{"id":24932,"date":"2026-08-04T11:08:38","date_gmt":"2026-08-04T14:08:38","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/08\/04\/o-que-o-caso-master-ensina-sobre-regulamentacao-do-lobby\/"},"modified":"2026-08-04T11:08:38","modified_gmt":"2026-08-04T14:08:38","slug":"o-que-o-caso-master-ensina-sobre-regulamentacao-do-lobby","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/08\/04\/o-que-o-caso-master-ensina-sobre-regulamentacao-do-lobby\/","title":{"rendered":"O que o caso Master ensina sobre regulamenta\u00e7\u00e3o do lobby"},"content":{"rendered":"<p>Em menos de um ano, o caso do <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/banco-master\">Banco Master<\/a> deixou de ser uma fraude banc\u00e1ria para tornar-se o maior esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o do Brasil desde o petrol\u00e3o. A Opera\u00e7\u00e3o Compliance Zero da Pol\u00edcia Federal, principal instrumento de investiga\u00e7\u00e3o do caso, tem o potencial de ser t\u00e3o abrangente quanto (ou maior) que a Lava Jato.<\/p>\n<p>Como sempre acontece quando h\u00e1 um novo esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds, parte da sociedade civil e dos agentes p\u00fablicos responde ao acontecimento com um clamor pela regulamenta\u00e7\u00e3o do lobby no Brasil. A defesa de interesses particulares junto ao governo \u00e9 uma atividade leg\u00edtima, resguardada pela Constitui\u00e7\u00e3o, por\u00e9m n\u00e3o regulamentada \u2013 ou seja, \u00e9 realizada, mas sem regras.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>Nesse contexto, cabe a pergunta: o que, de fato, o caso do Banco Master ensina sobre a regulamenta\u00e7\u00e3o do lobby? Identificamos pelo menos cinco li\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A primeira li\u00e7\u00e3o \u00e9 que a regulamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria. Como temos visto, os investigados pela Pol\u00edcia Federal usaram o lobby como um instrumento para realizar condutas ilegais: tr\u00e1fico de influ\u00eancia, corrup\u00e7\u00e3o e lavagem de dinheiro, para mencionar aquelas j\u00e1 expostas na imprensa. Esse fato aponta para o \u00f3bvio: o Brasil precisa regulamentar o lobby para separar, com clareza, o que \u00e9 defesa de interesses leg\u00edtima do que \u00e9 crime. O direito de peti\u00e7\u00e3o, que ampara o lobby, n\u00e3o pode ser misturado com condutas previstas no C\u00f3digo Penal.<\/p>\n<p>A segunda li\u00e7\u00e3o \u00e9 que a regulamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 urgente. Al\u00e9m do uso do lobby para realizar condutas ilegais, a Compliance Zero tem demonstrado que os investigados possuem conex\u00f5es com outros indiv\u00edduos e organiza\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0s fac\u00e7\u00f5es criminosas, sobretudo o Primeiro Comando da Capital (PCC). Esse fato deixa claro a urg\u00eancia da regulamenta\u00e7\u00e3o. Com a infiltra\u00e7\u00e3o do PCC no Estado e no mercado, \u00e9 preciso criar regras para que a defesa de interesses leg\u00edtima n\u00e3o seja capturada pelo crime organizado.<\/p>\n<p>A terceira li\u00e7\u00e3o \u00e9 que a regulamenta\u00e7\u00e3o precisa abranger os Tr\u00eas Poderes. A imprensa noticia h\u00e1 meses que os investigados pela Pol\u00edcia Federal buscaram influenciar \u2013 com maior ou menor sucesso \u2013 todo tipo de decis\u00e3o do governo brasileiro: medidas administrativas e regulat\u00f3rias do Poder Executivo; legisla\u00e7\u00e3o debatida e votada pelo Congresso Nacional; e at\u00e9 decis\u00f5es do Poder Judici\u00e1rio. Esse fato demonstra que a regulamenta\u00e7\u00e3o do lobby n\u00e3o pode ser limitada a agentes p\u00fablicos de apenas uma parte dos Poderes da Rep\u00fablica; precisa ser abrangente.