{"id":24251,"date":"2026-07-03T17:00:21","date_gmt":"2026-07-03T20:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/07\/03\/governo-preve-r-35-tri-em-energia-ate-2035-mas-critica-expansao-solar\/"},"modified":"2026-07-03T17:00:21","modified_gmt":"2026-07-03T20:00:21","slug":"governo-preve-r-35-tri-em-energia-ate-2035-mas-critica-expansao-solar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprimora.site\/carvalhoalmeidaadvogados\/2026\/07\/03\/governo-preve-r-35-tri-em-energia-ate-2035-mas-critica-expansao-solar\/","title":{"rendered":"Governo prev\u00ea R$ 3,5 tri em energia at\u00e9 2035, mas critica expans\u00e3o solar"},"content":{"rendered":"<p><span>O governo federal calcula que o <\/span>setor de energia vai gerar investimentos de R$ 3,5 trilh\u00f5es at\u00e9 2035 no Brasil<span>, de acordo com o Plano Decenal de Expans\u00e3o de Energia (PDE) 2035, documento aprovado nesta quinta-feira (2).<\/span><\/p>\n<p><span>Elaborado pela estatal Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE) sob coordena\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio de Minas e Energia (MME), o novo plano substitui o PDE 2034, aprovado h\u00e1 pouco mais de um ano, e traz mudan\u00e7as significativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vers\u00e3o anterior \u2014 entre elas, a maior demanda por eletricidade, puxada pela proje\u00e7\u00e3o da demanda de data centers no pa\u00eds. Al\u00e9m disso, o governo passa a classificar no documento que a expans\u00e3o solar \u00e9 \u201cdesvantajosa\u201d para o sistema el\u00e9trico do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<h2>Mais investimento e capacidade instalada<\/h2>\n<p><span>O PDE 2035 sinaliza investimentos de R$ 3,5 trilh\u00f5es ao longo da d\u00e9cada \u2014 9% a mais que os R$ 3,2 trilh\u00f5es previstos no plano anterior. A capacidade instalada de gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica do pa\u00eds, hoje em 249 GW, deve chegar a 359 GW em 2035 (uma expans\u00e3o de 110 GW). \u00c9 um salto maior do que o projetado pelo PDE 2034, que apontava para 311 GW ao fim de seu pr\u00f3prio horizonte.<\/span><\/p>\n<p><span>A gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda \u2014 sobretudo pain\u00e9is solares instalados em telhados residenciais e comerciais \u2014 segue como uma das frentes de maior crescimento: o plano projeta 78 GW de capacidade de micro e minigera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda (MMGD) at\u00e9 2035, ante os 58,8 GW que o PDE 2034 estimava atingir at\u00e9 seu pr\u00f3prio horizonte.\u00a0<\/span><\/p>\n<h2>Mais energia solar \u00e9 \u2018desvantajoso\u2019 para o sistema<\/h2>\n<p><span>O governo passou a classificar a expans\u00e3o da energia solar centralizada como uma desvantagem para o pa\u00eds. A vis\u00e3o n\u00e3o estava expressa no documento do ano passado.<\/span><\/p>\n<p><span>Isso porque o excesso de gera\u00e7\u00e3o de dia vem causando transtornos ao sistema e obrigando cortes na produ\u00e7\u00e3o de energia para n\u00e3o haver apag\u00f5es. O pa\u00eds j\u00e1 desperdi\u00e7ou o equivalente a uma Belo Monte no ano passado por causa dessas interrup\u00e7\u00f5es (o chamado <\/span><span>curtailment<\/span><span>).<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cA expans\u00e3o otimizada para a gera\u00e7\u00e3o solar centralizada reflete um momento de excedentes de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN), resultado da significativa adi\u00e7\u00e3o de fontes renov\u00e1veis vari\u00e1veis. Nesse contexto de <\/span><span>curtailment<\/span><span> energ\u00e9tico (sobra de energia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 carga a ser atendida), <\/span>a expans\u00e3o adicional da gera\u00e7\u00e3o solar fotovoltaica centralizada torna-se economicamente e operacionalmente desvantajosa para o SIN<span>\u201d, afirma o documento.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201c<\/span>Novas adi\u00e7\u00f5es de projetos solares podem n\u00e3o gerar tantos benef\u00edcios ao equil\u00edbrio entre oferta e demanda e \u00e0 confiabilidade do sistema el\u00e9trico brasileiro <span>como em ciclos anteriores do PDE. Entretanto, a avalia\u00e7\u00e3o da inclus\u00e3o de sistemas de armazenamento nos parques solares surge como um vetor de aumento da competitividade\u201d, diz o texto.<\/span><\/p>\n<h2>Expectativa com data centers\u00a0<\/h2>\n<p><span>A previs\u00e3o de pot\u00eancia instalada total nos pr\u00f3ximos anos dos projetos de data center em processo de conex\u00e3o \u00e0 rede passaram de 2,5 GW no relat\u00f3rio do ano passado para 26,3 GW na vers\u00e3o atual. O quantitativo de projetos tamb\u00e9m aumentou de 12 para 77.