{"id":24416,"date":"2026-07-12T05:58:37","date_gmt":"2026-07-12T08:58:37","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/07\/12\/20-anos-de-jurisdicao-constitucional-da-ministra-carmen-lucia\/"},"modified":"2026-07-12T05:58:37","modified_gmt":"2026-07-12T08:58:37","slug":"20-anos-de-jurisdicao-constitucional-da-ministra-carmen-lucia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/07\/12\/20-anos-de-jurisdicao-constitucional-da-ministra-carmen-lucia\/","title":{"rendered":"20 anos de jurisdi\u00e7\u00e3o constitucional da ministra C\u00e1rmen L\u00facia"},"content":{"rendered":"<p>Celebrar os 20 anos de jurisdi\u00e7\u00e3o constitucional da ministra <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/carmen-lucia\">C\u00e1rmen L\u00facia<\/a> no <a href=\"https:\/\/www.jota.info\/tudo-sobre\/stf\">Supremo Tribunal Federal<\/a> \u00e9 reconhecer uma trajet\u00f3ria profundamente marcada pela defesa da Constitui\u00e7\u00e3o, dos direitos fundamentais e da dignidade humana.<\/p>\n<p>Ao longo dessas duas d\u00e9cadas, a ministra C\u00e1rmen L\u00facia n\u00e3o apenas colaborou para a constru\u00e7\u00e3o de uma jurisprud\u00eancia comprometida com os direitos das das pessoas e a defesa da democracia, sua presen\u00e7a na Corte, sua voz p\u00fablica e sua postura institucional tamb\u00e9m contribu\u00edram para tornar vis\u00edveis desigualdades, silenciamentos e discrimina\u00e7\u00f5es que atravessam a experi\u00eancia das mulheres, inclusive nos espa\u00e7os em que o poder \u00e9 exercido e a autoridade \u00e9 reconhecida.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/www.jota.info\/produtos\/poder?utm_source=cta-site&amp;utm_medium=site&amp;utm_campaign=campanha_poder_q2&amp;utm_id=cta_texto_poder_q2_2023&amp;utm_term=cta_texto_poder&amp;utm_term=cta_texto_poder_meio_materias\"><span>Conhe\u00e7a o <span class=\"jota\">JOTA<\/span> PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transpar\u00eancia e previsibilidade para empresas<\/span><\/a><\/p>\n<p>Seu legado \u00e9, assim, simultaneamente jur\u00eddico, institucional e simb\u00f3lico. Ele se encontra nas decis\u00f5es que ajudaram a transformar o alcance dos direitos fundamentais, mas tamb\u00e9m na afirma\u00e7\u00e3o cotidiana de que as mulheres pertencem aos espa\u00e7os m\u00e1ximos de interpreta\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o e de defini\u00e7\u00e3o dos rumos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse horizonte mais amplo que devem ser compreendidos alguns dos julgamentos que, entre tantos outros, revelam a densidade de sua contribui\u00e7\u00e3o ao constitucionalismo brasileiro. Ao longo dessas duas d\u00e9cadas, sua atua\u00e7\u00e3o em julgamentos sens\u00edveis revela uma compreens\u00e3o da jurisdi\u00e7\u00e3o constitucional como instrumento de prote\u00e7\u00e3o concreta da liberdade, da igualdade e das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de maior vulnerabilidade.<\/p>\n<p>Essa compreens\u00e3o n\u00e3o se esgota em um \u00fanico campo tem\u00e1tico. Em seus votos, decis\u00f5es e relatorias, a ministra tem contribu\u00eddo para afirmar que a Constitui\u00e7\u00e3o deve alcan\u00e7ar a vida concreta, sobretudo quando est\u00e3o em jogo desigualdades estruturais, viol\u00eancias historicamente naturalizadas e a prote\u00e7\u00e3o de grupos submetidos a maior vulnerabilidade. \u00c9 nesse horizonte que se situam alguns dos julgamentos que, entre tantos outros, ajudam a compreender a densidade de sua contribui\u00e7\u00e3o ao constitucionalismo brasileiro.<\/p>\n<p>Entre os casos de especial relev\u00e2ncia para os direitos das mulheres, destaca-se a ADPF 1.107, em que o Supremo declarou inconstitucional a pr\u00e1tica de questionar a vida sexual ou o modo de vida de v\u00edtimas em processos relacionados a crimes contra a dignidade sexual e viol\u00eancia de g\u00eanero. Trata-se de decis\u00e3o fundamental para enfrentar a revitimiza\u00e7\u00e3o, romper com a cultura de culpabiliza\u00e7\u00e3o das mulheres e afirmar que o sistema de justi\u00e7a n\u00e3o pode reproduzir a viol\u00eancia que deveria combater.