<\/p>\n<p>A quarta li\u00e7\u00e3o \u00e9 que a regulamenta\u00e7\u00e3o do lobby precisa de um mecanismo institucional de supervis\u00e3o verdadeiramente independente. O caso do Banco Master evidencia a import\u00e2ncia de \u00f3rg\u00e3os reguladores verdadeiramente aut\u00f4nomos. Em grande medida, a investiga\u00e7\u00e3o s\u00f3 foi (e \u00e9) poss\u00edvel porque a Pol\u00edcia Federal e o Banco Central possuem independ\u00eancia suficiente para blind\u00e1-la tanto de press\u00f5es pol\u00edticas, quanto da tentativa de infiltra\u00e7\u00e3o pelos pr\u00f3prios investigados. Essa realidade precisa ser levada em conta na regulamenta\u00e7\u00e3o do lobby. De nada adianta aprovar regras para a defesa de interesses leg\u00edtima se n\u00e3o houver um \u00f3rg\u00e3o regulador aut\u00f4nomo que fiscalize seu cumprimento.<\/p>\n<p>A quinta li\u00e7\u00e3o extrapola a regulamenta\u00e7\u00e3o do lobby propriamente dita e revela a necessidade de instrumentos complementares de transpar\u00eancia p\u00fablica que tratem sobre o relacionamento com a imprensa. A Opera\u00e7\u00e3o Compliance Zero tem trazido \u00e0 luz o fato que os investigados usaram ve\u00edculos de imprensa, inclusive mediante pagamento, para gerar conte\u00fado falso para seu benef\u00edcio. O posicionamento de grupos de interesse na imprensa \u00e9 leg\u00edtimo, inclusive quando compram espa\u00e7o publicit\u00e1rio para defender suas posi\u00e7\u00f5es publicamente \u2013 o chamado \u201cissue ad\u201d, que tornou-se mais comum a partir da d\u00e9cada de 2000.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o \u00e9 leg\u00edtimo \u00e9 realizar pagamentos para distorcer o conte\u00fado de mat\u00e9rias veiculadas por ve\u00edculos de imprensa, em uma vers\u00e3o mais sofisticada da tradicional \u201cfake news\u201d espalhada por meio de redes sociais. Esse problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 brasileiro. H\u00e1 poucos dias, a imprensa brit\u00e2nica noticiou que uma das casas de lobby tradicionais do pa\u00eds teria oferecido pagamentos a jornalistas para influenciar mat\u00e9rias a favor de seus clientes.<\/p>\n<p>Como argumentamos em textos anteriores neste <strong><span class=\"jota\">JOTA<\/span><\/strong>, o lobby \u00e9 essencial para o bom funcionamento da democracia, mas precisa ser regulamentado e o Brasil est\u00e1 muito atrasado nessa agenda.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>O que o caso Master ensina \u00e9 que a regulamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria e urgente; precisa ser abrangente e fiscalizada por um regulador independente; e tem que ser acompanhada de regras complementares. A rela\u00e7\u00e3o com a imprensa \u00e9 apenas uma delas, mas h\u00e1 outras, como regras sobre o lobby de governos estrangeiros no pa\u00eds e a ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas regulat\u00f3rias pelo pr\u00f3prio governo brasileiro.<\/p>\n<p>A melhoria da qualidade e da transpar\u00eancia das pol\u00edticas p\u00fablicas brasileiras passa, tamb\u00e9m, pela regulamenta\u00e7\u00e3o do lobby. \u00c9 imposs\u00edvel melhorar o quadro atual se n\u00e3o adotarmos regras para a defesa de interesses leg\u00edtima.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em menos de um ano, o caso do Banco Master deixou de ser uma fraude banc\u00e1ria para tornar-se o maior esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o do Brasil desde o petrol\u00e3o. A Opera\u00e7\u00e3o Compliance Zero da Pol\u00edcia Federal, principal instrumento de investiga\u00e7\u00e3o do caso, tem o potencial de ser t\u00e3o abrangente quanto (ou maior) que a Lava Jato. 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