 particularmente interessante porque alguns dos setores de maior peso na economia s\u00e3o tamb\u00e9m grandes usu\u00e1rios potenciais de sensoriamento. Agricultura de precis\u00e3o, minera\u00e7\u00e3o, petr\u00f3leo e g\u00e1s, sa\u00fade, ind\u00fastria, log\u00edstica e monitoramento ambiental dependem cada vez mais da capacidade de transformar fen\u00f4menos f\u00edsicos em dados.<\/p>\n<p>Um sensor instalado em uma m\u00e1quina industrial, em uma lavoura ou em uma infraestrutura portu\u00e1ria pode parecer distante das discuss\u00f5es sobre soberania tecnol\u00f3gica. Mas, \u00e0 medida que esses setores se digitalizam, sua depend\u00eancia de dispositivos semicondutores tamb\u00e9m aumenta.<\/p>\n<p>Outra oportunidade est\u00e1 nos semicondutores de pot\u00eancia. Menos conhecidos do p\u00fablico do que os microprocessadores, esses dispositivos s\u00e3o fundamentais para controlar e converter energia el\u00e9trica e est\u00e3o presentes em ve\u00edculos el\u00e9tricos, carregadores, inversores fotovoltaicos, equipamentos industriais e sistemas de armazenamento de energia.<\/p>\n<p>Nesse mercado, materiais como o carbeto de sil\u00edcio (SiC) e o nitreto de g\u00e1lio (GaN) ganham espa\u00e7o em aplica\u00e7\u00f5es que exigem maior efici\u00eancia e opera\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de elevada tens\u00e3o, frequ\u00eancia ou temperatura. A pol\u00edtica de semicondutores passa, assim, a se conectar \u00e0 transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e \u00e0 eletrifica\u00e7\u00e3o \u2014 algo particularmente relevante para o Brasil, dada a elevada participa\u00e7\u00e3o de fontes renov\u00e1veis em sua matriz el\u00e9trica, seu grande mercado automotivo e suas cadeias industriais em energia, minera\u00e7\u00e3o e agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa abandonar o desenvolvimento de circuitos integrados ou ignorar tecnologias de ponta. Significa reconhecer que competir em semicondutores exige escolhas. Uma f\u00e1brica capaz de disputar a fronteira tecnol\u00f3gica dos processadores mais avan\u00e7ados demanda dezenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares, infraestrutura altamente especializada e uma cadeia de fornecedores constru\u00edda ao longo de d\u00e9cadas \u2014 uma corrida da qual poucas empresas no mundo conseguem participar.<\/p>\n<p>Sensores, MEMS e semicondutores de pot\u00eancia tamb\u00e9m apresentam barreiras tecnol\u00f3gicas e financeiras importantes. N\u00e3o s\u00e3o uma alternativa \u201cf\u00e1cil\u201d aos chips avan\u00e7ados. A diferen\u00e7a \u00e9 que nesses mercados existem outras possibilidades de diferencia\u00e7\u00e3o: materiais, projeto, encapsulamento, integra\u00e7\u00e3o, aplica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e conhecimento dos setores usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente a\u00ed que uma pol\u00edtica industrial brasileira precisa ser seletiva.<\/p>\n<h2>Prioridades, n\u00e3o apenas incentivos<\/h2>\n<p>O risco de uma pol\u00edtica para semicondutores n\u00e3o est\u00e1 apenas na falta de recursos. Est\u00e1 tamb\u00e9m em distribu\u00ed-los entre um n\u00famero excessivo de tecnologias, etapas da cadeia e objetivos, sem criar escala suficiente em nenhuma delas.<\/p>\n<p>Com o Brasil Semicon regulamentado, essa discuss\u00e3o ganha dimens\u00e3o pr\u00e1tica. O Conselho Gestor ter\u00e1 a fun\u00e7\u00e3o de monitorar e avaliar o programa, definir crit\u00e9rios para essa avalia\u00e7\u00e3o e aprovar anualmente seu plano de a\u00e7\u00e3o. BNDES e Finep, que integram o Conselho, dever\u00e3o apresentar relat\u00f3rios sobre os recursos concedidos ao setor e cronogramas projetados de editais.<\/p>\n<p>Esse desenho institucional cria condi\u00e7\u00f5es para acompanhar de forma mais sistem\u00e1tica os resultados da pol\u00edtica. Mas permanece uma quest\u00e3o anterior e essencial: em quais segmentos da cadeia de semicondutores o Brasil deveria concentrar seus esfor\u00e7os?<\/p>\n<p>Uma estrat\u00e9gia consistente deveria come\u00e7ar pelo mapeamento das compet\u00eancias existentes nas universidades, institutos de pesquisa e empresas brasileiras e confront\u00e1-las com as demandas tecnol\u00f3gicas dos setores em que o pa\u00eds j\u00e1 possui relev\u00e2ncia econ\u00f4mica. O objetivo seria identificar \u00e1reas nas quais o Brasil possa acumular conhecimento, formar recursos humanos, desenvolver propriedade intelectual, atrair empresas e ampliar progressivamente sua participa\u00e7\u00e3o na cadeia de valor.<\/p>\n<p>Isso exige tamb\u00e9m abandonar uma interpreta\u00e7\u00e3o simplista de autonomia tecnol\u00f3gica. Nenhum pa\u00eds domina sozinho todas as etapas da cadeia global de semicondutores. Equipamentos, materiais, software de projeto, fabrica\u00e7\u00e3o, encapsulamento e testes est\u00e3o distribu\u00eddos internacionalmente. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 produzir tudo no Brasil, mas decidir quais compet\u00eancias s\u00e3o estrat\u00e9gicas e construir capacidade para ocupar posi\u00e7\u00f5es de maior valor tecnol\u00f3gico nessa cadeia.<\/p>\n<p>Criar incentivos \u00e9 apenas o primeiro passo. Transform\u00e1-los em capacidade tecnol\u00f3gica e industrial duradoura depender\u00e1 de prioridades claras, continuidade or\u00e7ament\u00e1ria e avalia\u00e7\u00e3o de resultados.<\/p>\n<p>A corrida mundial pelos semicondutores n\u00e3o ser\u00e1 definida apenas pelos chips utilizados em intelig\u00eancia artificial ou pelos transistores de menor dimens\u00e3o. Eletrifica\u00e7\u00e3o, automa\u00e7\u00e3o, sensoriamento e digitaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e3o transformando a demanda mundial por componentes eletr\u00f4nicos.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>Para o Brasil, algumas das oportunidades podem estar justamente al\u00e9m dos chips que recebem maior aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A pergunta estrat\u00e9gica, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas se o pa\u00eds conseguir\u00e1 fabricar semicondutores. \u00c9 quais semicondutores o Brasil deveria priorizar \u2014 e em quais segmentos pode construir uma posi\u00e7\u00e3o relevante na pr\u00f3xima d\u00e9cada.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se fala em semicondutores, \u00e9 comum pensar imediatamente nos chips mais avan\u00e7ados do mundo: processadores para intelig\u00eancia artificial, smartphones e data centers, produzidos com tecnologias de poucos nan\u00f4metros. A corrida por esses componentes ganhou dimens\u00e3o geopol\u00edtica e passou a ocupar espa\u00e7o crescente nas pol\u00edticas industriais das principais economias. No Brasil, esse movimento reacendeu uma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25252"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25252"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25252\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}