<\/p>\n<p>Essa prote\u00e7\u00e3o se evidencia de modo particular na ADI 7.555, de relatoria da ministra C\u00e1rmen L\u00facia, sobre o estupro de vulner\u00e1vel praticado por militar. Nesse julgamento, o Supremo afastou o tratamento penal mais brando previsto no C\u00f3digo Penal Militar para os casos em que a viol\u00eancia resulte em les\u00e3o corporal grave, grav\u00edssima ou morte, reconhecendo que esse abrandamento representava prote\u00e7\u00e3o insuficiente aos direitos fundamentais das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Em seu voto, a ministra reafirmou a dignidade sexual e a integridade corporal e ps\u00edquica de crian\u00e7as, adolescentes e pessoas com defici\u00eancia, recusando que a condi\u00e7\u00e3o militar do agressor pudesse significar menor tutela a quem sofreu a viol\u00eancia. Mais do que solucionar uma disparidade normativa, a decis\u00e3o concretiza os princ\u00edpios constitucionais da prote\u00e7\u00e3o integral e da prioridade absoluta de crian\u00e7as e adolescentes e afirma que nem o espa\u00e7o institucional em que o crime \u00e9 cometido nem a condi\u00e7\u00e3o funcional do agressor podem reduzir a resposta devida pelo Estado \u00e0 viol\u00eancia sexual.<\/p>\n<p>No campo da educa\u00e7\u00e3o, igualdade e diversidade, sua relatoria na ADI 7847 refor\u00e7ou a import\u00e2ncia de uma escola comprometida com a inclus\u00e3o, a liberdade de ensinar e aprender, o pluralismo e o enfrentamento de discrimina\u00e7\u00f5es. Ao invalidar norma que permitia restringir a participa\u00e7\u00e3o de estudantes em atividades escolares sobre g\u00eanero, sexualidade e diversidade, o Supremo reafirmou que a forma\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica n\u00e3o se constr\u00f3i pela censura, mas pelo reconhecimento da pluralidade.<\/p>\n<p>A sensibilidade da ministra aos direitos humanos tamb\u00e9m se expressa em julgamentos sobre mem\u00f3ria, cultura e igualdade racial, como na ADPF 634, relativa ao Dia da Consci\u00eancia Negra. A decis\u00e3o reconheceu a relev\u00e2ncia constitucional de datas que preservam a mem\u00f3ria hist\u00f3rica, enfrentam o racismo e afirmam a centralidade da cultura na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade livre, justa e plural.<\/p>\n<p>Na ADPF 101, ao tratar da importa\u00e7\u00e3o de pneus usados, sua atua\u00e7\u00e3o evidenciou a conex\u00e3o entre direitos fundamentais, sa\u00fade p\u00fablica e meio ambiente equilibrado. \u00c9 uma dimens\u00e3o essencial da jurisdi\u00e7\u00e3o constitucional contempor\u00e2nea: compreender que a prote\u00e7\u00e3o da vida e da dignidade tamb\u00e9m passa pela defesa ambiental e pela responsabilidade com as presentes e futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em outro eixo igualmente relevante, a ADI 4815, sobre biografias n\u00e3o autorizadas, reafirmou a liberdade de express\u00e3o, o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e a incompatibilidade da censura pr\u00e9via com a Constitui\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. A liberdade, nesse sentido, aparece n\u00e3o como abstra\u00e7\u00e3o, mas como condi\u00e7\u00e3o de uma sociedade aberta, plural e capaz de disputar publicamente sua mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Esses julgamentos mostram que a jurisdi\u00e7\u00e3o constitucional da ministra C\u00e1rmen L\u00facia se projetou sobre temas centrais do nosso tempo: direitos das mulheres, prote\u00e7\u00e3o integral de crian\u00e7as e adolescentes, direitos das pessoas com defici\u00eancia, igualdade racial, diversidade, meio ambiente, liberdade de express\u00e3o e democracia. Estes s\u00e3o apenas alguns entre muitos julgados que revelam sua contribui\u00e7\u00e3o para o avan\u00e7o dos direitos fundamentais, dos direitos humanos e, de modo muito especial, dos direitos das mulheres no constitucionalismo brasileiro.<\/p>\n<p>Sua contribui\u00e7\u00e3o, contudo, n\u00e3o se limita aos votos que proferiu ou \u00e0s decis\u00f5es que relatou. Ela tamb\u00e9m se expressa na pr\u00f3pria presen\u00e7a de uma mulher no STF, em sua autoridade p\u00fablica, em sua firmeza institucional e em sua postura muitas vezes corajosa ao nomear discrimina\u00e7\u00f5es impl\u00edcitas e expl\u00edcitas que atravessam a vida das mulheres nos espa\u00e7os de poder.