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cO quantitativo de projetos de data centers no Brasil vem crescendo rapidamente, impulsionados, em grande parte, pelo avan\u00e7o da intelig\u00eancia artificial e pelas perspectivas de incentivos oferecidos por pol\u00edticas p\u00fablicas (Projeto de Lei n\u00ba 278\/2026, que trata sobre o REDATA)\u201d, afirma o texto.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cA <\/span>previs\u00e3o \u00e9 que a carga dos data centers [tenha] novos projetos concentrados em S\u00e3o Paulo, Rio Grande do Sul e Cear\u00e1<span> [\u2026]. Em resposta a esse crescimento de demandas eletrointensivas, a EPE j\u00e1 vem realizando estudos de planejamento da expans\u00e3o focando nas regi\u00f5es de maior interesse dos projetos\u201d.<\/span><\/p>\n\n<p><span><br \/>\n<\/span><span>Apesar disso, o documento ressalta que h\u00e1 incertezas ligadas ao tema. \u201c<\/span>Espera-se que a crescente digitaliza\u00e7\u00e3o da economia impulsionar\u00e1 ainda mais os servi\u00e7os de delivery e o com\u00e9rcio eletr\u00f4nico, acelerando a demanda por data centers<span>, que j\u00e1 despontam como grandes consumidores de eletricidade devido \u00e0 necessidade de alta disponibilidade e refrigera\u00e7\u00e3o intensiva. Nesse contexto, \u00e9 importante ressaltar que as proje\u00e7\u00f5es de demanda energ\u00e9tica associadas \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de novos data centers possuem elevado grau de incerteza\u201d, diz o texto.<\/span><\/p>\n<h2>Fim da gera\u00e7\u00e3o termel\u00e9trica a g\u00e1s obrigat\u00f3ria<\/h2>\n<p><span>O plano tamb\u00e9m incorpora os efeitos da Lei 15.269\/2025, sancionada em novembro do ano passado a partir da Medida Provis\u00f3ria 1.304\/2025, que reformulou a Lei 14.182\/2021 \u2014 a norma que obrigava distribuidoras a contratar novas usinas termel\u00e9tricas a g\u00e1s natural. Pela nova regra, essas usinas a g\u00e1s s\u00e3o substitu\u00eddas majoritariamente por pequenas centrais hidrel\u00e9tricas (PCHs) e por termel\u00e9tricas a biomassa.<\/span><\/p>\n<p><span>A EPE estima que a mudan\u00e7a pode reduzir em at\u00e9 45% as emiss\u00f5es de gases-estufa do Sistema Interligado Nacional (SIN) at\u00e9 2035 em rela\u00e7\u00e3o ao cen\u00e1rio anterior, embora o efeito pleno da lei ainda n\u00e3o esteja incorporado ao cen\u00e1rio de refer\u00eancia do plano.<\/span><\/p>\n<h2>Mudan\u00e7as na capacidade instalada, com mais baterias<\/h2>\n<p><span>A capacidade instalada no pa\u00eds deve sofrer mudan\u00e7as, com hidrel\u00e9tricas cedendo espa\u00e7o percentual (de 44% para 32%) para outras fontes. A gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda (pain\u00e9is solares em resid\u00eancias, por exemplo) sobe de 16% para 21,2%.<\/span><\/p>\n<p><span>O armazenamento em baterias se multiplica: o plano prev\u00ea 6,6 GW dessa fonte em 2035, montante muito superior aos 800 MW projetados na edi\u00e7\u00e3o anterior (at\u00e9 2034).\u00a0 O valor come\u00e7a a se aproximar do percentual previsto para PCHs (12 GW). Percentualmente, no entanto, as baterias continuar\u00e3o com pouco espa\u00e7o (2%).<\/span><\/p>\n\n<p><span>A participa\u00e7\u00e3o de fontes renov\u00e1veis na matriz energ\u00e9tica brasileira deve se manter est\u00e1vel em 51% at\u00e9 2035 \u2014 o mesmo patamar de 2025 \u2014, com o g\u00e1s natural ampliando espa\u00e7o (de 10% para 13% da oferta interna) \u00e0 medida que a participa\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo e seus derivados recua de 33% para 29%.<\/span><\/p>\n<h2>Angra 3 sai de 2029 para 2033<\/h2>\n<p><span>Outra mudan\u00e7a relevante \u00e9 o adiamento da usina nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro. Na comunica\u00e7\u00e3o do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), respons\u00e1vel por estudos sobre o projeto, j\u00e1 se falava no prazo de 2033. Mas o PDE 2034 ainda previa a entrada em opera\u00e7\u00e3o comercial do empreendimento em 2029.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>O novo plano empurra a data para 2033, ap\u00f3s consulta ao MME sobre o andamento dos estudos que subsidiar\u00e3o uma nova delibera\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Energ\u00e9tica (CNPE) sobre a continuidade da obra \u2014 um atraso de quatro anos em rela\u00e7\u00e3o ao que era esperado havia pouco mais de um ano.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>O governo estuda retomar o projeto, mas j\u00e1 adiou a decis\u00e3o v\u00e1rias vezes. De acordo com membros do governo, uma conclus\u00e3o sobre o assunto deve ficar para 2027.<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo federal calcula que o setor de energia vai gerar investimentos de R$ 3,5 trilh\u00f5es at\u00e9 2035 no Brasil, de acordo com o Plano Decenal de Expans\u00e3o de Energia (PDE) 2035, documento aprovado nesta quinta-feira (2). 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