<\/p>\n<p>Ao ocupar a Corte com independ\u00eancia, intelig\u00eancia e compromisso democr\u00e1tico, C\u00e1rmen L\u00facia tamb\u00e9m tornou vis\u00edvel aquilo que tantas vezes se pretende invisibilizar: que as mulheres seguem enfrentando desigualdades, silenciamentos e resist\u00eancias justamente nos lugares em que a autoridade \u00e9 exercida.<\/p>\n<p>Mas celebrar essa trajet\u00f3ria tamb\u00e9m exige reconhecer uma realidade inquietante: C\u00e1rmen L\u00facia \u00e9 hoje a \u00fanica mulher no Supremo. Sua presen\u00e7a e seu desempenho t\u00eam enorme for\u00e7a institucional e simb\u00f3lica, mas a solid\u00e3o feminina na Corte n\u00e3o pode ser naturalizada.<\/p>\n<p>Uma Corte Constitucional verdadeiramente democr\u00e1tica precisa refletir, em sua composi\u00e7\u00e3o, a pluralidade da sociedade que interpreta e protege. Ter mulheres no Supremo importa e n\u00e3o apenas por representa\u00e7\u00e3o, mas porque a experi\u00eancia constitucional brasileira se torna mais leg\u00edtima, sens\u00edvel e completa quando diferentes vozes participam da constru\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Celebrar a ministra C\u00e1rmen L\u00facia, que merece todas as nossas homenagens por tudo e tanto que fez nestas \u00faltimas duas d\u00e9cadas para a democracia constitucional brasileira, \u00e9, portanto, celebrar uma mulher que marcou a hist\u00f3ria constitucional brasileira e, ao mesmo tempo, reafirmar que a democracia ainda nos convoca a ampliar a presen\u00e7a de mulheres nos espa\u00e7os m\u00e1ximos de decis\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"jota-cta\"><a href=\"https:\/\/conteudo.jota.info\/marketing-lp-newsletter-ultimas-noticias?utm_source=jota&amp;utm_medium=lp&amp;utm_campaign=23-09-2024-jota-lp-eleicoes-2024-eleicoes-2024-none-audiencias-none&amp;utm_content=eleicoes-2024&amp;utm_term=none\"><span>Assine gratuitamente a newsletter \u00daltimas Not\u00edcias do <span class=\"jota\">JOTA<\/span> e receba as principais not\u00edcias jur\u00eddicas e pol\u00edticas do dia no seu email<\/span><\/a><\/p>\n<p>Ruth Bader Ginsburg, <em>Justice <\/em>ic\u00f4nica da Suprema Corte dos Estados Unidos, lembrava que as mulheres pertencem a todos os espa\u00e7os em que as decis\u00f5es s\u00e3o tomadas e que n\u00e3o deveriam constituir uma exce\u00e7\u00e3o. A atual presen\u00e7a solit\u00e1ria da ministra C\u00e1rmen L\u00facia no STF confere a essas palavras uma atualidade incontorn\u00e1vel. Sua trajet\u00f3ria deve ser celebrada, mas sua excepcionalidade num\u00e9rica n\u00e3o pode ser naturalizada.<\/p>\n<p>Homenagear seus 20 anos de atua\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, reconhecer a grandeza de seu legado e, ao mesmo tempo, reafirmar que a democracia constitucional brasileira ainda nos convoca a assegurar que as mulheres n\u00e3o apenas cheguem aos espa\u00e7os m\u00e1ximos de poder, mas estejam neles em n\u00famero, diversidade e condi\u00e7\u00f5es de igualdade compat\u00edveis com a sociedade em nome da qual a Constitui\u00e7\u00e3o \u00e9 interpretada.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celebrar os 20 anos de jurisdi\u00e7\u00e3o constitucional da ministra C\u00e1rmen L\u00facia no Supremo Tribunal Federal \u00e9 reconhecer uma trajet\u00f3ria profundamente marcada pela defesa da Constitui\u00e7\u00e3o, dos direitos fundamentais e da dignidade humana. Ao longo dessas duas d\u00e9cadas, a ministra C\u00e1rmen L\u00facia n\u00e3o apenas colaborou para a constru\u00e7\u00e3o de uma jurisprud\u00eancia comprometida com os direitos das [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24416"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24416"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24416\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24416"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24416"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24416"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}